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Próstata

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 7 min

Próstata é o 2.º câncer mais letal

Texto: Sabrina Magalhães

A escolha do tratamento a ser adotado - medicamentoso, radioterápico ou cirúrgico - depende da fase em que o tumor é descoberto

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de próstata é a segunda causa de morte por tumor maligno em homens, depois do câncer de pulmão. Em incidência, é o terceiro tipo diagnosticado mais freqüentemente, perdendo para as neoplasias de pele e pulmão.

Estima-se que, só no ano passado, tenham sido diagnosticados quase 15 mil casos novos no País, com uma mortalidade girando em torno de sete óbitos para cada 100 mil homens. Nos Estados Unidos registram-se, anualmente, 200 mil novos casos, com gastos de aproximadamente US$ 2 bilhões.

"A incidência antes dos 50 anos é rara, mas a partir desta idade, ela duplica a cada década de vida. Então, a incidência é de um para cada 10 mil homens com menos de 39 anos. Sobe para um em cada 103 homens entre 40 e 59 anos. E vai para um em cada oito homens entre 60 e 79 anos. Achados de autópsia mostram que aos 80 anos, 70% dos homens apresenta câncer prostático, ou seja, a partir dos 80 anos de idade, a cada 10 homens, só três não têm câncer de próstata", afirma Estevam Cruz.

Com tudo isso, poderia-se supor que o número de homens morrendo por câncer da próstata seria enorme. Felizmente, isso não ocorre. Dados oficiais indicam que o risco de um homem desenvolver uma neoplasia maligna na próstata durante toda a sua vida é de aproximadamente 30%, só que, destes, apenas 10% vão se tornar clínicos. Os outros recebem o nome de carcinomas indolentes, quer dizer, eles existem, mas não "incomodam". E o risco de morrer por causa do câncer prostático acaba caindo para 3%.

Causas

Como boa parte dos cânceres, não existe uma causa bem definida para a origem do carcinoma prostático. Mas quatro fatores merecem atenção. O mais importante, sugere-se, é o fator hereditário.

A possibilidade do aparecimento da doença é duas vezes maior nos homens que têm um familiar direto (pai ou irmão) acometido pela neoplasia. Havendo dois parentes com histórico de câncer, esse risco sobe para cinco vezes. Havendo três familiares, a chance aumenta para 11 vezes. Portanto, em famílias onde há o diagnóstico de câncer de próstata, os homens devem iniciar seus exames preventivos periódicos por volta dos 40 anos.

Outro fator associado ao desenvolvimento do câncer de próstata

é o hormônio masculino (testosterona). "Isso já foi muito discutido. O câncer de próstata

é hormônio-dependente, ou seja, o hormônio alimenta o tumor. Há algum tempo, desconfiou-se que qualquer pessoa poderia ter um câncer se tomasse testosterona. Então, os tratamentos à base de testosterona foram inibidos. Mas, hoje, está comprovado que o hormônio só é importante se a pessoa já tem o câncer ou tem forte tendência a ter. Do contrário, o hormônio, em si, não é importante no aparecimento da doença", comenta Cruz.

Os fatores ambientais também devem ser levados em consideração, já que os descendentes de migrantes de áreas de baixa incidência para áreas de alta incidência sofrem um aumento considerável nos riscos de aparecimento da doença. Neste sentido, o tabagismo, a poluição do ar, dietas ricas de zinco e cadmium, dietas ricas em gordura e pobres em vitamina A têm sido descritos como fatores desencadeantes do carcinoma, apesar de não haver nenhuma comprovação científica.

E como quarto fator sugerido estão as doenças infecciosas sexualmente transmissíveis. Os estudos a respeito são conflitantes, mas o herpes vírus e o citomegalovírus são freqüentemente encontrados nas células prostáticas.

