Barretos: uma festa superlativa
Texto: Erika de Lima
Tudo é exagerado na Festa do Peão de Barretos. O público estimado nos dez dias é de 1,5 milhão de pessoas, o complexo por onde os turistas circulam, o Parque do Peão, tem 1,3 milhão de metros quadrados. Para completar, o investimento também e milionário: R$ 7 milhões
A reportagem do Jornal da Cidade esteve na festa quarta-feira passada e viu a Torre de Babel em que Barretos se transformou. Vale tudo para atrair os turistas. Até música tecno nas casas noturnas.
Quem vai pela primeira vez ao evento surpreende-se. Há dez quilômetros do Centro de Barretos, uma cidade sertaneja abriga estandes, palcos, barracas, um parque de diversões, o Rancho do Peãozinho e a arena do Estádio de Rodeios com mais de 80 montarias, que recebe as estrelas de diversas categorias em montaria.
A festa atrai pessoas de diferentes idades, raças e localidades. Do Norte ao Sul, visitantes compareceram ao evento para comprovar de perto as competições e rodeios de cavalos e touros na arena do Estádio de Rodeios.
Aliás, tudo era válido para fascinar o público sertanejo, que buscava variedades e novidades na área country. Num estande de roupas e acessórios sertanejos um casal de jovens dançava fora da loja, com coreografia da Companhia de Dança Apollo Country de Barretos. Segundo a diretora artística e produtora da companhia, Lígia Sette Landahl, essa é uma forma de chamar a atenção dos visitantes para entrar no estande e conhecer os produtos.
"Os touros mecânicos também são meios de atrair o público para mostrar as novidades do mercado", diz o supervisor de marketing da região de Campinas, André Fernando Machado, 29 anos.
No entanto, não são só os expositores que querem ser chamariz. Os próprios visitantes também tentam se mostrar de uma forma ou de outra. Há rapazes, que tentam ganhar beijos de algumas moças, apenas laçando-as, outros, porém, preferem tirar o chapéu quando elas passam. Atitudes que, para umas mulheres são consideradas infantis, mas para outras cavalheiras.
Já em outro astral encontrava-se o gaúcho de Passo Fundo, Nestor Alves de Oliveira, 47 anos. Com um chapéu de viking na cabeça (quase meio metro de um par de chifres) e um microfone de R$ 1,99 na mão, ele tentava dublar pessoas que cantavam nos videokês, espalhados pelo local, em determinados estandes. "Há 20 anos venho na Festa de Peão com uma turma de amigos para prestigiar o evento. Desta vez, trouxe dez pessoas comigo", conta, um pouco em transe.
A festa também é palco para a moda de viola. A dupla dos repentistas e novos amigos nordestinos J. Carneiro, 60 anos, e Genival Ferreira, 45 anos, ao invés de passear, trabalham no evento. Eles são pernambucanos, se conheceram no último final de semana na Festa de Peão, viram que suas violas tinham uma certa afinidade e decidiram cantar e tocar juntos. Carneiro, que era agricultor em Pernambuco, diz que já deixou mulher, mas a viola nunca e pretende continuar tocando na festa e também em outras exposições para continuar se mantendo. "Venho à feira tocar e cantar há cinco anos, mas neste ano, percebi que o movimento está fraco, pior que no ano passado", relata.
Ferreira trabalhava como pedreiro, mas optou por trabalhar com a viola nas festas, dentro da literatura de Cordel, foi então que percebeu o dom de tocar com a viola. "Agora eu e Ferreira estamos trabalhando em parceria porque também tivemos afinidades entre nós", enfatiza Carneiro.
Na festa, a diversão é algo prioritário e o espaço torna-se o grande palco para os visitantes.
