Geral

Freteiros

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Freteiros protestam contra a Sobar

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Os freteiros que puxam cana para a Usina Sobar estão de braços cruzados. Eles alegam que estão sem receber há 60 dias e que a empresa quer romper o contrato sem fazer os devidos pagamentos. Há três dias parados, eles não conseguem um acordo. Ontem, eles bloquearam a entrada da usina, mas foram obrigados a liberá-la por força de uma liminar.

Os freteiros estão dispostos a fazer um acordo, mas alegam que a usina não quer resolver através do diálogo.

"Nós propusemos receber em álcool, diesel ou até esperar um cheque. Porém, eles endureceram e querem que a gente espere até 15 de outubro. Eles não querem dar os cheques," frisa o freteiro Carlos Augusto Lima.

Segundo ele, cada um dos "puxadores de cana" tem um valor a receber. "Depende do tipo de caminhão e da produtividade de cada um. Os valores variam de R$ 100,00 a R$ 11 mil. A folha de pagamento do mês de agosto não foi liberado para nós. Estamos só com a folha de 25 de junho a 25 de julho."

Sem acordo, os freteiros decidiram por um movimento a fim de pressionar a usina a fazer os pagamentos. "Nós estamos com contas a pagar. O contrato está valendo até o final do ano. Eles querem adiar o pagamento para outubro, porque até lá eles já conseguiram moer toda a safra e nós não vamos ter como receber."

Os carreteiros dizem que já bloquearam as balanças que pesam a chegada da cana. "Bloqueamos as duas balanças. Fomos obrigados a desbloquear. Hoje (ontem) bloqueamos a entrada dos caminhões carregados de cana, mas o oficial de Justiça entregou a liminar e fomos obrigados a desbloquear."

Após receber a liminar de reintegração e manutenção de posse, assinada pelo juiz Antônio José Magdalena, os freteiros decidiram bloquear os caminhões na roça. "Vamos bloquear os caminhões na roça", prometem.

Ele alegam que sem a cana, a empresa não teria como funcionar.

"Eles estão funcionando com o carregamento de seus caminhões. Os nossos, cerca de 30, estão parados. Fomos despedidos e queremos receber. Queremos garantias e eles não querem passar para o papel." Nos canaviais da região, os caminhões ficaram parados com todo o carregamento de cana.

Empresa

A Usina Sobar de Espirito Santo do Turvo se manifestou sobre o assunto, através de um fac-símile. Nenhum diretor atendeu a reportagem do JC.

Segundo o documento enviado pela empresa, no mês de agosto, a usina adquiriu 15 novos caminhões e decidiu rescindir o contrato de transporte de matéria prima, feita por terceiros. A decisão da empresa teria provocado o descontentamento dos freteiros.

Eles alegam que em função da crise econômica, o setor alcooleiro tem arcado com as consequências da significativa alta de preços na matéria prima, causada pela longa estiagem.

A elevação dos impostos e do preço da matéria prima teria provocado reflexos no preço do álcool carburante hidratado, com a substancial retração no mercado consumidor. Esses fatores teriam trazido um desequilíbrio de caixa, o que levou a empresa a propor uma dilatação de 30 dias na data do vencimento das faturas desses transportadores.

Segundo a Sobar, na quinta-feira foi firmado um acordo verbal com os carreteiros e que infelizmente, no dia seguinte, eles radicalizaram e romperam o acordo selado, obstruindo as entradas da usina, causando sérios prejuízos para a empresa.

A empresa, de acordo com o comunicado, tem procurado primar pelo cumprimento de seus compromissos e que tomou as atitudes cabíveis para resguardar seus direitos, junto a Justiça.

Comentários

Comentários