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Lotéricas

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

Lotéricas aumentam em 26% o volume de recebimento de contas

Texto: Patrícia Zamboni

O número de recebimento de contas (água, luz, telefone, entre outras) nas casas lotéricas da Caixa Econômica Federal (CEF), em Bauru, aumentou 26,32% num comparativo feito entre janeiro e agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A afirmação

é do consultor de campo do Escritório de Negócios

(EN) da Caixa, Walmir Iachel Reina.

Na opinião dele, esse crescimento pela escolha das lotéricas, por parte do público, no momento de pagar contas, se deve

à qualidade e à rapidez do atendimento dessas unidades. Segundo Reina, o pagamento de mais de 50% das contas de serviços públicos em todo o Brasil é efetuado, atualmente, em casas lotéricas. "Acredito que esse considerável crescimento no número de recebimento de contas se deve ao fato das lotéricas estarem muito bem preparadas para atender à população, sem contar que nesses locais os clientes não enfrentam filas, como geralmente acontece nos bancos", observou Reina.

De acordo com o consultor da CEF, além da agilidade no atendimento, o horário de funcionamento das lotéricas, que normalmente é das 8 às 18 horas, também estaria sendo um fator preponderante no momento das pessoas optarem por pagar suas contas nesses locais, além de haver um considerável número de casas lotéricas espalhadas por diversos bairros da cidade.

"A população está sempre em busca de comodidade e agilidade na realização das suas atividades. Existe um grande número de casas lotéricas instaladas em diversos bairros da cidade, e isso ocasiona, na maioria dos casos, uma maior facilidade de acesso a essas unidades do que a determinadas agências bancárias. Além disso, o horário de atendimento das lotéricas é mais amplo do que o dos bancos. A maioria delas funciona das 8

às 18 horas. Então, muitas pessoas estão optando por pagar suas contas nessas unidades", disse Walmir Reina.

De acordo com ele, as lotéricas da CEF possuem equipamentos de última geração, o que garantiria a agilidade e a segurança dos serviços efetuados nesses locais.

"Os equipamentos de última geração que as lotéricas possuem garantem a eficiência e a segurança dos serviços executados. No momento em que um cliente paga uma conta ou faz uma aposta em uma lotérica, no mesmo instante essa informação é enviada à central de computadores da Caixa, que devolve a informação de que registrou o serviço. Quando o cliente pega o recibo de pagamento, significa que aquele serviço já está registrado nos computadores da Caixa. Ou seja, não há perigo de extravio ou de não ser registrado o pagamento daquela conta", afirmou Reina.

O consultor da CEF destacou que é direito de todos os cidadãos utilizar uma agência bancária para efetuar o pagamento de contas e que isso pode ser feito em qualquer unidade da Caixa. Porém, o objetivo da instituição com a ampliação do atendimento das lotéricas, no que diz respeito a serviços bancários, seria de oferecer mais comodidade à população.

Em relação à polêmica questão da segurança das casas lotéricas, que com essa ampliação de serviços passam a administrar uma quantidade maior de dinheiro, Walmir Reina diz que os lotéricos podem contar com algumas linhas de crédito da própria Caixa para a aquisição de equipamentos de segurança, como alarmes e sistema de monitoração eletrônica. Porém, isso tem que ser assumido pelos lotéricos. Ou seja, a CEF não oferece nenhum tipo de parceria a essas pessoas para que incrementem a segurança das unidades lotéricas sem grandes gastos. Por outro lado, Reina afirmou que não houve aumento de procura por essas linhas de crédito por parte dos agentes lotéricos.

Posicionamento contrário

De acordo com o diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, para o sindicato esse processo é totalmente ilegal. "A resolução 2704 do Conselho Monetário Nacional

(CMN) permite aos bancos firmar convênio com qualquer tipo de estabelecimento, como padarias e farmácias, para o recebimento ou abertura de contas. Mas, os banqueiros querem que um banco público - a Caixa - faça a experiência desse tipo de serviço para ver se dá certo ou não e decidir se isso será implementado por todo o sistema financeiro. Porém, não temos a menor dúvida de que esse processo é completamente ilegal, porque serviço bancário só pode ser executado por bancários", ressaltou Silvestre.

De acordo com ele, o sindicato já fez uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que está levando o inquérito adiante, mas não há um prazo para o julgamento dessa questão. Além disso, também existiria, segundo Silvestre, um projeto no Congresso Nacional para barrar a validade da resolução 2704 do CMN.

O maior problema citado pelo sindicato, caso esse tipo de convênio venha a ser adotado pelo sistema financeiro como um todo, é a ocorrência de uma "enxurrada" de demissões entre os bancários. "Se isso não for barrado, haverá uma enxurrada de demissões no setor bancário. Outro grande problema é a questão da segurança. Os bancos investem nisso, já as lotéricas não têm segurança. Ou seja, viram uma presa fácil, colocando em risco a vida dos empregados e dos clientes que vão a esses locais", observou Silvestre.

"A população está certa em buscar comodidade e agilidade no seu dia-a-dia. Só que o problema das filas nos bancos é causado pelos próprios banqueiros, que não querem contratar mais funcionários. Inclusive, na campanha salarial dos bancários deste ano consta a reivindicação de mais contratações e de que os bancos não apliquem a resolução 2704. Porém, sabemos que isso será muito difícil", disse Silvestre.

Os empregados

O presidente do Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio de Bauru e Região (Seaac), Lázaro José Eugênio Pinto, disse que a posição dos empresários envolvidos nessa questão é de não aceitar nenhum tipo de compensação pelo aumento de serviço dos empregados das casas lotéricas. Em função disso, agora o sindicato estaria empenhado em convocar os lotéricos para uma negociação individual de definição sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

"Os empresários estão se apoiando no fato de serem permissionários da Caixa Econômica Federal, que o banco estaria impondo a eles a aceitação desses serviços e que a contra-partida para eles seria muito pequena, de apenas 30% do total dos serviços efetuados. Só que eles não entenderam que a rede lotérica está em expansão e que esse aumento de trabalho está prejudicando os funcionários. Além disso, os empresários não aceitam dividir os lucros que têm, através desses serviços, com os trabalhadores. Isso é inaceitável", disse Eugênio.

De acordo com ele, os empregados de lotéricas estariam reclamando muito, ao sindicato, de cansaço com o aumento de trabalho. "Os trabalhadores estão reclamando muito de cansaço e esse aumento de trabalho pode, inclusive, causar problemas de LER (Lesões por Esforços Repetitivos) nos empregados de casas lotéricas, porque o acúmulo de serviços é enorme. Os empresários colocam tudo nas mãos da Caixa, só que se alguma bomba sobre essa questão estourar, eles é que serão os responsáveis e que irão pagar por isso. E a probabilidade de doenças ocupacionais nos trabalhadores é muito grande com esse sistema de trabalho ineficiente", ressaltou o presidente do Seaac.

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