Geral

Tortura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia Civil de Jaú é acusada de tortura

Texto: Adilson Camargo

Após denúncia, supostamente feita por um policial civil, vários objetos da Cadeia Pública e da Dise foram apreendidos

Uma denúncia de que policiais civis de Jaú estariam torturando presos dentro da Cadeia Pública da cidade deixou toda a corporação da Polícia Civil numa situação bastante desconfortável. Com base nessa denúncia, a juíza corregedora de Jaú, Elaine Storino Leoni, juntamente com o promotor Carlos Alberto Jonson, fizeram uma busca no local e também nas imediações do plantão permanente da Polícia Civil.

O fato acabou provocando a indignação do delegado seccional de Jaú, Benedito Antônio Valencise. Ainda mais quando soube que a denúncia teria partido de dentro da própria corporação.

De acordo com informações prestadas ontem à noite, pelo delegado, ao Jornal da Cidade, a juíza teria apreendido, anteontem, na Cadeia Pública da cidade, dois comprimidos habitualmente usados para aliviar dores de cabeça, um pedaço de arame que, segundo o delegado, era usado para desentupir a rede de esgoto e uma arma, que pertencia a um carcereiro. Sobre a arma, Valencise não soube dizer se ela estava regularizada ou não. "Isso nós vamos apurar. Se a arma estiver irregular o carcereiro irá ser responsabilizado por isso." Após as apreensões feitas na Cadeia Pública, a juíza e o promotor foram à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), e lá apreenderam um motor pequeno, que segundo o delegado, era usado para carga e recarga de armas de fogo e uma cadeira de ferro, comum em bares. Ontem, a juíza e o promotor teriam voltado à Dise no período da tarde, sem comunicação prévia, e fizeram novas apreensões. Entre os objetos apreendidos estavam um garrafão de vinho, duas garrafas de cachaça, sendo uma vazia e a outra pela metade. Foram apreendidos, ainda, uma mangueira que, segundo afirmou o delegado, era usada para colocar combustível nas viaturas, um espeto e um cabo de vassoura. "Eles entenderam que aquilo seria material de tortura. Isso não tem nada a ver com nada. Nós não precisamos torturar ninguém para fazer o nosso trabalho. Trabalhamos de forma transparente e, acima de tudo, somos honestos no que fazemos", afirmou o delegado Valencise, num tom um tanto indignado.

Não bastassem as apreensões feitas, Valencise disse que anteontem, durante sua ausência - ele estava em São Paulo participando de um curso - o promotor teria ido além e desmerecido a corporação, durante comentários. A juíza também teria aproveitado a ocasião para emitir sua opinião, expondo de maneira pejorativa o trabalho dos policiais. "Eu faço questão de repudiar essas afirmações, porque na verdade nós fazemos um trabalho honesto, a Polícia Civil de Jaú não é corrupta. É um pessoal que se dedica, que trabalha e não precisa de prática de tortura", esbravejou o delegado.

"Pelo trabalho que nós estamos desenvolvemos em Jaú não aceitamos essas acusações de tortura, feitas talvez por um policial descontente com alguma medida da administração, que não o agradou, ou por traficantes que estão presos".

A cadeia pública de Jaú tem hoje mais de uma centena de presos. Valencise garantiu que se souber de alguma prática parecida entre os policiais civis ele irá apurar o caso com severidade. O delegado disse que vai instaurar uma sindicância para apurar se a denúncia partiu mesmo de um policial.

"Se alguém da corporação estiver realmente envolvido nós iremos ouvi-lo e queremos que ele confirme suas acusações." De acordo com o delegado, a Polícia Civil de Jaú não pode aceitar, em hipótese alguma, qualquer tipo de acusação contra a corporação e ficar calada. Segundo ele, a honra e o trabalho da instituição está acima de tudo. A reportagem do Jornal da Cidade tentou entrar em contato com a juíza e o promotor, ontem à noite, mas não obteve sucesso. O Fórum já havia encerrado seu expediente.

Comentários

Comentários