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Prisão

Ieda Rodrigues
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Idoso vai preso acusado de ter dois filhos com sua filha

Texto: Ieda Rodrigues

Um caso inusitado e chocante foi descoberto em Bauru nesta semana, culminando com a prisão de Benedito Matias de Oliveira, 65 anos. Ele é acusado de ter mantido relações sexuais com sua filha mais velha, Maria de Jesus Oliveira, nascida em 1956 e que morreu em 1993, por vários anos e deste relacionamento terem nascidos dois filhos.

A história é ainda mais complicada porque Maria de Jesus foi enterrada, em Bauru, como sendo Francisca de Jesus Ribeiro de Oliveira, nascida em 1949, nome da segunda mulher de Benedito, que viveu com ele apenas alguns meses, no ano de 1973. O caso todo só foi desvendado pela polícia e Benedito preso porque Francisca, que hoje mora em Canitar (região de Ourinhos) e tem outra família, solicitou a segunda via de sua certidão de nascimento.

Ao pedir o documento, em Canitar, descobriu que, legalmente, ela estava morta, pois em Bauru, em 1993, havia sido registrado sua declaração de óbito. Diante da inusitada circunstância, no dia 19 de junho deste ano Francisca registrou um boletim de ocorrência relatando o fato. Dias após, o caso foi enviado para a polícia de Bauru investigar, uma vez que o registro de óbito foi feito em Bauru.

Trabalhando no caso por quase dois meses, o delegado-adjunto do 3.º Distrito Policial Dinair José da Silva, o escrivão

Álvaro e os investigadores Lurdinha e Sinval conseguiram desvendar a história e obter a confissão de Benedito. Em depoimento, após ser proposta uma acareação com Francisca, ele acabou confessando que realmente viveu com sua filha Maria Aparecida como marido e mulher e que ela usava o nome e documentos de sua segunda mulher, de quem está separado desde 1973.

Como Maria Aparecida já está morta, para elucidar o caso, o delegado ouviu seus familiares, que moram em Bauru. Alguns dos ouvidos já sabiam da situação de marido e mulher vivida por Benedito e Maria, mas nunca disseram nada temendo um escândalo e a prisão de Benedito; outros desconfiavam e, alguns, não sabiam de nada.

Os que sabiam disseram ao delegado que, após a verdadeira Francisca ter ido embora, Benedito e a família, que até então moravam na região de Ourinhos, mudaram-se para Bauru. Então, Benedito teria dito para sua filha mais velha, Maria Aparecida, que estaria com pouco mais de 20 anos, que ela passaria a ser sua mulher e a chamar-se Francisca.

Maria Aparecida e seus seis irmãos mais novos são filhos de Benedito com sua primeira mulher, Nair de Oliveira, que morreu em 1971. Foi após a morte de Nair que Benedito casou-se com Francisca, em 1973. Ao ir embora, Francisca deixou a certidão de casamento com Benedito, documento que passou a ser usado por Maria Aparecida.

A não ser alguns familiares, ninguém teria ficado sabendo do fato na época porque Benedito chegou a Bauru já apresentando Maria Aparecida como sua mulher. Familiares ouvidos pelo delegado disseram que Maria Aparecida viveu com seu pai relação de marido e mulher obrigada, pois ele, supostamente, a ameaçaria para que não contasse nada a ninguém.

Benedito, no entanto, disse à polícia que mantinha relações sexuais com sua filha com o consentimento dela. Os dois filhos de Maria Aparecida foram registrados pelo próprio Benedito como seus filhos. Hoje, um dos filhos tem 21 anos e o outro, 8 anos. A família, segundo o delegado, está muito abatida com a situação e com opiniões divididas com relação a Benedito.

Prisão

O delegado-adjunto do 3.º Distrito Policial Dinair José da Silva, diante da gravidade do caso e pelo eventual risco de o acusado atrapalhar as investigações ou destruir provas, solicitou, e o juiz concedeu, na última terça-feira, a prisão temporária de Benedito Matias de Oliveira. Ele foi encaminhado a um presídio da região.

Benedito está sendo indiciado por estupro, uma vez que familiares de Maria Aparecida disseram que ela era obrigada a manter relações sexuais com seu pai, falsidade ideológica e uso de documento falso. Se condenado, Benedito poderá pegar mais de 15 anos de cadeia.

A impressão que o delegado teve ao ouvir Benedito em depoimento

é de uma pessoa simples que agia com frieza. De acordo com Silva, Benedito achava que, com a morte de Maria Aparecida, o caso nunca mais viria a ser descoberto.

Delegado deve solicitar exame de DNA

Apesar de praticamente esclarecido, as investigações do caso continuam. Na próxima semana, o delegado Dinair José da Silva vai até a cidade de Canitar ouvir Francisca de Jesus Ribeiro de Oliveira e colher mais informações e provas.

O delegado já adianta que serão necessários exames de sangue e, provavelmente de DNA, para provar a paternidade dos dois filhos de Maria Aparecida, não só pelo processo criminal, mas também para legalizar a documentação. O mesmo ocorre com Francisca, que terá que passar por exames porque, legalmente, é considerada morta.

O delegado tem mais 30 dias para concluir o inquérito e alertou para a possibilidade de os irmãos de Maria Aparecida serem indiciados como co-autores, por omissão culposa ou dolosa, uma vez que não denunciaram o fato. "Nós vamos avaliar até que ponto cada um está envolvido", disse.

Ele não descarta, inclusive, a possibilidade de solicitar a exumação do corpo enterrado no cemitério de Bauru como sendo o de Francisca caso ainda restem dúvidas do caso.

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