Vestibulando, não se afobe!
Texto: André Tomazela
Confira dicas de estudo dos professores de várias instituições de ensino de Bauru e saiba da programação dos cursinhos quanto a revisões e simulados
Estamos em contagem regressiva para os grandes vestibulares da três principais universidades públicas do Estado de São Paulo, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista
(Unesp). Não se afobe não, porque nesta fase final, você, vestibulando, vai precisar de muita calma e tranqüilidade. Se está estudando desde o começo do ano, não há porque entrar em desespero agora. Isso não vai adiantar.
Calma e tranqüilidade é a atitude recomendada por todos os coordenadores e professores de colégios e cursos para vestibulares de Bauru, ouvidos pelo JC. Segundo o diretor do colégio Interativo, Paulo Roberto Rossler Viegas, o aluno que vem estudando desde o início do ano precisa apenas manter o ritmo, sem ultrapassar os seus próprios limites. Para ele, um aluno que queira, por exemplo uma vaga numa faculdade de medicina, que é uma das mais concorridas, precisa, além de assistir às 5 horas e meia de aulas, pela manhã, complementar os estudos com plantões de dúvidas durante a tarde, o que soma cerca de 40 horas/aula por semana. "Os vestibulandos de medicina, por exemplo, dedicam cerca de 6 a 9 horas do seu tempo diário para os estudos", afirma.
Muita gente deixou para a última hora e quer, agora, correr atrás do tempo perdido. Para esses alunos, o diretor recomenda que estudem colocando como prioridades as disciplinas e temas que estão em deficiência. Todos os colégios e cursinhos vestibulares dispõem, para os "atrasadinhos", de cursos intensivos e revisões para as primeiras e segundas fases dos vestibulares das principais universidades públicas. Uma tendência verificada por Paulo é a grande procura ocorrida nos últimos anos pelas universidades públicas, principalmente pela Unesp, USP e Unicamp. "Raramente eu encontro uma pessoa que faz cursinho para entrar numa escola particular. Antigamente, muitos alunos afirmavam que queriam estudar em Bauru mesmo, fazendo uma faculdade particular. Isso mudou radicalmente em função dos preços altos das mensalidades das faculdades particulares", afirma o diretor.
Um exemplo de um aluno dedicado e persistente é o vestibulando de medicina, Paulo Moreira Fernandes. Ele faz cursinho há 3 anos, na tentativa de entrar para uma universidade pública. Neste ano, o resultado de tanto esforço já pôde ser comprovado pelo estudante. Ele foi aprovado no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para o curso de medicina, e não parou de estudar porque quer aprovação nos vestibulares da Unesp, USP e Unicamp. Segundo Paulo, o seu ritmo de estudo, até o meio do ano, foi bem acelerado. Depois das aulas matinais no cursinho, ele passava a tarde toda estudando as matérias do dia. Durante a noite, aprofundava as matérias estudadas à tarde e já resolvia os exercícios das aulas do dia seguinte. "Eu já chegava com os exercícios resolvidos e tirava todas as dúvidas durante a aula", afirma.
Essa metodologia de estudo pode ser uma dica para muita gente, afinal, como diz o próprio Paulo, o vestibular não
é um dia, mas sim, toda uma seqüência de atitudes que você toma no decorrer do ano e que, no final, você apenas colhe o resultado.
Paulo revela que, nesta fase final, que antecede os vestibulares, ele diminuiu um pouco o ritmo de estudos. Hoje, ele reserva um período do dia para praticar exercícios físicos numa academia. Os finais de semana são reservados para ler livros da lista obrigatória de leitura da (Fundação Universitária para o Vestibular) Fuvest e Unicamp (veja boxe), e para ler os principais jornais e revistas informativas. A grande dica que ele dá aos vestibulandos é com relação a calma, nessa época de desespero.
"A calma tem mais de 90% de importância para uma pessoa devidamente preparada obter sucesso no vestibular", afirma.
