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Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Na terra Mikey

Texto: Gustavo Cândido

É muito comum ouvir que os turistas brasileiros sempre aprontam no Exterior. Mas será que isso é verdade? De acordo com o professor de inglês Carlos Eduardo Corrêa, que passou três meses trabalhando e fazendo cursos na Disney World, a afirmação é verdadeira. Essa é apenas uma das interessantes constatações desse bauruense de 23 anos sobre os turistas do mundo todo. Essa semana ele falou ao JC sobre sua viagem.

Jornal da Cidade - Como surgiu a chance de ir trabalhar na Disney?

Carlos Eduardo Corrêa - A revista Veja publicou uma matéria, no ano passado, sobre os parques da Disney que falava sobre a possível contratação de brasileiros para trabalhar no parques. O único requisito era que falasse bem inglês. Entrei em contato com eles pelo site e depois pelo telefone. Fiz duas entrevistas em São Paulo e acabei sendo escolhido. Era uma seleção de nível nacional, com 12 mil candidatos para 400 vagas.

JC - O objetivo era só trabalhar?

Carlos - Trabalhar e estudar. Eles oferecem seminários de desenvolvimento de carreira, administração de hotelaria, aspectos da administração, entre outros. Fiz todos esses.

JC - E você trabalhou fazendo o quê?

Carlos - Fui anfitrião em restaurante, fui anfitrião no parque, dava direcionamento para as pessoas, fui vendedor em lojas e vendedor em estandes. Trabalhei no Magic Kingdon, o único no qual não trabalhei foi o Animal Kingdom. A gente ganhava US$ 7 por hora.

JC - Quantos parques são no total?

Carlos - São quatro parques temáticos e três parques aquáticos. Tem o Magic Kingdom, aquele com o castelo da Cinderela, o Animal Kingdom, o Epcot Center, o MGM Studios, o Typhoon Lagoon, River Country e o Blizard Beach. Além dos 17 hotéis.

JC - A má fama do turista brasileiro no Exterior se confirma?

Carlos - Sim. A filosofia da Disney é que seus funcionários sempre estejam sorrindo, aparentando felicidade e dando sempre razão ao cliente. Por conta disso a gente "engole muito sapo", principalmente dos brasileiros. Eles querem furar as filas e a gente tem que evitar isso porque os outros turistas reclamam. Os brasileiros também têm fama de barulhentos. Quando somos instruídos para trabalhar em um setor o instrutor nos adverte sobre os brasileiros e a forma como tratá-los, principalmente na temporada de brasileiros, que é em junho e julho. Eles pedem que a gente procure evitar que os brasileiros batam palmas, gritem gritos de guerra e tumultuem. Fiquei meio "assim" da primeira vez, mas depois vi que era bem aquilo mesmo.

JC - O que eles fazem que tumultua tanto?

Carlos - Por exemplo, durante um desfile, eles ficam gritando

"Brasil ê ô, Brasil ê ô...", batem palmas, batem o pé. Dentro das filas dos brinquedos as crianças também fazem muito barulho e gritam. A gente tem que solicitar que eles fiquem calmos.

JC - E os turistas de outros países, também dão trabalho?

Carlos - O europeu é muito sujo no geral, ele não joga um papel em qualquer lugar, mas ao invés de jogar o lixo numa lata (existe uma a cada quatro passos), ele deixa num cantinho qualquer. O europeu deixa rastros. O americano é educado, mas é muito reservado, individualista, ele estabelece barreiras nítidas e claras, por isso talvez se incomode tanto com o barulho dos brasileiros.

JC - O que você faz quando vê alguém jogando lixo no chão?

Carlos - A gente conversa com a pessoa, mostra onde está a lata de lixo e pede para ela jogar as coisas lá da próxima vez. O mesmo acontece com os fumantes. É proibido fumar no parque, mas existe uma área de fumantes em cada parque e a pessoa só pode fumar lá, se estiver fumando fora a gente é obrigado a pedir para ela ir até a área específica. Se a pessoa se recusar, eu posso chamar o meu gerente e ela pode ir para fora do parque.

JC - Isso acontece muito?

Carlos - Não. Na minha temporada vi uma pessoa ser mandada embora do parque por indisciplina. Era um americano, ele foi muito rude com um funcionário sem razão.

JC - O que você conheceu nos parques que a maioria das pessoas, mesmo as que vão lá não sabem?

Carlos - Tem algumas coisas interessantes, por exemplo, na verdade o Magic Kingdom é um segundo andar, porque tem um monte de coisa em baixo, banco, refeitório, centro esportivo, cinema, teatro, boate, um market place, guarda-roupa, as máquinas. Atrás existe uma fábrica, onde são feitos lápis, borrachas, canetas e alguns bichos de pelúcia que são vendidos nos parques. Tudo funciona lá. Eles também tem suas próprias linhas telefônicas, seu reservatório de água, sua própria fonte de energia elétrica... Outra coisa legal é que a propriedade é supergrande, são duas vezes o tamanho da ilha de Manhattan. 53% dessa área ainda vai ser construída, por isso tem muita área verde.

JC - Quanto tempo uma pessoa precisa para conhecer bem todos os parques?

Carlos - Para conhecer tudo bem mesmo, uma semana. Geralmente, as pessoas voltam sempre para o Magic Kingdom, que na verdade representa a Disney para os turistas. Se alguém não conheceu todos os parques, mas foi ao Magic, ela vai dizer que foi à Disney. É o parque mais importante e nada pode sair errado nele, senão estraga o passeio das pessoas, mesmo que elas tenham se divertido muito nos outros parques.

JC - Quais são as melhores temporadas para ir até lá?

Carlos - No meio do ano é muito quente lá, algumas pessoas chegam até a passar mal. Por isso, abril/maio e setembro/outubro são as melhores épocas para viajar porque tem menos gente e não é muito quente.

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