Geral

Pescaria

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 11 min

Em busca dos tarpon americanos

Texto: Roberta Mathias

Sentir a presença de um tarpon já é uma sensação especial para o pescador. Ter um desses gigantes na linha acelera os batimentos cardíacos de qualquer um; mas embarcar um deles deve ser emoção para anos e anos de pescaria...

Já respondo antes de alguém perguntar... Não.

É verdade, não embarcamos o tão famoso tarpon, nas águas transparentes dos flats americanos, em Florida Keys. Porém, mais do que isso, vivemos emoções e sentimentos que dificilmente seriam transmitidos em algumas páginas impressas. Ler um texto já sabendo do resultado pode ser, realmente, um tanto frustrante, mas a sensação de prazer de uma pescaria de tarpon, nos flats, é talvez uma das mais gratificantes ao pescador. Só lendo, pescando e vivenciando para saber. Se quiser ter um gostinho... prossiga na leitura.

A idéia da viagem surgiu como brincadeira, na Internet, quando o pescador Gerson Kavamoto, 30 anos, convidou um repórter do Jornal da Cidade para acompanhar uma pescaria de tarpons nos Estados Unidos. Tudo combinado via net. Por que lá, se há tarpons no Brasil? Há poucos lugares no globo terrestre onde é possível "caçar" um tarpon na pesca visual. Belize, na América Central, Homossassa, também na Flórida, e Sierra Leoni, na

África. No Brasil, o tarpon, tarpão ou camarupim, como também é conhecido, pode ser encontrado de Norte a Sul do País, em regiões de estuários, principalmente no Nordeste. Mas a característica de nossa costa difere dos flats, onde a água transparente desafia o pescador. Um pouco diferente, mas também interessante. Mas isso já é outra história.

Em Florida Keys, um grupo iria se encontrar para a pescaria de tarpons: Kavamoto, que saiu do Japão em seus dias de férias, juntamente João Tsuyoshi Figuti, 32 anos; Guilherme Monteiro, brasileiro que mora em Miami, e a repórter do JC. Até chegar em Miami (FL), uma mistura de medo e ansiedade circulava pelas veias. No aeroporto, encontrar os amigos pescadores transmite uma sensação de conforto.

Partimos imediatamente para Long Key, onde Guilherme Monteiro aguardava para partirmos à procura dos tarpons. Monteiro mora há sete anos nos EUA, onde é guia de pesca. Ele e Kavamoto, que mora há oito anos no Japão, são sócios em um barco de pesca especialmente projetado para pescar nos flats. E com ele partimos em busca de aventura. Buscaríamos o peixe em momentos diferentes.

Pesca visual

Apaixonado por fly, Gerson Kavamoto já teve a oportunidade de fisgar e embarcar (só para fotografias) três tarpons usando a mosca. Para quem ainda não conhece o peixe e a modalidade, fica um pouco difícil ter noção do que isso significa. Para se ter uma idéia, a cada dez tarpons fisgados, apenas um é embarcado. No fly, a dificuldade aumenta ainda mais.

Guilherme Monteiro já fisgou muitos tarpons com isca natural, principalmente em Miami, mas espera a oportunidade para capturá-lo no fly, nos flats de Florida Keys. O lugar é encantador.

Localizada no Sul da Flórida, a região possui várias ilhas (Islamorada, Long Key, Marathon Key, Key West, Duck Key, Key Largo e muitas outras) que são ligadas por imensas pontes de concreto. Para se ter uma idéia, são aproximadamente 40 pontes que levam o visitante até uma das últimas cidades americanas: Key West. Lá, você está a apenas 90 milhas marítimas de Cuba, o que demonstra a proximidade do mar do Caribe. Água verde e cristalina, não é difícil visualizar os peixes se movimentando. Além da limpidez, a profundidade colabora bastante: nos flats, a média é de 3 a 4 metros.

Então, recapitulando, éramos quatro pessoas, em

águas americanas, com ares caribenhos, muito próximo da costa, à procura de peixes prateados, com cerca de 100 quilos. Loucura? Não. Paixão.

Nos primeiros dias, era possível visualizar os tarpons chegando. No começo, apareciam aos pares, no máximo em grupos de quatro exemplares. A pesca visual (como publicamos anteriormente) funciona assim: o capitão do barco (no caso o Guilherme Monteiro) fica sobre uma plataforma na popa com os olhos "colados" no mar; o pescador de fly fica posicionado na frente da embarcação, atento a cada movimento; quando o peixe é localizado, prepara-se o arremesso, enquanto o capitão posiciona o barco. O arremesso deve ser bem direcionado.