A escolha da profissão
Se há uma pergunta que incomoda a maioria dos vestibulando
é aquela que diz respeito ao seu futuro. O que será que vou ser? As vezes, o vestibulando já sabe o que quer, desde criança. É o caso do vestibulando Paulo Moreira Fernandes, que sempre soube que queria estudar para ser médico e nunca ficou em dúvidas com relação a isso. Mas essa não é a regra e sim a exceção. A maioria dos vestibulandos, já em fase final de preparação ainda não definiu a profissão que quer seguir. Para tentar resolver esse problema, tão comum nessa fase da vida, algumas dicas são válidas, como, por exemplo, procurar orientação de um psicólogo, fazer um teste vocacional e até mesmo fazer uma reflexão pessoal. Segundo a professora de história e diretora da Sociedade Educacional Tristão Athaíde (Seta), Sônia Maria Mozer, a orientação vocacional precisa ser contínua. No colégio, estão disponíveis durante todo o ano, três psicólogas, para orientar o aluno na escolha da profissão.
Uma outra dica para resolver o problema da insegurança, no momento da escolha, é fazer uma reflexão pessoal. Essa é a dica do diretor do colégio Interativo, Paulo Rossler. O aluno deve estar atento, desde o primeiro colegial, para observar quais as disciplinas que ele mais gostava, durante o curso. "Só assim, com muita sensibilidade, ele vai descobrir qual o real caminho", afirma Rossler. Segundo ele a evasão de alunos durante a faculdade é muito alta, e tem aumentado nos últimos anos. "Fiquei sabendo de um curso de história de uma faculdade estadual que, no final do curso, formaram-se apenas 5 alunos. Isso revela o quanto a escolha da profissão é difícil e, hoje em dia, não dá para ficar perdendo tempo", afirma.
Dicas de estudo
Química - professor Quelão do Preve Objetivo
Vunesp - é o mais abrangente e não cansa o aluno. Os alunos devem estudar mais fisicoquímica, reações orgânicas, isomeria e química geral.
Fuvest - As questões da 1ª fase tem enunciados longos e exigem raciocínio rápido. Estudar fisicoquímica, química orgânica e geral. Quase metade da prova da Fuvest é sobre fisicoquímica (parte da química que envolve cálculos, conceitos químicos de assuntos da física). O aluno precisa conhecer bem a teoria.
Unicamp - A 1ª fase envolve situações do cotidiano
(2 questões discursivas). O aluno precisa prestar muita atenção nos enunciados das questões. Não envolve muitos cálculos e fórmulas, mas sim aspectos do cotidiano, geralmente tirados de notícias de jornais e revistas.
Comunicação e Expressão - Gilberto, professor do Interativo
Segundo o professor Gilberto, o aluno precisa definir qual o vestibular ele quer prestar para se dedicar ao estilo de cada um.
Fuvest - É imprescindível ler todas as obras indicadas na lista obrigatória. Parte das questões são de interpretação de textos jornalísticos, científicos e literários.
Vunesp - Traz textos de épocas diferentes e pede para que o aluno compare-os quanto a forma e conteúdo. A Vunesp subentende que o aluno possui conhecimentos genéricos sobre estilos e obras clássicas, por isso não elabora lista de livros de leitura obrigatória.
Unicamp - As questões são de interpretação de textos. É necessária a leitura das obras literárias indicadas, principalmente para a 2ª fase.
História - professora Sônia, do colégio Seta
As questões de história dos três vestibulares
(Vunesp, Fuvest e Unicamp) trazem questões interpretativas. As provas não exigem respostas prontas e decoradas. O aluno deve prestar atenção na proposta e no texto que introduz a proposta. Parte da questão é respondida pelo próprio texto.
Os vestibulares querem testar a capacidade do aluno de fazer a transferência (comparação) entre fatos históricos de épocas diferentes.
A grande dica é ler mais de um jornal e revista, procurando sempre comparar as informações que a mídia oferece.
Matemática - professor Paiva, colégio Seta
O aluno é cobrado com relação a desenvoltura de raciocínio e capacidade de conhecimento em problemas do cotidiano.
A tendência é que as questões tragam diversos temas da disciplina. Por exemplo, uma só questão trazendo logaritmo e trigonometria.
A dica de estudo é realizar grande quantidade de exercícios para adquirir desenvoltura e tomar cuidado com palavras do enunciado das questões que ampliam ou restringem o sentido de uma proposição.
Redação - professor Waltinho, colégio Fênix
Fuvest - temas mais subjetivos que requerem interpretação do tema para posterior produção.
