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Infertilidade

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Infertilidade pode ter solução acessível

A infertilidade não tem classe social. Porém, no Brasil, somente os casais bem informados conseguem resolver o problema e realizar o sonho de se tornarem pais. Nem todos os casais com problemas de infertilidade necessitam de técnicas sofisticadas de reprodução assistida. Esta é a opinião do mestre em ginecologia e obstetrícia pela FMUSP e diretor do serviço de Esterilidade Conjugal do Centro de Referência da Saúde da Mulher do Hospital Pérola Byiton, São Paulo, Artur Dzik. O médico esteve em Bauru, no último dia 24, fazendo uma palestra para ginecologistas da cidade e região, na sede do Gestar- Centro Laboratorial de Reprodução Humana.

Uma alternativa para casais que têm dificuldades de engravidar, segundo Dzik é fazer ciclos de fertilização in vitro com ciclos naturais, sem medicação. "Com pacientes mais jovens, podemos obter um óvulo de boa qualidade. Na literatura há registros de taxas de gravidez bastante razoável para esse grupo de pacientes que não podem pagar uma indução de ovulação".

O ginecologista destaca que além dessa, existem outras alternativas. "É preciso deixar bem claro que não são todos os casais com infertilidade conjugal necessitam de técnicas sofisticadas de reprodução assistidas. A fertilização in vitro, a micro manipulação

é como se fosse a ponta de uma pirâmide. Os ciclos de coito programado, ciclos com indutores da ovulação, ciclo de inseminação intra-uterina têm custo mais acessível."

Para ele, falta vontade política para tornar o tratamento de infertilidade acessível a população de baixa renda. "Falta vontade política, falta organização a nível governamental. Nós já provamos que

é possível. No Hospital Pérola Byiton atendíamos a população carente a custo zero para as pacientes. Chegamos a fazer 500 ciclos de FIV por ano. Talvez não seja prioridade de saúde pública," arrisca.

Na opinião de Dzik, o que encarece o tratamento são os custos dos materiais utilizados nos tratamentos. "Todo o material é importado e o preço deles dobrou nos

últimos dois anos, com a valorização do dólar. A medicação é uma parte importante do tratamento e representa 1/3 dele."

Embora no Brasil ainda não exista uma legislação específica, o comércio de gametas é proibido, adverte o mestre. "Ou seja, é proibido a mulher vender

óvulos e o homem vender espermatozóides. Não

é ético vender óvulos e espermatozóides. Os bancos de sêmen, teoricamente, têm que trabalhar com doação espontânea. As pacientes que precisam de ciclos de ovulação também não podem vender os seu óvulos, esses óvulos são patriarcados de outras pacientes."

Unidade móvel para fertilização in vitro

Inspirado numa idéia francesa, o mestre Artur Dzik montou uma unidade móvel de fertilização in vitro. Batizada de Transfert (aquela que transporta fertilidade), a unidade móvel é na verdade um laboratório montado em um furgão Mercedes Benz. Em atividade deste 95, na região da grande São Paulo, a unidade já computa 50 casos em 40 pacientes. Dos 50 ciclos, ocorreram 13 gestações.

A idéia, segundo o esterileuta, é democratizar o acesso a esse tipo de tecnologia. "Teoricamente é restrito aos grandes centros, agora tem o Gestar em Bauru. A idéia

é poder oferecer este tipo de tecnologia a lugares mais distantes. Uma das grandes complicações é a paciente se locomover aos grandes centros. O médico não encaminha por medo de perder a paciente, ou porque a pacientes tem dificuldade em se locomover."

Totalmente adaptada para o trabalho de fertilização in vitro, a unidade móvel se desloca até a clínica ou hospital dotada de centro cirúrgico estéril.

"O médico da paciente faz a coleta dos óvulos que são levados numa estufa até o laboratório da unidade móvel para a fertilização. Em seguida, os embriões resultantes voltam para o centro cirúrgico e são implantados na paciente."

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