Arquiteto não é privilégio da elite
Texto: Josefa Cunha
A assinatura de um arquiteto em uma obra residencial é quase sempre atrelada ao poder econômico das elites. Contratar um profissional desses nem passa pela cabeça da classe média e, muito menos, dos menos favorecidos financeiramente. Para os profissionais da área, entretanto, esse é um mito que precisa ser superado. E mais: a orientação de um arquiteto pode representar economia de gastos na hora de construir.
Os arquitetos Cláudio Berriel Ricci e Paulo Burgo, respectivamente presidente e vice do núcleo Bauru do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), acham que a falsa relação da arquitetura com a elite se estabelece por falta de conhecimento. "É comum as pessoas confudirem arquiteto com decorador", diz Ricci, na tentativa de justificar a errônea visão de que o trabalho arquitetônico é supérfluo. Muito pelo contrário, vale dizer.
O arquiteto é peça fundamental em qualquer construção e talvez tenha até mais participação do que o engenheiro. O projeto, a escolha de materiais, a busca do conforto térmico e de espaço são responsabilidades do profissional de arquitetura. "Somos especialistas em projetar os espaços para atender à dimensão humana. Somos nós quem cuidamos para que seja possível a boa circulação dentro dos ambientes, para que a pessoa possa distribuir seu mobiliário da maneira mais racional no interior da casa. Existem também os arquitetos de interiores, que são aqueles que cuidam da iluminação, textura de materiais, pisos e cores", detalha Burgo.
Na opinião dos arquitetos, toda a pessoa com intenção de construir deveria contratar um profissional para acompanhar o processo, a começar da escolha do terreno. De acordo com eles, é importantíssimo que haja uma análise prévia do lote quanto à sua localização, topografia, posição em relação ao sol, entre outros aspectos. "Às vezes, a pessoa compra o terreno em desnível, aterra e acha que fez o melhor, quando aquele desnível poderia ser utilizado de uma forma racional dentro do projeto. Não é raro termos que desaterrar o que foi aterrado, ou seja, um gasto que poderia ser evitado. Algumas inobservâncias nessa fase inicial podem exigir outros reparos no futuro que certamente também vão onerar", ressaltou o presidente do IAB-Bauru.
Como em várias profissões liberais, o trabalho do arquiteto também segue tabelas mínimas de preços, mas as variações são tantas que é difícil estabelecer quanto pode custar a contratação de um profissional como esse. Geralmente, o custo é fixado de acordo com o valor da obra. Em Bauru, o mínimo cobrado
é de 3%, o que, em valores concretos, significaria algo em torno de R$ 10,00 o metro quadrado. Vale destacar que esse número é uma média dentro de um universo de muitas variantes.