CPFL admite erros e manda diretores para solucionar
Texto: Paulo Toledo
Os problemas enfrentados pelos consumidores e pela Prefeitura com o atendimento dispensado pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), relatados pelo Jornal da Cidade nas edições de terça e quarta, trouxeram a Bauru, ontem, dois diretores da Paulista, que buscaram amenizar as dificuldades. Oswaldo Benedito Feltrin, diretor Comercial, e Hélio Viana, diretor de Distribuição, negociaram pessoalmente para tentar resolver o acúmulo de problemas que vieram a público nos últimos dias.
Viana esteve na Prefeitura para uma negociação sobre a extensão da rede de energia para bairros carentes dessa infra-estrutura e ampliação da iluminação pública. Uma decisão favorável, principalmente aos moradores do Jardim Manchester, foi o fato da Paulista ter concordado em realizar os estudos para implantação, mesmo com a dívida de aproximadamente R$ 1,6 milhão da Tarifa de Iluminação Pública (TIP) que a Prefeitura tem.
Para realização do orçamento foi feita uma parceria na qual o município vai ceder um eletrotécnico para auxiliar nos projetos. As ligações para o Manchester, Parque das Nações e outros pontos isolados serão estudadas e orçadas para o município, para uma decisão sobre a realização ou não das obras.
Braz Melero, assessor de Gabinete da Prefeitura, disse que serão acertados, também, projetos para a remoção de redes necessárias para mudanças do sistema viário, como nas avenidas José da Silva Martha e Getúlio Vargas.
Viana destacou que, para ampliação da iluminação pública, será feita uma revisão do planejamento para a cidade, para tentar obter verbas provenientes do Plano de Segurança do Governo Federal.
Em relação à dívida existente, foram abertas negociações para que possa ocorrer a quitação do valor. Melero disse que o fato da Paulista ter desvinculado a dívida das obras não significa que o município está deixando de lado os estudos para pagamento.
R$ 25 mil
Feltrin disse que ficou constatado que houve erro de leitura na conta residencial do consumidor Daniel Gustavo Garbelini, que gerou uma conta de R$ 25.618,80, valor que foi debitado em sua conta corrente, no dia 9 de setembro. O próprio diretor classificou a cobrança como "absurda".
De acordo com o executivo, ontem mesmo, fez questão de telefonar para Garbelini para comunicar que a Paulista estava reembolsando os R$ 25.618,80 da conta cobrada indevidamente e debitada em sua conta bancária, mais R$ 76,80, referentes
à CPMF e R$ 278,00 de juros cobrado pelo banco, num total de R$ 25.973,66. Feltrin destacou que esses valores haviam sido apurados pelo banco. O crédito deveria ser feito ontem. Porém, até o início da noite não havia sido creditado na conta de Garbelini.
Feltrin disse que o "call center" foi implantado com o objetivo de melhorar o atendimento. Atende, no funcionamento ininterrupto, cerca de 25 mil chamadas por dia, que vêm de toda área de concessão da empresa. Porém, mostrou-se surpreso com o fato dos consumidores reclamarem que não conseguem completar as ligações e disse que vai realizar um trabalho de checagem para tentar identificar o problema. O diretor disse que a intenção é buscar depurar os possíveis defeitos de atendimento existentes.
Imobiliárias
Feltrin também esteve com parte da diretoria da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba) para conhecer de perto os problemas enfrentado pelas imobiliárias de Bauru, que vêm reclamando do mau atendimento proporcionado pela Paulista.
De acordo com ele, os processos serão revistos e as providências necessárias serão tomadas. O executivo revelou que a atual direção da Paulista desconhecia o atendimento especial informatizado que as imobiliárias de Bauru contavam, implantado desde o período em que a empresa era estatal. Segundo ele, o sistema de informática será enviado pela Aciba para a central de Campinas e, inclusive, poderá ser aproveitado em toda sua área de concessão. "É uma coisa boa que tem de ser aproveitada", afirmou.
Fernando Pegorin, presidente da Aciba, que iniciou a reunião lamentando que somente agora, depois do assunto ter se tornado público, a CPFL tenha resolvido ouvir os problemas que vêm ocorrendo, ressaltou que a intenção é reativar a parceria que existia com a Paulista, que é importante para ambas as partes.
Pegorin destacou que o diálogo só foi possível graças ao trabalho realizado pelo Jornal da Cidade, que deu eco aos problemas enfrentados pelos consumidores. Ele disse esperar que, agora, possam ser dadas soluções para os problemas. "Não queremos manter o ter qualquer atrito com a CPFL", disse.