Química e Física recebem mais de US$ 2,5 milhão da Fapesp
O "boom" de projetos de pesquisa aceitos pelas várias entidades de fomento, especialmente a Fapesp, deu o status de líder aos departamentos de Física e Química da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru. Os dois departamentos são os responsáveis pela verba que permitiu a criação da central de laboratórios, um prédio com cerca de 500 metros quadrados de área construída que abrigam os laboratórios de física (que sozinha ocupara metade da área), química, biologia e educação física. Os laboratórios estão equipados com tecnologia de ponta permitindo a alunos e professores o desenvolvimento de novos projetos e geração de conhecimento.
No departamento de Química o quadro de professores é formado por nove professores pós-doutores, sendo que sete realizaram seus estudos no Exterior. Nos últimos três anos, essa equipe de pesquisadores conseguiu atrair financiamentos da ordem de US$1,5 milhão, dinheiro em grande parte oriundo da FAPESP, o que viabilizou a concretização da Central de Laboratórios, de acordo com o vice-chefe do Departamento de Química, da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, professor João Roberto Fernandes, representado o chefe da área, professor Moisés Teodoro Messi. Na opinião de João Roberto a Fapesp é um órgão público muito bem administrado. "O dinheiro foi direcionado para a construção e aparelhamento da central de laboratórios de pesquisa, que na parte destinada ao Departamento de Química conta com as áreas de química analítica e cromatologia, eletroanalítica, controle de bioprocessos e eletrocatálise (2 laboratórios)", explica Fernandes.
Para o professor João Roberto, o maior entrave à pesquisa no Brasil ainda é a burocracia especialmente nos processos de compra.
"De um lado estaremos criando conhecimento indo a busca das novidades na nossa área de interesse e , num momento posterior, divulgando essas informações para a comunidade científica através da publicação de artigos internacionais. Por outro lado, também estaremos trabalhando a parte social atendendo, na medida do possível, as solicitações da comunidade. Hoje, por exemplo, o laboratório de química analítica e cromatografia está prestando serviço
à promotoria pública analisando amostras de combustíveis, devido a suspeita de fraude.Os resultados iniciais já comprovam a adulteração nos combustíveis comercializados na região de Bauru," explica o pesquisador.
Visitas monitoradas com alunos da rede pública de ensino são rotineiras. "Preparamos alguns experimentos chamativos, e com isso estamos colaborando com a parte educacional e quem sabe despertando o interesse de futuros químicos, físicos e biólogos, só para citar alguns. Este é um trabalho muito gratificante", afirma o professor.
Como a Unesp de Bauru ainda não dispõe de um curso de graduação em química a meta dos professores
é conseguir a aprovação da reitoria para a instalação do curso no campus de Bauru. De acordo com o vice-chefe da Química, a realidade atual do ensino de química é de um grande número de professores ensinando química sem formação específica na área. Este fato por si só já confirma a demanda não atendida.
Existem várias linhas de pesquisa já em desenvolvimento nos laboratórios. Projetos
· Utilização de eletroquímica e biosensores
· Células combustíveis que é uma fonte alternativa de energia
· Cromatografia: fitoquímica princípio ativo de plantas, o material disponível no cerrado aqui da área da Unesp é um campo muito amplo para a pesquisa; polímeros para a construção civil; química ambiental basicamente análise de pesticidas em água, solo e ar; oncocologia (?) desenvolvimento de novos compostos para o tratamento do câncer.
Um exemplo prático do desenvolvimento de pesquisas na área de química foi o Viagra, que tem como base o estudo de uma enzima chamada de Óxido Nítrico o NO, que dá uma base de dilatação grande aos vasos sanguíneos.
Física
Os projetos de pesquisa do Departamento de Física, da Faculdade de Ciências somam US$ 1,5 milhão. De acordo com o chefe de departamento de Física, da Faculdade de Ciências, o professor João Brás Barreto de Oliveira, a aceitação desses projetos se deu devido à formação dos docentes. "Em 1992 o departamento tinha apenas dois doutores e hoje são 18 professores todos com doutorado e, outros três docentes estão em fase final de conclusão do doutorado, o que nos deixa numa posição relativamente tranqüila e mostra a importância do aprimoramento profissional dentro das Universidades. Isso nos deixa muito satisfeitos com relação ao nosso trabalho", esclarece Brás.
As chances de obtenção de verba para financiamento de projetos de pesquisa é proporcional ao número de docentes titulados. Quanto maior o número de professores com doutorado ou pós-doc, mais chances o departamento têm de conseguir aprovação de projetos e com isso viabilizar a ampliação da área de atuação e o aperfeiçoamento do conhecimento a alunos e professores.
Esse respaldo à pesquisa tem gerado, por outro lado, uma produção científica de jovens em programas de iniciação científica e de alunos de pós-graduação que poderão, a partir de agora, desenvolver suas pesquisas utilizando a central de laboratórios, mesmo cursando as disciplinas em outras Universidades. "O contato entre os pós-graduandos e os alunos da graduação é altamente positivo, pois isso cria um clima de pesquisa entre os envolvidos", afirma o professor.
A principal meta perseguida pelo departamento de Física
é o estabelecimento de um curso de pós-graduação, em nível de mestrado, que contará com a parceria do Instituto de Física Teórica, da USP de São Paulo. As discussões já estão bem avançadas. A idéia é abrir uma área de concentração dentro de física teórica, no estudo de matéria condensada.
A boa impressão causada pela instalação da central de laboratórios aos professores da USP, que estiveram em Bauru para conhecer de perto os projetos e o trabalho da equipe da Física foi fator decisivo para o estabelecimento do convênio/parceria para a realização do curso de pós-graduação.
Grande parte das pesquisas desenvolvida na Física é voltada para a investigação de novos materiais e suas várias aplicações tecnológicas. Em São Carlos, por exemplo, o conhecimento tecnológico gerado nas pesquisas foi utilizado por um grupo de pequenos empresários para resolução de problemas e aperfeiçoamento de técnicas.
A Central de Laboratórios é um bem público voltado a produção de conhecimento científico que, com o passar do tempo, vai encontrando aplicações práticas que auxiliam a vida das pessoas.