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Andréia Alevato
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Conselho de pastores desconhece igrejas

Texto: Andréia Alevato

O Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru não sabe o número exato de igrejas existentes na cidade. São 350 cadastradas no órgão, mas seriam mais de 400 espalhadas pela cidade.

Na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que expede os alvarás de funcionamento, os números são ainda mais imprecisos. Apenas 114 igrejas estão cadastradas na Prefeitura, isso contando as igrejas católicas, evangélicas e templos similares ligados à religião.

Segundo o pastor Edson Valentin de Freitas Filho, presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru, as igrejas não cadastradas na entidade são organizadas, funcionam apenas na prática, mas não existem oficialmente. Isso ocorre, de acordo com ele, porque as igrejas surgem informalmente, de forma muito simples.

"São 350 igrejas cadastradas no Conselho de Pastores, mas há aproximadamente 400 na cidade. Estas não cadastradas no Conselho e que não têm alvará de funcionamento na Prefeitura são organizadas, mas o pastor não participa das atividades do Conselho. Muitas vezes, a igreja surge informalmente. O pastor começa a evangelizar em determinado bairro e são realizadas reuniões pequenas. Depois, alugam um salão pequeno. É uma igreja na prática, porque tem seus dias de cultos, mas não é uma igreja oficialmente. Como ela começou informalmente, fica muito tempo da mesma forma. Então, esse processo do início até a formalização na Prefeitura e cadastramento no Conselho, demora meses. E é nesse tempo que nós ficamos sem saber que essa igreja está funcionando", explicou o pastor.

O presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos contou que é muito fácil abrir uma igreja, porque a Constituição permite que qualquer pessoa abra uma igreja ou se torne pastor.

"É muito fácil abrir uma igreja. A Constituição dá essa liberdade. Geralmente, uma igreja surge a partir de outra igreja. Um bairro é escolhido. Então, as pessoas que escolheram esse bairro se mudam para lá ou começam a visitá-lo semanalmente para começar a evangelização. Vão reunindo um grupo de pessoas. A medida em que o grupo cresce, aluga-se um salão. E quando atinge um determinado porte, aí então se oficializa como igreja", contou o presidente do Conselho.

A Constituição Federal também não proíbe que ninguém se torne um pastor. Mas, em geral, existem três tipos de formação para pastor. Dois tipos mais comuns, usados pela maioria das igrejas, e um terceiro caso, mais atípico.

O primeiro tipo de formação é através de cursos específicos de Teologia, que variam entre um e três anos de duração.

"As igrejas históricas, que surgiram no Brasil há mais de um século, formam os pastores a partir de cursos específicos de Teologia, com duração de um, dois ou três anos, que dão conhecimento bíblico e ético para o pretendente. Depois, esse pretendente passa por um período de teste na igreja e é avaliado por outros pastores", explicou.

O segundo tipo de formação é o de igrejas que não exigem o curso, mas a pessoa que deseja ser pastor deve ser líder e ter demonstrado aptidão dentro da igreja. Essa pessoa também é avaliada por outros pastores.

Os casos atípicos são de pessoas que se denominam pastores e abrem a sua igreja.

"Nesses casos, não temos nada a fazer porque a Constituição dá essa liberdade e não impõe nenhuma restrição. Então, se uma igreja resolve escolher alguém e dizer

"agora você é pastor", pode fazer isso perfeitamente. Dentro do Conselho de Pastores, procuramos conhecer o histórico de cada um", concluiu o pastor Edson.

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