Mas não só um arremesso perfeito é suficiente. São diversos fatores que influenciam a captura de um tarpon no fly. Primeiro e importantíssimo é a localização do peixe. Nisso, os óculos polarizados são imprescindíveis. Aí seguem o aspecto da mosca utilizada: ela deve atrair o peixe. Nem sempre isso acontece. Há momentos em que um fly vermelho encanta o tarpon, em outros dias, um amarelinho é o escolhido. Não existe uma regra. Outro fator muito observado pelos pescadores de fly é onde a linha vai cair: "Ela não deve atravessar a frente do peixe", ensina Kavamoto. O peixe não deve ver a linha. O que não é nada fácil, pois o tarpon possui olhos bem abertos, imensos, localizados estrategicamente na região superior da cabeça.

Arremesso certo, isca certa. É preciso trabalhar o movimento para que o peixe abocanhe a mosca. Abocanhou? É o momento em que o peixe salta para se livrar do anzol, que tenta ficar firme em sua boca formada por uma camada óssea, difícil de fisgar. É um belo peixe, mas arisco e poderoso.

Naqueles dias de flats, chegamos a visualizar cardumes com mais de 60 exemplares passando nas proximidades. É difícil imaginar um local com tanto peixe e tanta dificuldade em capturá-lo. E é assim mesmo. Não era difícil encontrarmos outros barcos nas mesmas situações. A pesca esportiva

é a principal atividade de Florida Keys. Quando inicia a temporada de tarpons, dezenas de guias colocam seus barcos na

água e chegam a cobrar 400 dólares por dia de pesca

(não incluindo o lanche e nem garantindo o peixe).

A indústria da pesca esportiva movimenta milhões e milhões de dólares todos os anos, nos EUA. Há lojas especializadas em pesca de fly, em equipamentos náuticos de todas as marcas e modelos. E as roupas? Os pescadores dos flats também investem em roupas, pois o lugar é muito quente e são necessárias horas e horas sob o sol para conseguir uma batida. Às vezes dias.

Nos flats, o peixe chega a ter condições maiores de resistir à captura. A "batalha" entre pescador e peixe fica menos desigual. Lá, o peixe escolhe o que vai comer, quando vai, como vai e porque comer. O tarpon está ali apenas de passagem, portanto, não está fome. Os horários para encotrá-los são orientados pela maré e podem variar.

Nessa batalha de encontros e desencontros, tivemos vitórias com tarpons seguindo o fly, chegando até bem próximo do barco. Mesmo não fisgando o peixe, pescamos nos flats por vários dias. E no último dia, acreditem, um deles nos deu um lindo show. Monteiro havia voltado para Miami e Figuti para o Japão e estávamos prontos para retornar também. "Só mais uma hora", disse Kavamoto.

E foi nesse curto período de tempo que um lindo exemplar, com aproximadamente 50 quilos, atacou o fly amarelinho que havia sido atado na noite anterior. O peixe deu seu tradicional salto, mostrando o brilho prateado de suas escamas, e mergulhou. Rapidamente, Kavamoto tentou fisgá-lo e já nos posicionávamos para seguir o peixe, pois assim que é fisgado o tarpon leva linha, até fazer a carretilha cantar, e é preciso persegui-lo. Mas, infelizmente, ele conseguiu fugir. Ele abriu o anzol com a sua força. Kavamoto ficou furioso ao perceber que havia perdido o peixe para um anzol de origem japonesa.

Mas tudo correu bem, afinal, conseguimos atrair o peixe, fazê-lo atacar a mosca e, por pouco, não o fisgamos. Assim fica emoção para a próxima temporada de pesca nos flats da Flórida.

Na ponte

Quando o assunto é pesca de tarpon, nos EUA, o lugar onde estará pescando deve ser observado. Em Miami, os tarpons estão habituados a comer caranguejos. Já em Florida Keys, pequenos peixes são os preferidos. Apesar de algumas vezes ele se entregar aos encantos dos crustáceos, os "mulets"

(nossas conhecidas tainhas), como são chamados, fazem mais sucesso.

Por isso, iniciamos uma pescaria de tarpons no horário em que ele se reúne com o grupo para se alimentar: pela manhã (7 horas) e à tarde, comecinho da noite.

Onde encontrá-lo? Sob as pontes que ligam as ilhas de Florida Keys. O barco foi ancorado sob a ponte, em uma região onde os tarpons costumam aparecer para uma pescaria com iscas vivas. Sem muito segredo, é importante que o equipamento esteja bem montado, para que durante a briga nenhum nó arrebente, e ter paciência. Além disso, torcer para que as barracudas não ataquem a isca, o que às vezes acontece.