Unesp - costuma trazer temas referentes a problemas sociais brasileiros como reforma agrária, por exemplo. Esse ano é possível que o tema esteja ligado com a corrupção na política. A Unesp quer saber se o aluno tem senso crítico e sabe expor idéias corretamente.
Unicamp - Apresenta três temas diferentes. Para o dissertativo, apresenta uma coletânea de textos com informações que o aluno deve, necessariamente, utilizar. Testa a capacidade do aluno de interpretação e correlação dos textos. O tema narrativo deve ser escolhido por alunos que estão acostumados com esse tipo de produção e que apresentem fluência de texto.
A última possibilidade é a carta argumentativa que apresenta a idéia de alguém com relação a determinado tema. O aluno tem que argumentar contra a idéia.
A grande dica, em todos os casos, é tomar cuidado para não fugir do tema e da estrutura do texto.
Biologia - Willian, professor do Interativo
O anúncio na imprensa da conclusão do projeto Genoma deve sucitar nos vestibulares questões referentes a DNA, síntese protéica e genética em geral. Os alimentos trangênicos também estão em voga por serem alvo de muitas polêmicas.
Na prova da Vunesp, tomar cuidado com os assuntos específicos,
"roda-pés de livros", como por exemplo, detalhes específicos de um ciclo da da fotossíntese.
Inglês - Michele, professora do Interativo
Fuvest - poucas questões de gramática e, a maior parte, de compreensão de textos.
Vunesp - interpretações de textos fáceis e metade da prova de questões de gramática.
Unicamp - geralmente não pede gramática. Exige conhecimento de vocabulário de nível médio.
A grande dica é fazer a leitura dinâmica de revistas como a Newsweek, Time etc. para adquirir vocabulário.
Física - Massa, professor do Interativo
Todos os vestibulares tem perfis básicos. O primeiro assunto mais pedido é mecânica e depois vem eletrodinâmica. Outros temas como termologia, óptica e ondas aparecem em menor proporção.
No estudo de mecânica o aluno deve priorizar cinemática, dinâmica, energia e hidrostática.
Os grandes vestibulares, Fuvest, Vunesp e Unicamp, trazem temas do cotidiano e interdisciplinaridade.
O aluno deve estar preparado para a 1ª fase da Fuvest porque a prova é complexa e cansativa, com enunciados profundos e cobranças de detalhes minuciosos de assuntos.
Geografia - os temas mais cobrados têm sido os de geografia humana e de geografia física, nos últimos vestibulares. O IDH, que é o Índice de Desenvolvimento Humano tem caído com certa freqüência. Inficadores sociais, questões de modificação do clima e interpretação de curvas de nível também podem estar presentes. Em geopolítica os assunstos mais prováveis são o fim da guerra fria, o neoliberalismo, a formação de blocos econômicos, o aumento dos conflitos e das contradições no cenário internacional. (Fonte: Vestibuol)
Programação de revisões e simulados
Interativo - Dia 30 de outubro começa a revisão
(Intensivão), que vai até o final de dezembro.
Preve Objetivo - Dia 14 de novembro começa a revisão I, para a 1ª prova da 1ª fase da Fuvest. A revisão II, para a 2ª prova da 1ª fase da Fuvest começa no dia 20. O colégio vai realizar ainda as Revisões III e IV, preparando os para a 2ª fase da Fuvest, para o vestibular da Unesp e demais universidades. A Revisão III começa no dia 27 de novembro e a IV, no dia 4 de dezembro. Inscrições pelo telefone 223-8111
Sociedade Educacional Tristão de Athaíde (Seta)
- A revisão começa no dia 13 de dezembro e vai até 20 de dezembro, preparando os vestibulandos para os vestibulares Vunesp, Fuvest e Unicamp. A instituição vai promover também mais 4 simulados até o final do ano. Os próximos estão marcados para 24 de setembro, 21, 22 e 29 de outubro. Contatos no departamento de vestibulares, telefone: 223-1999.
Sistema/COC - Revisão para a 1ª fase da Fuvest, com início no dia 6 de novembro e término previsto para 2 de dezembro. Do dia 4 ao dia 6 de dezembro, ocorrerá a 2ª revisão, visando as segundas fases dos principais vestibulares. O colégio fará, também, revisões nas vésperas das provas dando dicas dos assuntos mais prováveis de serem abordados nos vestibulares. Haverá também uma revisão para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O telefone do Colégio é 226-2552
Fênix Curso e Colégio - Revisão para 1ª prova da 1ª fase da Fuvest e Unicamp, com data de início para dia 6 de novembro. Dia 20 de novembro, revisão para a 2ª prova da 1ª fase da Fuvest. No dia 4 de dezembro começa a revisão II, para o vestibular da Unesp.
