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Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Uso assistemático da Internet pode onerar contas telefônicas

Texto: Patrícia Zamboni

O uso assistemático da Internet pode onerar as contas de telefone. Essa realidade é vivida pelos milhões de usuários - mesmo aqueles que já

"navegam" há anos - que passam horas a fio em frente ao computador descobrindo as maravilhas do mundo conectado. Existem pessoas que são capazes de passar dias e dias sem sair de casa, tendo a Internet como fiel companheira e utilizando-a, inclusive, para fazer coisas que, antes dela, só eram possíveis ou saindo de casa ou pelo telefone. Entre elas, fazer pedidos para receber comida em casa.

De acordo com a diretora de um provedor instalado em Bauru, Luciane Miranda de Faria, com o tempo as pessoas aprenderam a utilizar a Internet de forma mais controlada, para evitar as contas telefônicas altíssimas que foram recebidas durante os primeiros meses de acesso. Porém, isso não quer dizer "navegar" menos. Pelo contrário. Atualmente, as facilidades oferecidas ao público para que se obtenha acesso à rede mundial de computadores são incomparavelmente maiores do que quando da sua chegada ao Brasil.

De acordo com Luciane, atualmente, são os adolescentes que costumam extrapolar o tempo permitido para a conexão mensal, já que, para eles, os pais fazem planos de acesso limitados junto aos provedores. Porém, o acesso ilimitado é o mais procurado, porque o custo se tornou acessível ao público que possui Internet em casa.

Humberto Xavier, 36 anos, diz que, basicamente, utiliza a Internet através de duas ferramentas: trabalho e lazer. Ele faz uma colocação interessante, válida para toda a comunidade internauta. Sempre que for navegar, é importante ter papel e caneta à mão para que se possa anotar algumas informações ou, até mesmo, sites que se acaba encontrando durante uma "navegação" objetiva.

"A ferramenta trabalho é objetiva. Quando eu acesso a Internet com a finalidade de trabalho, eu sei o que quero fazer e onde ir. Geralmente, isso acontece durante os horários em que a tarifa de telefonia fixa não tem descontos. Por isso, é importante essa objetividade. Para que não se perca o objetivo da navegação,

é importante ter sempre à mão papel e caneta para anotar algumas coisas interessantes que sempre acabam aparecendo", diz Xavier.

Em relação à utilização para o lazer, ele procura fazer isso sempre após a meia-noite, para poder contar com o desconto da tarifa de telefone. Além do mais, essa navegação não requer objetividade, o que significa passar mais tempo conectado. "Quando utilizo a Internet para lazer, procuro fazer isso após a meia-noite, devido ao desconto máximo da tarifa. Quando comecei a utilizar a Internet, fazia de forma assistemática. Por isso, nos primeiros meses percebi um considerável aumento das contas telefônicas. Atualmente, continuo passando cerca de dez horas diárias diante do computador, mas, quando tenho que fazer as conexões, procuro sempre fazê-las segundo os critérios citados", finaliza Humberto Xavier.

Carlos Jorge Monteiro, 33 anos, possui conexão

à Internet em sua casa há cerca de um ano. No início, ele chegou a passar cinco horas diárias conectado, "deslumbrado" ao tomar conhecimento de todas as coisas que a rede mundial permite fazer sem dar um passo. Alguns meses depois, passou a controlar a ansiedade diante do susto que levou ao receber as contas de telefone. "No começo, eu chegava a ficar uma média de cinco horas diárias na Internet. As contas vieram muito acima do que de costume, então, eu passei a me policiar. Atualmente, a minha média diária, em casa, é de uma hora e meia. Mas no trabalho eu também utilizo a Internet", conta.

De acordo com Monteiro, as suas navegações se dividem em pesquisas acadêmicas e em contatos com amigos. Para diversão, sobra apenas cerca de 5% do tempo de conexão. O fascínio não terminou, mas o internauta procura se controlar para evitar novas contas abusivas.

Maurício Schutte Teixeira, 48 anos, é um internauta fiel. Diariamente, se conecta à Internet durante aproximadamente duas horas, além das várias vezes que navega para ajudar os filhos a fazer pesquisas para trabalhos de escola. "Eu passo cerca de duas horas por dia na Internet fazendo coisas só para mim. Às vezes, de final de semana eu fico por mais tempo conectado. A minha preferência é procurar sites diferentes e informações interessantes. Quando eu instalei Internet em casa, eu cheguei a ficar 180 horas conectado nos primeiros quatro meses. As contas de telefone vieram altíssimas. Agora, eu controlo melhor", conta Teixeira.

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