Figuti era o pescador do dia e estava um pouco desanimado. Afinal, durante o dia todo havíamos insistido na pesca de fly nos flats e não tivemos nenhuma batida. Já estava anoitecendo e nada. De repente, Figuti sente o puxão e segura firme na carretilha: era ele. O tarpon deu um salto que todos pudemos ver o seu brilho prateado, mesmo tendo anoitecido. Imediatamente recolhemos a âncora e começamos a perseguição.

Gerson Kavamato apressou em ligar o motor, atento para a navegação noturna, quando os perigos são maiores. Figuti continuava firme, com o peixe preso ao anzol. "Deixa ele correr, deixa ele correr", dizia Kavamoto, esperando que o peixe saísse da proximidade da ponte. E assim foi. Figuti liberava a linha; corríamos com a embarcação atrás dele, recolhendo a linha com cuidado para que não arrebentasse; e novamente o tarpon seguia para a ponte. Até parece que ele sabia que lá a dificuldade para retirá-lo é maior e suas chances aumentam bastante. Sem falar na visibilidade zero.

Acreditem, ficamos nessa batalha por mais de uma hora, cronometrada no relógio, e finalmente ele conseguiu arrebentar a linha. Vitorioso, um tarpon de, supomos, 65 quilos, deixou Figuti sem energias. Porém, o fato de não conseguirmos embarcá-lo fez com que os ânimos fossem renovados para outros dias de pesca. Os peixes estavam lá; a briga, apesar de longa, poderia ser repetida. Só restava a perseverança dos pescadores, e isso havia de sobra.

Como já sabem, não conseguimos embarcar nenhum tarpon nesta viagem a Florida Keys, porém tivemos, como esta, mais quatro boas brigas com o tarpon. Às vezes, com exemplares de menor tamanho, em outras, talvez na mesma intensidade. Até para fotografá-lo é difícil. Acertar exatamente o tempo do salto. E ele salta! Como dizem os pescadores de tarpon:

"A cada 10 tarpons fisgados, apenas um é embarcado". Como nós brigamos com seis (cinco na ponte e um nos flats), na próxima tudo vai ficar mais fácil. Serão apenas quatro brigas antes do embarque para a foto. O otimismo dos pescadores e o gostinho de "quero mais" deve reunir o grupo na próxima temporada.

Para pescar em Miami (preços especiais para brasileiros)

Guilherme Monteiro

Telefone 1-305-345-3341 (celular)

Telefone 1-305-937-1122 (casa)

e-mail: gui@bellsouth.net

Pescadores em busca de aventura

Para uma aventura no rio Xingu, Ataualpa Catalan convidou o pescador Kdu Magalhães, do Rio de Janeiro, e outros amigos para passar o feriado pescando. Magalhães já bateu vários recordes no rio Xingu, que foram homologados pela IGFA. Eles devem ficar por lá pelo menos uma semana. E lá tem muito peixe!

"Estou saindo com um grupo de amigos para o rio Araguaia, mais precisamente na região do Alto Araguaia. Uma experiência nova em termos de pescaria. Voltaremos sábado que vem, se os índios colaborarem.....(risos).

Vamos em apenas cinco pescadores, eu, Dr. Helder, (pediatra), Wagner (Torrão) do clube dos jipeiros, Ziltão e o Edivaldo (Dep. Sem Limites). Quando voltar, darei notícias.

Até lá!"

Engenheiro e pescador Paulo Prebianchi (esta veio por e-mail)

A Equipe Peixe Livre também está de malas prontas para seguir viagem. o grupo de 21 pescadores (mais dois mascotes) partiram ontem com destino ao rio Miranda, na Ponte do 21. Na turma: Zé da Barca (do programa "A hora do pescador", na 710 FM), Edson Manzini, Luiz Antônio e Tiago Brizzi, José Luiz Tuchê, Nelson Coquinho, Toninho do Bar, Ronaldo José Ruiz, José Antônio e Waldemar Basques de Botucatu, Aparecido Góes da Silva (Pelé), Hamilton da AGT, Demir Góes, José de Paula, Celso Freitas, Minutti da CPFL, Edenir (Zizo), Adalto, Ditinho, João Dota, Dagoberto e os dois mascotes: Rafael Guedes da Silva, 10 anos, e Alex Manzini, 12 anos. A Equipe Peixe Livre vai ficar hospedada (que mordomia!) na Pousada e Camping Morada do Sol, do bauruense Tavares.

Vamos ver o que essas turmas vão trazer de peixes. Tudo dentro da medida e na quantidade permitida. A gente fica por aqui, esperando novos causos e fotos dos pescadores. E boa pescaria!

Troféu pescador

Edson (City Imobiliária) Zé da Barca e Luiz Antônio Brizzi (Ipem) tiveram muito sucesso na pescaria em Porto Murtinho, realizada em março para o programa "A hora do pescador". As cacharas foram escolhidas como troféu pelos pescadores.

Comentários

Comentários