O colégio realizará simulados nos dias 23 de setembro e 4 de outubro (simulado geral). Informações no telefone 223-5070
Site tira dúvidas de vestibulandos
Os professores do colégio Fênix organizaram um site na Internet totalmente voltado para o auxílio ao vestibulando. O endereço é www.sabercom.com.br. Os vestibulando podem tirar dúvidas de sete disciplinas através de e-mail.
Lista de livros obrigatórios
Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) 2001
- Os Lusíadas - episódios de Inês de Castro
(III, 118-135) e do Velho do Restelo (IV, 90-104) (Camões)
- O guarani (José de Alencar)
- Lira dos vinte anos (Álvares de Azevedo)
- A ilustre casa de Ramires (Eça de Queirós)
- Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
- Macunaíma (Mário de Andrade)
- Alguma poesia (Carlos Drummond de Andrade)
- Vidas secas (Graciliano Ramos)
- Primeiras estórias (João Guimarães Rosa)
- Morte e vida severina (João Cabral de Melo Neto)
Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) 2001, 2002 e 2003
- A farsa de Inês Pereira (Gil Vicente)
- O Crime do Padre Amaro (Eça de Queirós)
- A Sibila (Agustina Bessa-Luis)
- Ubirajara (José de Alçencar)
- O bom crioulo (Adolfo Caminha)
- Brás, Bexiga e Barra Funda (Antônio de Alacântara Machado)
- Angústia (Graciliano Ramos)
- Manuelzão e Miguilim (Guimarães Rosa)
- O amanuense Belmiro (Cyro dos Anjos)
Parceria do Preve Objetivo e JC auxiliam vestibulandos
Todas as segundas-feiras, a partir de amanhã, o JC passa a publicar questões de uma disciplina diferente, elaboradas pela equipe de professores do Preve Objetivo. A primeira disciplina abordada será matemática, com questões elaboradas pelo professor e coordenador do projeto, Arcir Bento. A novidade fica por parte da transmissão de um programa, todas as segundas e terças-feiras, pela TV Preve. O programa apresentará a resolução das questões publicadas no jornal, com apresentação do professor responsável. Com cerca de 30 a 40 minutos de duração, o programa trará um professor fazendo um resumo da matéria e, em seguida, apresentando a resolução dos exercícios, de forma dinâmica, com a inserção da parte escrita como se fosse uma animação computadorizada.
A exibição ocorrerá todas as segundas-feiras,
às 9h30 e às 14 horas, com reprises nas terças-feiras, em quatro horários: 9h30, 14, 19 e 21 horas. A TV Preve funciona no canal 56 de UHF e 22 da NET.
Segundo o diretor do grupo Preve Objetivo, o professor Gerson Trevizani, a parceria possibilitará uma prestação de serviços para os vestibulandos e é uma tendência do próprio Objetivo, que tem parcerias desse tipo em São Paulo, como por exemplo, a parceria com o jornal Folha de S. Paulo, no caderno Fovest. "Nós temos uma vantagem que é a existência da TV Preve, na qual os alunos vão conferir as respostas e tirar suas dúvidas", afirmou.
Bauru está no ranking das melhores faculdades
A revista Playboy, da Editora Abril, publicou na edição de setembro a 19ª lista das melhores faculdades do país. O curso de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), campus de Bauru, figura em 3º lugar no ranking das melhores, tanto na graduação como na pós-graduação. Outro curso da mesma universidade em destaque é o de Fonoaudiologia, em 6º lugar. O curso de Psicologia da Universiade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru encontra-se em 10º lugar. Dois cursos da área de exatas da Unesp também estão no ranking. O curso de Engenharia Civil está em 4º lugar e o de Engenharia Mecânica, em 9º.
Segundo a revista, os dados foram coletados entre milhares de professores, profissionais de recursos humanos de grandes empresas, instituições de ensino e órgãos oficiais de educação do Brasil. Foram apontados, na lista, os 580 melhores cursos em 46 áreas do conhecimento.