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Pânico

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Pânico

Cerca de 2,5 milhões de brasileiros sofrem de Transtorno do Pânico

Texto: Fabiana Teófilo

Medo de morrer ou de ficar louco, dores no peito, desespero incontrolável, sudorese, tremor, taquicardia, calafrios e rubor são algumas das características de um ataque de pânico. As pessoas que sofrem desse mal explicam que a vida muda depois da primeira crise e o medo toma conta de suas mentes

A reação de pânico é uma reação normal a circunstâncias específicas de ameaças graves e repentinas que ponham a integridade ou a vida em risco, exigindo da pessoa uma rápida reação física e mental para enfrentar a situação que subitamente se apresentou. O Transtorno do Pânico (TP) existe quando essas funções, consideradas normais, são disparadas sem necessidade ou motivo suficiente fazendo com que a pessoa sofra uma ansiedade crônica.

O ataque de pânico é como um ataque epilético: súbito, violento, curto e repetitivo. Por conta dessas semelhanças, já se pensou tratar-se de uma forma de epilepsia, mas estudos já comprovaram que não

é. Um ataque de pânico dura tipicamente dez minutos, podendo o estado residual de ansiedade pós-crise durar horas. Nesses minutos de crise, o paciente experimenta interiormente medo de morrer, medo de fazer algo descontroladamente, medo de enlouquecer naquele momento, sensação de desmaio iminente, sensação de estranheza em relação a si próprio, como se estivesse sonhando ou saindo de dentro do próprio corpo e flutuando sobre si mesmo. Corporalmente, sente a respiração difícil, acelerada e curta, sensação de sufocação, tonteiras, zumbidos, coração acelerado, tremores, calafrios ou ondas de calor, sudorese abundante, enrubescimento ou palidez, dor ou desconforto no peito e náuseas ou dores abdominais.

Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver o Transtorno do Pânico, basta que tenha uma predisposição genética a esse distúrbio e que esteja sob pressão de agentes estressantes. Considerando que nos dias de hoje a violência, o desemprego, a corrupção e a falta de perspectiva de dias melhores já tomaram conta dos noticiários, fica difícil não se sentir estressado ou tenso. Por outro lado, ninguém sabe se tem ou não essa predisposição genética, o que torna toda pessoa passível em desenvolvê-lo.

O Instituto Nacional de Saúde estima que pelo menos 2,5 milhões de pessoas possam estar sofrendo de Transtorno do Pânico no Brasil. Aparentemente um mal do fim do século XX, a síndrome sempre existiu, mas só começou a ser pesquisada profundamente e tratada, há alguns anos. Ligada diretamente à ansiedade, a síndrome tem se espalhado em todos os lugares, sexos e idades. A criação correta dos filhos desde pequenos pelos pais é muito importante para que o Transtorno do Pânico não se manifeste mais tarde. Geralmente, a síndrome se manifesta pela primeira vez no final da adolescência, embora existam casos registrados em crianças e alguns poucos em idosos. As mulheres têm o dobro de probabilidade de sofrer da síndrome, enquanto muitos homens que sofrem desse distúrbio escondem-se atrás do álcool e de outras substâncias numa tentativa de aliviar os sintomas, já que, culturalmente, o medo é mais aceitável para as mulheres.

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