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Josefa Cunha
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CEF retoma crédito para construção

Texto: Josefa Cunha

A Caixa Econômica Federal (CEF) voltou a operar com o Construcard, linha que disponibiliza crédito para a aquisição de materiais de construção destinados a imóveis residenciais urbanos. O produto foi lançado há dois anos, mas esteve suspenso nos últimos seis meses em razão do contingente de prioridades da CEF. Apesar de ser um empréstimo voltado à demanda do setor de construção civil, o Construcard não possui vínculos com o Sistema Financeiro da Habitação.

O gerente de mercado do Escritório de Negócios da Caixa em Bauru, Alberto José da Silva, explicou que o Construcard visa atender à classe média, exigindo dos interessados renda mínima pessoal e comprovada superior a 12 salários mínimos - R$ 1,8 mil. Para ter acesso ao produto, também

é preciso que o contratante seja cliente ou que abra uma conta na CEF.

Depois de aprovado, o contratado recebe um cartão que funciona como qualquer outro, só que as compras são exclusivas para materiais de construção. No momento de contrair o produto, o cliente é obrigado a pré definir o prazo de aquisição, sendo que o período de compras e de amortização da dívida não pode ultrapassar 24 meses. "Se a pessoa decidir fazer as compras em três meses, ela terá os outros 21 para pagar o financiamento. Caso estabeleça seis meses, terá apenas 18 para quitar a dívida, e assim por diante", explicou Silva.

O valor mínimo do Construcard é de R$ 1 mil, sem limite para o máximo, que é definido de acordo com a capacidade de pagamento comprovada através da renda salarial. Os juros cobrados na operação são de 1,9% ao mês mais a variação da TR, que eleva o percentual à casa dos 2,5% mensais.

No período de vigência anterior, o Construcard operou com 35 lojas de materiais de Bauru, um número pequeno, na opinião de Silva, se comparado ao potencial populacional da cidade. Nesta nova fase, porém, a expectativa é de que pelo menos 100 estabelecimentos se credenciem na CEF para atender à clientela. "Já mantivemos contatos com os gerentes de nossas cinco agências para que procurem as entidades representativas do setor, como Associação Comercial, no sentido de que haja um incentivo à participação das lojas de construção. Para esses estabelecimentos, o recebimento é garantido, feito diretamente pela CEF após a compra", esclareceu.

Em Bauru, ainda estão em vigor 53 contratos do Construcard, num total contratado de R$ 715 mil - saldo devedor médio de R$ 13,5 mil por contrato. Na região, são 181 operações, somando cerca de R$ 2,3 milhões financiados. A CEF não dispõe de números isolados sobre a inadimplência local do Construcard, mas informa que o percentual é de 2,4% em toda a região compreendida pelo Escritório de Negócios de Bauru.

Crédito popular

Para a faixa da população que possui renda salarial de até 12 salários mínimos, a CEF mantém a linha de crédito Material de Construção, que oferece juros mais baixos e praticamente as mesmas oportunidades de financiamento. Esse produto estabelece prazo de até oito anos para amortização do financiamento, com juros anuais que não podem ultrapassar 8%. Numa conta superficial, levando em conta a variação da TR, pode-se afirmar que o contratante dessa linha paga menos de 1% de juro ao mês.

Construção civil em Bauru permanece desaquecida

Ao contrário do que vem ocorrendo na Capital, o setor da construção civil em Bauru continua estabilizado em poucas atividades. Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores do setor, não há nenhuma grande obra em andamento na cidade, o que torna inalterado o número de postos de trabalho ocupados. "O que temos hoje, em Bauru, são obras menores públicas e do setor privado, como a construção de escolas municipais e prédios para a Telesp Celular. Continuamos computando cerca de 9.500 trabalhadores empregados aqui na cidade e outros 11 mil, na região", calculou Cláudio da Silva Gomes, presidente da entidade sindical.

A fase de estagnação, porém, já dá espaço para perspectivas mais positivas a partir do próximo ano. As obras do grupo Savoy, que deverá erguer uma estrutura de interligação com o Bauru Shopping, e a ampliação da rede Paulistão de supermercados são as principais fomentadoras dessas expectativas. Gomes espera que os futuros empreendimentos absorvam, pelo menos, 10% dos trabalhadores que hoje se encontram sem emprego.

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