Cidade sertaneja
Na cidade de Barretos o clima permanece o mesmo que o da festa, pelo menos, durante os dez dias do evento. Todos os dias remetem ao sábado, vendedores ambulantes nas ruas, bares lotados e muita movimentação em todas as vias públicas. Os visitantes aproveitam o passeio e divertem-se pela cidade, alguns a caráter usando botas, chapéus, som alto com música sertaneja e, em muitos veículos um chifre
à mostra nos paralamas dianteiros para mostrar a paixão pelo estilo. Outros visitantes ousam mais e enchem a carroceria de suas caminhonetes com água como se fossem banheiras para refrescar algumas pessoas, que ficam dentro se "banhando" enquanto fazem um tour por Barretos, sem preocupação alguma.
Ao entrar na cidade, já há uma grande placa de madeira dando as boas vindas aos visitadores, além disso, muitas placas de identificação de ruas também são de madeira, tudo para mostrar o estilo country, perpetuado em Barretos. Até os orelhões da cidade são em formato de chapéus sertanejos.
Reportagem do JC em Barretos*
Depois de três horas e meia de viagem, muita conversa e música sertaneja para aguçar os ânimos e entrar no ritmo da festa, a equipe de reportagem do JC, juntamente com a equipe da NET (TV a cabo) e mais algumas jornalistas chegaram ao Hotel Berrante Dourado, em Barretos (SP).
O grupo, guiado pela coordenadora de marketing da NET de Ribeirão Preto, Vânia Marino, saiu às 14 horas, de Bauru, para entrar na 45.ª Festa do Peão às 19h40 e ir ao camarote da NET, para ver o rodeio de uma forma mais global.
Vários peões nacionais, não renomados, estavam na arena tentando ganhar o touro "à unha". Embora tivesse apenas um terço do público nas arquibancadas, a maioria dos peões parecia sentir-se mais à vontade e conseguiam montar o touro por oito segundos, tempo considerado tolerado para permanecer na competição e concorrer a maiores premiações.
Ao mesmo tempo em que havia rodeio também havia exposições de roupas, sapatos, cintos e bonés de couro, além de muita comida, bebida e estandes de grandes empresas como da NET, apresentando inovações nas telecomunicações.
Após andanças por um terço da festa, afinal são muitos quilômetros de evento, e algumas entrevistas a equipe de reportagem voltou a se reunir com o grupo, para então voltar ao hotel.
No dia seguinte, depois de um café da manhã reforçado, o grupo parou em Jaboticabal para almoçar. Ainda na estrada de volta, podia-se ver veículos com chifres nos paralamas, indo rumo à Barretos. Ao retornar à Bauru, a equipe chegou às 16h45, pensando numa nova viagem sertaneja.
* A equipe de reportagem do JC foi à 45.ª Festa do Peão a convite da NET (TV a cabo).
NET traz inovações na festa
Com um estande futurista, de cor cinza, a NET (TV a cabo) instalou-se numa esquina visível para o público visitante. O
único estande de TV a cabo que havia dentro do evento, que também está atuando na transmissão do rodeio dentro e fora da festa.
Além disso, o estande oferecia aos seus visitantes atrativos como touro mecânico, laço de touro mecânico e Internet, para os visitadores conhecerem mais sobre a rede mundial de comunicação on-line e o site da TV a cabo.
Foram alguns meses de preparação para a organização do estande. Segundo o organizador do estande da NET, André Fernando Machado, 29 anos, toda a montagem e estruturação foi feita de modo a agradar os visitantes. "Foram investidos R$ 600 mil em toda a produção. A idéia é reforçar nossa marca, mostrar o trabalho de fidelização que temos com os clientes e nos aproximarmos de nossas operações", afirma.
De acordo com Machado, a interatividade será muito grande entre a TV e o telespectador num futuro próximo como a WEB NET, um sistema desenvolvido pela empresa.
Através de um teclado acoplado à televisão, o telespectador conseguirá decidir o final de um programa bem como opinar sobre ele, isso tudo quando surgir a WEB NET.
"Queremos mostrar que a NET é a porta de entrada da televisão para a WEB. Será a Internet na TV", garante o organizador.