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Serviços de Energia

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Conselho quer Comissão Municipal de Serviços de Energia

Texto: Patrícia Zamboni

Plenária realizada em Bauru teve como objetivo principal mobilizar a população a lutar pelos seus direitos e não se deixar ser ainda mais lesada

A criação de uma Comissão Municipal de Serviços Públicos de Energia Elétrica é considerada de total urgência, por sindicalistas, para que a população não sofra ainda mais com a privatização desses serviços. A afirmação foi feita pelos coordenadores da 1ª Plenária do Conselho de Administração das Empresas Energéticas do Estado de São Paulo, Artur Henrique da Silva (presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas), Manoel Viegas Neto (Sinergia-CUT), Francisco Wagner Monteiro, o Chicão (membro do Conselho) e Jesus Garcia

(diretor licenciado do Sinergia - CUT em Bauru).

Esse foi um dos principais temas discutidos durante a plenária, realizada ontem, além das discussões sobre a privatização da Cesp, a reestruturação do setor energético e a unificação do sistema de transmissão de energia.

"A população precisa enxergar a energia elétrica como um serviço público, porque mesmo depois da privatização, continuará sendo assim. Os consumidores precisam lutar pelos seus direitos, que estão garantidos pela Constituição, e cobrar das empresas. O discurso que o governo sempre fez, dizendo que a privatização iria resolver tudo, em todos os setores, está sendo totalmente desmentido. Agora, é a população que está pagando caro por isso", disse Chicão.

Jesus Garcia observou que os constantes aumentos na tarifa de energia elétrica e a retirada de uma grande parcela da população da tarifa de baixa renda têm causado diversos transtornos e, até mesmo, acidentes, às famílias carentes. "Muitas famílias estão recebendo contas de energia muito altas por terem sido excluídas da tarifa de baixa renda e não conseguem resolver o seu problema ligando para a central de atendimento da CPFL. O resultado

é o não pagamento das contas, o corte de energia e a volta do uso do lampião a gás. Isso é absurdo. Por causa disso, barracos já foram incendiados e crianças foram machucadas", exclama.

Garcia citou, ainda, que os moradores do Jardim Manchester e do bairro Santa Terezinha não contam, nem mesmo, com rede secundária de energia. "Os moradores desses bairros simplesmente não têm iluminação pública, nem mesmo rede secundária. A Prefeitura acusa a CPFL, e vice-versa, e ninguém resolve nada. A Comissão Municipal de Serviços Públicos de Energia Elétrica

é fundamental para que se consiga mudar essa situação de total descaso que se apresenta", ressaltou Garcia.

Manoel Viegas Neto "condenou" a cobrança opcional do seguro que a CPFL começou a enviar aos usuários após a privatização. "A maioria das pessoas, principalmente as mais humildes, não sabe que

é opcional e acaba pagando. Isso pesa no orçamento das famílias de baixa renda. Além disso, existe uma portaria da própria Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que proíbe a cobrança de seguro. Se um televisor for queimado por conseqüência de um raio, por exemplo, a empresa é obrigada a ressarcir o consumidor, e a maioria das pessoas não sabe disso e não luta pelos seus direitos. A população precisa se mobilizar contra tudo isso para não ser mais lesada, como está sendo", ressaltou Viegas Neto.

Chicão lembrou que, para novembro, já está marcado o calendário de privatizações. "Se nada de anormal acontecer no calendário, a Cesp - maior empresa de geração de energia do País, que engloba as usinas do Paraná - vai ser privatizada em meados de novembro. Quando isso acontecer, a geração de energia vai ficar nas mãos do capital, além da empresa distribuidora de energia, no caso, a CPFL de Bauru. Num futuro próximo, a privatização vai atingir o setor de transmissão. As duas empresas desse setor, a EPTE e a Ceterp, já estão em processo de unificação. Isso também vai gerar problemas para os consumidores", analisa Chicão.

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