Prefeitura investiga sumiço de vales-compra do Seprem
Texto: Paulo Toledo
A Corregedoria da Prefeitura de Bauru abriu sindicância e está investigando o sumiço de cerca de 200 vales-compra dos servidores e pensionistas do Serviço de Previdência dos Municipiários (Seprem), num total de aproximadamente R$ 6,7 mil, que teriam sido desviados desde 1997, por uma funcionária da Prefeitura que trabalhava no órgão.
A direção do Seprem informou que foi apurado que a servidora (que não teve o nome divulgado), que esteve emprestada para o órgão, teria desviado 201 vales-compra, que são distribuídos pelo órgão, principalmente para pensionistas, já que o número de funcionários que atuam no Serviço é pequeno.
A demora em descobrir o problema se deu pelo fato de não haver qualquer reclamação em relação
à não entrega. De acordo com a direção do Seprem, é normal que ocorram reclamações quando há atraso na entrega. "Acreditávamos que estavam todos recebendo. Se não estivessem, já teriam reclamado", informou a diretoria.
A irregularidade foi descoberta por um servidor que substituiu a antiga responsável pela distribuição. Detalhe: foi ela própria quem pediu para sair por estar sobrecarregada com outros serviços. A direção do Seprem pediu, então, para que fosse realizada uma apuração mais cuidadosa.
Os expedientes para desvio dos vales seriam vários, desde a não baixa dos documentos não entregues, que não deveriam ser pedidos novamente para a Prefeitura. Ou seja, assim, os vales do mês seguinte vinham normalmente.
Numa outra forma, a responsável pela distribuição alegava para as pensionistas que havia ocorrido um erro e que seus vales não teriam vindo. No mês seguinte, acertava com a pensionista em dinheiro. O problema é que, com o tempo, não conseguia mais cobrir o valor.
Para evitar reclamações, essa funcionária conversava com as pensionistas e explicava que estava enfrentando um problema pessoal muito grave e pedia para que não reclamassem
- no que era atendida - e, assim, o problema foi se arrastando.
Pensionistas que moravam em outras cidades também ficavam sem receber os vales. Há um caso em que, desde 97, a pessoa recebeu apenas os dois meses iniciais e, depois, não mais.
A funcionária suspeita foi devolvida para a Prefeitura e continua trabalhando, mas em outra função.
De acordo com a direção do Seprem, as pessoas que comprovadamente não receberam seus vales-compra vão ser ressarcidas.
Sindicância
A sindicância para apuração das responsabilidades foi instalada oficialmente. Segundo o corregedor Darci Bernardi, está sendo investigada a possibilidade de ter ocorrido o desvio dos vales.
De acordo com ele, pelo que se apurou até agora, os desvios teriam ocorrido de maneira lenta, pela pessoa que controlava a distribuição. Porém, não deu mais detalhes em razão do caso ainda não estar concluído.
Segundo caso
A investigação sobre o desvio de vales-compra no Seprem é a segunda que vem a público em menos de um mês. Em agosto, a Prefeitura de Bauru abriu sindicância para investigar o sumiço de cerca de 500 vales-compra dos servidores, num total de aproximadamente R$ 15 mil, que teriam sido desviados de janeiro a julho deste ano.
Antonio Gérson Araújo, titular da Secretaria da Administração, pasta responsável pelo gerenciamento dos vales, disse, na época, que a verificação de possíveis desvios estava sendo ampliada e deveria abranger, pelo menos, o ano de 1999.
O problema foi levantado, há cerca de três meses, em julho, quando uma pessoa com drogas foi presa e portava seis vales-compra, que não deveriam estar em circulação. Um ex-estagiário da Secretaria da Administração
(cujo nome não foi divulgado pela Secretaria) estaria envolvido na ocorrência e é suspeito de participar dos desvios dos vales.