Mulher é modelo na nova economia
Texto: Gustavo Cândido
Depois de ocupar seu espaço no mercado de trabalho, a mulher está indo mais longe e deve, no próximo século, assumir a posição de modelo no mercado de trabalho. Detalhe: não só para as próprias mulheres, mas também para os homens.
Os efeitos dessa tendência já se apresentam atualmente. Segundo a psicóloga e consultora organizacional Maria José Conde Cortez o mercado de trabalho hoje está buscando cada vez mais o "lado feminino", o que não quer dizer que seja uma procura por mulheres, "o homem tem de aprender a ser mais feminino", diz Maria José Conde Cortez. O "ser feminino" significa ser mais sensível, ter a capacidade de enxergar além do problema e ser mais intuitivo. A mulher tem esses atributos mais aguçados do que o homem por natureza e graças a eles tem avançado cada vez mais no mercado. De acordo com a psicóloga, essa necessidade pelo feminino é uma tendência mundial. O mundo está muito mais competitivo e agressivo e, conseqüentemente, mais estressante. Isso interferiu no comportamento das pessoas que passaram a ser mais pressionadas, "por isso existe uma necessidade muito grande de se entender mais das pessoas, da sua saúde mental e a mulher, até pelo instinto materno, tem bem clara essa necessidade e põe isso em prática", explica Maria José Conde Cortez.
Diferenças
Para a psicóloga Luciana Biem Neuber uma das características fundamentais no mercado de trabalho que difere o comportamento
masculino do feminino é que, no geral, a mulher tem um lado emocional mais forte enquanto o homem é mais racional. Por isso elas dialogam mais e são mais tranqüilas do que eles, que vão "direto ao ponto" para resolver os problemas. O sucesso - e conseqüente avanço - da mulher no mercado de trabalho se deu justamente porque ela conseguiu conciliar o seu lado sensível, com o lado prático masculino que ela teve de aprender. As seleções de pessoal passaram a exigir do candidato não só um conhecimento técnico, mas também desenvoltura, sensibilidade, simpatia e facilidade de comunicação, e a mulher se deu bem com isso.
Esse caminho deve se inverter agora e o homem é quem vai aprender com a mulher como ser mais "maleável". Para Maria José Conde Cortez os homens já estão avançando nesse aprendizado. "Eles perceberam que a mulher avançou por ter características como a intuição, por exemplo, e já sentiram a necessidade de mudar para não perder mais espaço", explica.
Na opinião do consultor de empresas, Carlos Roberto Sette, existe um novo modelo de profissional que deve inspirar a todos, que ele chama de "mulher ícone". Essa mulher está ligada nos avanços tecnológicos, é totalmente ligada na sua atividade profissional, que ela não vê como um fardo e sim como uma forma de realização. Ao mesmo tempo essa mulher é "aventureira" e não tem medo de se arriscar buscando sempre o melhor para si mesma e para a corporação para qual trabalha.
"Ela não é Deus, não é uma mulher biônica. Ela está determinada a fazer uma grande diferença", explica Sette.
Além disso, a "mulher ícone" aprendeu a tirar proveito da Internet. Ela envia o seu currículo pela rede e o mantém atualizado, é recrutada, estabelece negociações, é contratada e treinada via Internet. E seu envolvimento com a rede vai mais longe, ela desenvolve e realiza projetos pela Internet junto com parceiros virtuais
(alguns que ela nem conhece pessoalmente), gerencia sua carreira, constrói sua reputação na rede e monta o seu site pessoal. Enfim, é a mulher do futuro.
Ícone
Carlos Sette imagina como deve ser o dia-a-dia da "mulher
ícone" no futuro:
"Estamos em 2010. A "mulher ícone" está na sua casa. No momento - e nos próximos meses - está trabalhando para a Ford num problema de engenharia diabolicamente difícil. Mas não faz parte da folha de pagamentos da Ford, ainda que desfrute de todos os benefícios, mesmo como subcontratada. (No segundo mandato da Presidenta Hillary Rodham, saúde, aposentadoria e retreinamento deixaram de estar vinculados à empresa e passaram a acompanhar o indivíduo.)
Os 79 membros da sua equipe nesse projeto, apenas um dos quais chegou a conhecer pessoalmente (ela considera encontros cara-a-cara uma idéia pitoresca porém antiquada, mais ao gosto de sua mãe), estão espalhados por catorze países. Sua casa totalmente interconectada é o seu castelo. Após meia dúzia de reuniões virtuais pela manhã, ela faz a pausa regulamentar do IreT (Intervalo do ReTreinamento) e depois assiste a uma aula virtual de engenharia (dada sabe-se deus onde), parte de seu programa para obter um mestrado virtual on-line. Ela é totalmente dedicada à sua "carreira" faça-em-qualquer-lugar-com-qualquer-pessoa-que, aliás, ela mesma concebeu. Graças aos robôs de colarinho branco, ela pôde se livrar de 95% das atividades enfadonhas
... ao mesmo tempo em que agrega valor mantendo-se sempre à frente em seu jogo intelectual. O único tipo de segurança que conhece é o seu compromisso pessoal com o aperfeiçoamento contínuo e a sua reputação global (virtual) de trabalhar muito bem".