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Programas eleitorais

Daniela Bochembuzo
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Conselho de Pastores critica programas eleitorais de Bauru

Texto: Daniela Bochembuzo

O Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru (Conpev) emitiu, ontem, manifesto oficial contra o que considera baixo nível de qualidade da propaganda eleitoral gratuito. No documento, elaborado após reunião da entidade, os pastores apelam para que os candidatos voltem a apresentar propostas concretas e viáveis ao eleitorado.

Assinado pelo pastor Edson Valentim de Freitas Filho, presidente do Conpev, e dirigido ao povo evangélico, o documento pede aos prefeitáveis que se abstenham dos ataques aos demais concorrentes e elevem o nível da campanha ao verificado em seu início.

Para o conselho, fazer ataques pessoais, criar fatos inverídicos e apontar falhas dos concorrentes não indicam competência, mas sim absoluta falta de propostas. As estratégias, define o documento, sinalizam desespero e desqualificam o candidato. Em razão disso, a entidade apela ao povo evangélico para que "não vote nos candidatos que continuarem a atacar os adversários".

"Estamos observando abusos por parte dos candidatos e estamos apreensivos com isso. Entendemos, como entidade, que é necessário fazer algo, enquanto é tempo, para mudar essa situação. Nosso objetivo é mostrar que os evangélicos não são massa de manobra", explica o pastor Edson Valentim de Freitas Filho, presidente do Conpev.

O documento registra ainda a posição do Conselho contra aqueles que se apresentam como candidatos evangélicos. De acordo com Freitas, muitos deles colocam como único item da plataforma ser evangélico, o que considera absurdo.

"Freqüentar uma igreja evangélica não deve ser a única característica a se analisada em um candidato. Quem o faz tenta enganar o povo e não merece voto de confiança", afirma o presidente do Conselho de Pastores.

O documento do Conpev orienta os eleitores a não votar em candidatos que se apresentam apenas como evangélicos, sem nunca ter produzido nada pela cidade como um tudo; sobrem nos púlpitos das igrejas e os usam para promoção política pessoal e partidária; e promovem ou participam de eventos, showmícios ou encontros evangélicos de qualquer natureza que vise a promoção político-partidária, sem ter anunciado isso com antecedência.

Segundo o pastor Freitas, o conselho tem recebido muitas informações sobre pastores que cedem o púlpito e até mesmo apoiam candidatos que se dizem evangélicos durante os cultos, impondo muitas vezes o nome deste ou aquele à comunidade que freqüenta a igreja.

"É preciso ficar claro que pastores que agem dessa maneira são antiéticos e as pessoas não podem ceder a esse tipo de pressão. Cada um é livre para escolher o seu candidato sem estar em rebelião. Votar em quem se acredita não é rebelião, a postura impositiva do líder é que está errada", setencia o presidente do conselho.

O pastor Freitas frisa a questão da rebeldia porque a Bíblia, segundo ele, condena a rebelião. Sobre esta questão, o documento é tachativo: "Irmão não

é obrigado a votar em irmão, pois o voto é uma responsabilidade com a cidade toda, e não apenas com uma fração dela".

O manifesto foi enviado, ontem, a todos os meios de comunicação de Bauru e será distribuído até sexta-feira a todas as 350 igrejas evangélicas da cidade.

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