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Flúor

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Flúor demais pode ser prejudicial

Texto: Andréia Alevato

Tudo na vida tem o lado bom e o ruim. E o flúor não

é diferente. Ingerir muitas doses de flúor pode ser prejudicial, porque pode causar a fluorose.

A fluorose é um efeito colateral do flúor e atinge apenas crianças, entre as idades de 11 meses e 7 anos de idade, que ingerem muitas doses do produto por dia. A fluorose são manchas brancas que aparecem nos dentes.

"O flúor tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom

é que está mais do que comprovado que o flúor previne cáries. E o lado ruim é que o uso excessivo pode levar à patologia conhecida como fluorose dentária", explicou a professora de Bioquímica da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, Marília Afonso Rabelo Buzalaf.

Para evitar esse efeito colateral do flúor na criança, a melhor solução é evitar sua ingestão excessiva. A professora afirmou que o flúor é encontrado em várias fontes, desde a água que chega até as residências, até em alimentos. Por isso, a ingestão pode se tornar excessiva e levar à fluorose dental. O flúor pode ser encontrado na água do abastecimento da cidade, na pasta de dente, em peixes de água salgada, refrescos de guaraná e tangerina, nos refrigerantes de guaraná, nos leites achocolatados que já vêm prontos.

"O Toddynho foi um produto que chamou muita a atenção por ter esse alto índice de flúor. E se esse for um produto que for consumido regularmente por crianças pequenas, aumentam as chances delas terem fluorose dental", contou a professora da USP.

Os leites, em geral de caixinha, sem achocolatado, não apresentam esse problema de alto índice de flúor. Já a combinação de leite em pó com

água de abastecimento também eleva o índice de flúor. O ideal é que se use o leite em pó com água mineral ou usar um tipo de filtro com osmose reversa, que remove o flúor da água. Os pais também devem escovar os dentes das crianças com pastas de dente que tenham flúor, porque elas engolem a pasta.

Segundo a professora da USP, a criança não pode ingerir mais do que 0,07 miligramas de flúor por quilo de peso dela por dia.

"A dose excessiva de flúor será mais prejudicial para uma criança menor do que para a criança maior", completou a professora.

Para a professora e dentista, o ideal seria que os rótulos dos produtos informassem a quantidade de flúor presente.

"Se há um tempo atrás não era necessário ter essa preocupação, hoje é. As fontes de flúor tem aumentado muito e com isso o índice de fluorose também. Isso não acontece só no Brasil, mas no mundo todo. Antigamente, só se falava do efeito benéfico do flúor, que é a prevenção de cáries. Hoje, se fala também no efeito colateral que ele pode causar, que é a fluorose", afirmou.

O adulto nunca terá fluorose. A fluorose só acontece quando os dentes estão se formando. E a idade de risco

é entre 11 meses e 7 anos.

A partir dos 7 anos de idade, o flúor é preventivo.

Flúor é terapia adicional à prevenção

O flúor é uma terapia adicional importante para a prevenção de cáries, segundo dentistas.

De acordo com a dentista e professora de Odontopediatria da Universidade Sagrado Coração (USC), Solange de Oliveira Braga Franzolin, depois da higienização bucal, que deve começar a ser feita desde o bebê, o flúor

é um importante aliado para evitar cáries em crianças.

"Cem por cento da água de Bauru são fluoretadas. Isso é muito bom porque já estamos atingindo as metas da Organização Mundial de Saúde (OMS), que o CPO-D (índice de dentes permanentes cariados, perdidos e obturados) para crianças de 12 anos seja igual ou menor a 3. Em Bauru, já alcançamos esse objetivo. E a

água fluoretada é um dos fatores que ajudaram a chegar nesse objetivo", disse a professora.

Apesar do flúor ser um aliado importante, a higienização bucal adequada é fundamental.

"Mesmo que a criança não use flúor, quando a higienização bucal é feita de forma correta, a chance de ter cárie é pequena. Mas, como

é difícil fazer com que a criança faça a higienização corretamente, o flúor se torna um grande aliado", disse a dentista e professora da USP, Marília Buzalaf.

Para a professora Solange, os programas preventivos também contribuem para que as metas da OMS sejam atingidas.

"Todos programas preventivos são bons porque educam", concluiu Solange.

Evite cáries

Além da higiene bucal correta, uma dieta alimentar balanceada colabora na prevenção da cárie. Alimentos ricos em proteínas, sais minerais e vitaminas, encontrados nos legumes, verduras, carnes, leite e cereais, ajudam a evitar a cárie, que é produzida pelo acúmulo de placas bacterianas que se alimentam de restos de comida. Elas produzem um ácido que ataca os dentes, provocando um processo de descalcificação do esmalte.

A boa higiene bucal feita com o uso de fio dental e técnicas de escovação adequadas removem a placa bacteriana, evitando a cárie.

Mas o grande aliado na prevenção e no combate à cárie é o flúor, elemento químico naturalmente presente nas rochas, que é levado pelas águas e absorvido por alguns vegetais e peixes. Estudos comprovam que o flúor agrega-se ao esmalte dos dentes e os torna mais fortes, neutralizando a ação dos ácidos que provocam a cárie.

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