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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Apócrifos contra Tobias levam ex-tesoureiro do PMN à polícia

Texto: Nélson Gonçalves

O Plantão Policial voltou a ser palco de fato eleitoral nesta campanha. A Polícia Militar, através do Tático Sul, conduziu até a Polícia Civil, ontem à noite, o mototaxista Francisco Fernandes Ribeiro, ex-tesoureiro e membro do PMN. O mototaxista está sendo acusado de atuar na distribuição de apócrifos (panfletos com acusações sem identificação do autor) contra o candidato Pedro Tobias (PDT). Francisco Fernandes Ribeiro era, até perto de junho deste ano, tesoureiro do PMN e membro da Comissão Provisória do partido, que pertence

à coligação Mais Bauru, que apóia Tuga Angerami (PSB) como candidato a prefeito.

Os apócrifos traziam críticas ao candidato a prefeito Pedro Tobias (PDT), contendo relações políticas entre ele e o PSDB, em um panfleto. Em outro, o apócrifo explora a informação de que Tobias iria aumentar em 40% o IPTU dos imóveis irregulares. (O fato foi lançado pelo programa de televisão de Nilson Costa na TV e desmentido pela aliança Viva Bauru). Francisco Fernandes Ribeiro foi surpreendido por uma equipe do Tático Sul, no centro da cidade.

O mototaxista, membro da associação da categoria, foi pego com cerca de 500 panfletos contra Pedro Tobias (PDT). O PM Willian Carlos Vieira, do Tático Sul, explicou que foi chamado para checar denúncia feita junto à Polícia, de que haveria flagrante contra a distribuição de apócrifo por parte de simpatizante da campanha de Tuga Angerami (PSB). O Tático Sul mencionou que se dirigiu ao centro e identificou o mototaxista Francisco Fernandes Ribeiro com farto material de panfleto.

O Tático Sul disse que o mototaxista alegou que não iria distribuir os panfletos, mas teria sido chamado para fazer cópias do material, por um senhor, no ponto de serviço. A mesma versão foi dada por Francisco Fernandes Ribeiro

à Polícia Civil, para onde foi conduzido. No plantão policial estavam, além do Tático Sul, assessores de campanha de Pedro Tobias e a equipe de televisão.

O mototaxista se negou a gravar entrevista com a equipe de TV da aliança Viva Bauru. Para a reportagem, Francisco Fernandes Ribeiro negou que fosse filiado a um partido político. Em seguida, entretanto, ele confirmou que foi filiado ao PMN e foi tesoureiro do partido. O PMN faz parte da aliança Mais Bauru, que apóia Tuga a prefeito. Francisco Ribeiro disse que não conhece o "senhor que foi até o ponto do mototáxi, na Agenor Meira, e pediu para tirar 500 cópias do papel. Eu não sei o que tem no conteúdo, ele levou lá o material. Este senhor me deu R$ 30,00, para descontar a corrida e tirar 500 cópias, por volta das 17h30". O mototaxista encerrou a entrevista neste momento, alegando que estava sendo filmado pela equipe de TV da aliança Viva Bauru.

O presidente do PDT, Marcelo Borges, acompanhou toda a movimentação no Plantão Policial. Borges disse que a coligação requisitou a polícia para fazer o flagrante ao ser informado sobre o material. "Nós soubemos que iria ser distribuído mais esse material, que não é o primeiro. É uma coisa orquestrada, de uma pessoa de um partido ligado ao Tuga Angerami. A gente já sabia, agora o flagrante trouxe o caso a público. Foram vários apócrifos, um específico para o Geisel, um sobre a família Tobias, um para os mototaxistas e agora tinha mais dois apócrifos. Era uma sequência e para distribuir teria que ter um esquema organizado. O rapaz do PMN é da presidência da Associação dos mototaxistas, uma estrutura de apoio para distribuição rápida à noite", disse.

Marcelo Borges criticou que "o rapaz é ligado ao Tuga, está na aliança e faz campanha para o Tuga. É uma pena que eles queiram fazer críticas às escondidas. Querem criticar, tudo bem, mas é lamentável essa atitude. É um desespero do candidato derrotado. A crítica, o partido, o candidato, o grupo deve assumir ela, não fazer com apócrifo. Assume e faz a crítica, na televisão. Não tem coragem de assumir a crítica e usa essas pessoas".

O mototaxista prestou informações junto ao delegado de plantão, Adilson Carlos Vicentini Bantanero. Em seguida, Francisco Fernandes Ribeiro foi liberado. O delegado comentou que o fato não leva à prisão em flagrante, com base na lei eleitoral. A documentação e o material apreendido serão agora encaminhados ao juiz eleitoral, Horácio Furquim Guanaes, para análise. Se o fato tipificar crime eleitoral a pena pode ser de dois meses de detenção, em caso de representação.

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