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Morte

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Estudante de 16 anos morre afogado

Texto: Josefa Cunha

O estudante Jéfferson Vieira Gondim, de 16 anos, morreu afogado na tarde do último domingo, enquanto se refrescava junto com um grupo de amigos na represa da fazenda Conquista, localizada na estrada da Boa Vista. Todos os jovens estavam nadando quando viram Gondim desaparecer nas águas. O Corpo de Bombeiros foi imediatamente chamado, mas não houve tempo para resgatar o rapaz com vida.

O corpo do menor foi encontrado menos de uma depois de ter afundado. O resgate foi feito pela equipe de mergulho dos bombeiros, que localizou a vítima no fundo da represa. O corpo de Gondim estava intacto, o que elimina as hipóteses de que ele tenha batido em alguma pedra ou outro objeto antes de se afogar. Os bombeiros suspeitam que o menor não sabia nadar.

Segundo a corporação, esta é a primeira morte em decorrência de afogamento registrada no ano - é a primeira também ocorrida no local. Em 1999, quatro pessoas

- também jovens - perderam a vida da mesma forma na região atendida pelos bombeiros de Bauru. Como a época do calor se aproxima, os bombeiros temem a ocorrência de novas tragédias.

O sargento Antônio da Silva Ortega informou que os pontos mais críticos para o nado em Bauru, embora sejam os mais freqüentados, são as represas da Quinta Bela Olinda e do Sakai, além do rio Tietê, o campeão em levar a vida de nadadores imprudentes. A maioria das mortes, diz Ortega, acontece porque a pessoa não sabe nadar ou domina muito pouco a prática. "Geralmente são menores de idade, que saem em grupo e, muitas vezes, com o conhecimento dos pais. Como eles não têm medo de nada, acabam se aventurando na água mesmo sem saber nadar; vão no embalo dos amigos e se dão mal. Normalmente, são meninos pobres que não têm condições de pagar um clube para se divertir. Acho que se em Bauru tivesse uma piscina pública, o número de mortes por afogamento seria bem menor", ponderou Ortega, numa sugestão ao futuro prefeito da cidade.

O sargento explicou que as mortes em represas são mais comuns por conta das águas barrentas, que são mais densas e cansam mais, além do terreno irregular que trai pelos constantes desníveis de profundidade. Quem sabe nadar também costuma ser vítima de afogamento nessas lagoas, mas geralmente isso acontece devido a congestões. "O pessoal come e não espera a digestão. Quando a reação vem não adianta saber nadar."

O melhor conselho do sargento aos rapazes aventureiros e também aos adultos destemidos é evitar o nado em represas, açudes ou em outros locais desconhecidos. Aos pais, Ortega manda um alerta:

"Certifiquem-se bem quando virem os filhos sair em grupo para nadar. O melhor é demovê-los da idéia, mas se isso for impossível, aconselhem a ter muito cuidado. Ensinem a eles a máxima dos salva-vidas: 'água no umbigo, sinal de perigo'", orientou.

Segundo Ortega, a melhor maneira de se evitar acidentes dessa natureza é respeitar os limites próprios e ter muito atenção, porque os processos de afogamento são, em sua grande maioria, irreversíveis. "O salvamento

é muito difícil, especialmente porque quase nunca existem salva-vidas nas represas e lagoas onde a molecada costuma brincar. Na maioria das vezes, já é tarde demais quando somos acionados", lamentou.

Cuidados que não devem ser esquecidos

* Evite nadar em represas e açudes. A água barrenta e o terreno com desníveis de profundidade torna perigosa a prática do nado;

* Quando for nadar nesses locais, tome informações prévias sobre os pontos mais rasos e nunca esqueça a máxima dos salva-vidas "Água no umbigo, sinal de perigo";

* Nunca entre na água imediatamente após as refeições. Espere, no mínimo, uma hora, pois você pode ser vítima de uma congestão e morrer mesmo sabendo nadar;

* Nunca tente salvar alguém em processo de afogamento. Você pode acabar afundando também. Somente pessoas especializadas devem fazê-lo.

* Se quiser prestar socorro, tente lançar objetos que possam servir de apoio, tais como pedaços de paus;

* Nunca abuse de seus dotes de nadador exímio. Eles podem traí-lo;

* Chame o Corpo de Bombeiros imediatamente.

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