Geral

Projeto Plural

Por Fabiano Alcantara | Ricardo Poletti
| Tempo de leitura: 3 min

A personificação da música

Texto: Fabiano Alcantara/Ricardo Polettini

Ícone da diversidade musical do planeta, Hermeto Pascoal se apresenta hoje no Sesc Bauru pelo projeto Plural

Acreditam os budistas que Sidarta Gautama, o Buda, seria a encarnação da compaixão. O mesmo vale para os cristãos, que têm Jesus como o amor personificado. A mesma analogia para o plano dos sons teria Hermeto Pascoal como a música em pessoa.

Talvez seja exagero, mas não ufanismo. Miles Davis, Herbie Hancock, Gil Evans e outros jazzistas incontestáveis já disseram o mesmo. Melhor: talvez seja exagero no Brasil, onde os verdadeiros gênios raramente são reconhecidos. Para o resto do mundo, Hermeto é um mito, uma lenda viva. Ele representa, sobretudo, a diversidade musical do planeta. Quem ouvi-lo com atenção perceberá o choro, forró, valsa, jazz, samba e outras coisas irrotuláveis. Sim, para falar de Hermeto esqueçamos os rótulos.

Hermeto Pascoal é a principal atração de hoje, no Sesc Bauru, pelo projeto Plural. O alquimista dos sons divide a noite com o espetáculo "Alados", da Cia Circo Mínimo e a apresentação do músico Fernando Sardo, com performance de dança.

Calendário

Notório improvisador, de junho e 1996 a junho de 97, Hermeto se pôs na tarefa nada comum de compor uma música por dia. O resultado pode ser conferido no livro "Calendário do Som", lançado neste mês em parceria entre o Senac e Instituto Itaú Cultural.

Segundo ele, as 366 músicas são dedicadas aos aniversariantes de cada dia, sem esquecer dos nascidos em 29 de fevereiro, sua

última composição do livro. Em cada uma delas, reproduzidas direto das partituras originais, vai uma dedicação do autor, juntamente com a frase "Tudo de bom sempre".

"Quero, humildemente, através da música, homenagear todos os aniversariantes do mundo, indistintamente", diz o "bruxo".

No show de hoje, que começa às 22 horas, acompanham Hermeto Fábio Pascoal, André Marques, Vinícius Dorin, Márcio Bahia e Itiberê Zwarg. No repertório, músicas como "Bebê", "Missa dos Escravos" e "Chorinho pra Ele", entre muitas outras.

Abrindo a noite, às 20 horas, o espetáculo "Alados", com a Cia. Circo Mínimo. Em dez cenas de circo-teatro, cada personagem é explorada num aparelho aéreo, podendo ser este um trapézio, uma corda ou tecido.

Às 21 horas, é a vez do trabalho contemporâneo

"Bambuzais", com Fernando Sardo, compositor, músico e luthier; Miriam Matsuda, musicista, coreógrafa e bailarina; Décio Gioielli e Rogério Amorim, músicos.

"Bambuzais" integra música, luthieria, artes plásticas e dança, resultado de uma pesquisa que remete à descoberta de novas sonoridades, plasticidades e estética.

Nas composições, são utilizados instrumentos de sopros, cordas, percussão e esculturas sonoras, criados e construídos com matéria prima nativa como bambu, cabaça e outros materiais alternativos como madeira, plástico, vidro, pedra, barro e metal.

O resultado musical é a fusão de diferentes e novos timbres e a harmonia entre a matéria prima e o refinamento sonoro, o que possibilita englobar elementos musicais de diferentes etnias e estéticas.

Serviço

Hermeto Pascoal, 22h, "Alados", 20h. com Circo Mínimo e Bambuzais, 21h. Hoje, a partir das 20 horas, no Sesc Bauru. Ingressos: R$ 8,00, R$ 4,00 (estudantes e maiores de 65 anos) e R$ 2,00 (sócios do Sesc). Apoio: Jornal da Cidade e 96 FM. O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

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