Desespero toma conta do organismo
Texto: Fabiana Teófilo
Uma crise de pânico é uma das situações mais angustiantes que podem ocorrer a alguém. A maioria das pessoas que tem uma crise terá outras (se não tratar). Quando alguém tem crises repetidas ou se sente muito ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem Transtorno do Pânico (TP), que é um problema sério de saúde.
Esse distúrbio é nitidamente diferente de outros tipos de ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes e, freqüentemente, incapacitantes. De acordo com o médico psiquiatra Wilson Siqueira, depois de ter uma crise de pânico, por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador, a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) dessas situações e começar a evitá-las.
"Gradativamente, o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais que a pessoa com o Transtorno do Pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo colocar o pé fora de casa", disse Siqueira.
De acordo com Siqueira, o sistema de "alerta" normal do organismo - o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça - tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente.
Há uma participação importante de um fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o TP. Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem esse transtorno não têm nenhum antecedente familiar. Siqueira explicou que o cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios
(células do sistema nervoso). Essas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo
(andar, pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na produção desses neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Isso é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que, na realidade, não existe. No caso do Transtorno do Pânico, os neurotransmissores que encontram-se em desequilíbrio são a serotonina e a noradrenalina.
Problema sério
O TP já é considerado um problema sério de saúde. Atualmente, 2% a 4% da população mundial sofrem desse mal, que acomete mais mulheres do que homens em uma proporção de três para um. Há muito que o TP deixou de ser um diagnóstico de exclusão. As pessoas que sofrem desse mal costumam passar por diversos especialistas médicos e após uma quantidade exagerada de exames complementares recebem, muitas vezes, o patético diagnóstico do "nada", o que aumenta insegurança e desespero. Por vezes, essa situação dramática é reduzida a termos evasivos como estafa, nervosismo, estresse, fraqueza emocional ou "problema de cabeça". Isso pode criar uma incorreta impressão de que não há um problema de fato e de que não existe tratamento para tal patologia.
O TP é real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave.
As pessoas que têm o TP, em sua maioria são jovens
(faixa etária de 21 a 40 anos), que encontram-se na plenitude de suas vidas profissionais.
Sintomas clássicos
Calafrios, confusão mental, despersonalização, desconforto abdominal, distorção da realidade, dor ou desconforto no peito, falta de ar, fechamento da garganta, formigamento, medo de morrer, medo de enlouquecer ou de cometer ato descontrolado, náuseas, ondas de calor, palidez, palpitações ou taquicardia, sudorese, vertigem ou sensação de desmaio.
Outros sintomas
Acordar sobressaltado, atordoamento, boca seca, cabeça pesada, contrações musculares, extra-sístoles, flatulência (formação de gases), intestino solto, irritabilidade, metabolismo acelerado, pés e mãos gelados, rubor facial, sede constante, urinar com freqüência, zumbido no ouvido.
Predisposição
Dificuldades de se relaxar, estresse constante, herança genética, incidência é maior nas mulheres, perda súbita de suportes sociais, perdas abruptas de familiares, perfeccionismo, pessoas ansiosas, portadores de Prolapso da Válvula Mitral, separação dos pais e tensão constante.