Diagnóstico

"Existem duas maneiras para se fazer o diagnóstico de câncer de próstata. E não é uma OU outra, mas uma E outra", esclarece o médico. Segundo ele, primeiro é feito o toque retal, que é fundamental. Em seguida, é feito o exame de sangue Antígeno Prostático Específico (PSA - prostatic specific antigeno, do inglês). Várias coisas podem fazer aumentar o número de antígenos no sangue, mas o câncer resulta num aumento muito acentuado. Então, se o médico encontra um nódulo na próstata durante o toque e o resultado do PSA é elevado, é sugestivo que o paciente tenha câncer de próstata. Então, ele é submetido ao ultra-som transretal com biópsia, através do qual será determinado diagnóstico final.

Fases e terapêutica

Através da biópsia, será determinado também o estadiamento da doença, ou seja, em que fase a neoplasia está. Esse estadiamento divide-se em quatro: A, B, C e D. De acordo com o urologista, quando a doença é diagnosticada nas fases A e B, a chance de cura pelos métodos de tratamento disponíveis hoje é de praticamente 100%. Se o câncer já é está na fase C, a chance de cura diminui consideravelmente. Mas se o diagnóstico

é de câncer em fase D, então a possibilidade de cura é de 0%.

"Assim, é muita frivolidade com a vida a gente ficar brincando, fazendo piada e se preocupando com o mito do exame de toque, ao invés de se preocupar com a prevenção", reforça o médico.

Ele explica que quando o paciente tem menos de 70 anos e apresenta câncer prostático nas fases A e B, a terapêutica adotada é a cirurgia. Se ele tem câncer em fases A ou B, mas já passou dos 70 anos, opta-se pela radioterapia conformada, que é localizada só na próstata.

"Recentemente, surgiu outra modalidade de radioterapia, a braquiterapia, em que você coloca 'sementinhas radioativas' dentro da próstata. A eficácia do tratamento está quase igual à cirurgia, mas nós ainda não sabemos quais serão os resultados desta técnica a longo prazo, ou seja, não sabemos quais os riscos do problema voltar depois de alguns anos", comenta Cruz.

Na fase C, o câncer de próstata já apresenta metástase local. Dependendo do caso, uma cirurgia já não adiantaria mais. Na fase D, o prognóstico é ainda pior, pois a metástase já aparece em outros

órgãos. Em ambos os casos, o tratamento é apenas paliativo. "Sabendo da hormônio-dependência do câncer, nós adotamos drogas bloqueadoras de testosterona, que podem atuar no hipotálamo, no testículo ou no sangue. Esse tratamento vai aumentar a sobrevida do paciente e melhorar as condições de vida dele, mas sem qualquer perspectiva de cura. Por isso é tão importante o diagnóstico precoce. Por isso é tão importante não se ter medo e ir ao médico", finaliza.

O que é câncer

Câncer é um termo geral dado para mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem outros tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo (processo chamado de metástase).

As células passam a dividir-se muito rapidamente, tornando-se agressivas e incontroláveis, formando os chamados tumores malignos, que são o acúmulo de células cancerosas. O tumor benigno significa uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, mas raramente são um risco de vida.

Células cancerígenas podem formar tumores em órgãos sólidos como o pulmão, a mama ou a próstata. O sangue ou órgãos formados por sangue (como o sistema linfático e a medula óssea) podem também ser invadidos por células cancerígenas. Uma vez no sistema circulatório, o câncer pode viajar através do corpo. Há também os cânceres que se formam originalmente no sangue, medula e sistema linfático, sendo geralmente diagnosticados como leucemia ou linfoma.

O câncer surge por um processo chamado de carcinogênese, quando ocorre a mutação genética das células. O DNA dos genes de uma célula normal pode sofrer alterações. Em geral, esse processos é lento no começo, mas de difícil diagnóstico, até que o tumor esteja formado. Segundo o oncologista André Murad, os agentes físicos (radiação), químicos (cigarro e alimentos inadequados) e biológicos (vírus) são os responsáveis pelo aparecimento da doença. Os tipos de cânceres correspondem aos diferentes tipos de células do corpo, motivo pelo qual torna-se difícil o tratamento.

Fonte: Attacheé de Presse

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