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Chuvas

Paulo Toledo
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Chuvas animam produtores rurais

Texto: Paulo Toledo

As chuvas que vêm caindo na região de Bauru animaram os produtores rurais, que estão contando com a possibilidade de iniciar antecipadamente a preparação da terra para o plantio da safra 2000/2001, além de ocorrer a recuperação das pastagens para o gado, evitando mais prejuízos para o setor.

Para se ter uma idéia, até segunda-feira, informou Luiz César Demarchi, engenheiro agrônomo da regional de Bauru da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), já havia chovido 91,8 milímetros

(mm) na cidade de Bauru, numa média de 8,3 mm por dia. Em 1998, melhor ano desde 96, os 155 mm representaram uma média diária de 5,17 mm. Se o ritmo continuar, a projeção

é de que o índice de Bauru, em setembro, fique próximo a 250 mm. Na região, o índice pluviométrico registrado pela Cati, até segunda-feira, já passava de 100 mm, em algumas cidades.

Demarchi acredita que a grande beneficiada é a pecuária. De acordo com ele, em setembro, há uma tendência de aumento de temperatura que, combinado com a terra molhada, favorece a produção de forragem, o pasto próprio.

O agrônomo diz que, se não estivesse ocorrendo as chuvas, a produção de leite e carne poderiam passar por problemas maiores. Neste ano, a situação vai ser amenizada. Os meses entre setembro e março, quando a temperatura é alta e o período é chuvoso, são considerados ideais para a pecuária. No ano passado, a entressafra foi muito mais difícil, pois de setembro a novembro faltou a chuva. "Na época de acúmulo, tivemos o início da produção. Praticamente não houve acúmulo de forragem. Em abril, parou de chover. A produção que poderia ter em abril e maio não ocorreu. Então, foi um ano que produziu muito pouca forragem", afirmou.

O engenheiro diz que a cana-de-açúcar que já foi cortada inicia o desenvolvimento, o que poderá gerar uma produção maior do que a da última safra, porque, no ano passado, as chuvas só vieram tardiamente. As culturas permanentes, como o café e a laranja, que florescem nesta época, também são beneficiadas.

Demarchi disse que a chuva favorece a preparação da terra para o plantio da nova safra, o que acaba sendo fundamental para projeção de bons resultados.

Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e vice presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), diz que as chuvas anteciparam as compras de adubos e outros materiais utilizados para o preparo da terra. Segundo ele, isso possibilita um maior otimismo, principalmente em função de alguns tipos de culturas estarem com preço bom.

Ele lembra que as chuvas provocam um efeito psicológico na pecuária, de que a seca está no fim, gerando procura de bezerros e um incentivo para comercialização do boi gordo, que o pecuarista poderia pensar em segurar um pouco mais para obter melhor preço. Além disso, elimina o risco de fogo nos pastos.

Lima Verde destaca que a chuva veio no começo de setembro, quando o normal tem sido a chegada no final deste mês, o que deve provocar otimismo, a não ser que as chuvas cessem.

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