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Maximídia

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Expositores abusam da criatividade para cativar o público

Texto: Rose Araujo

Atores, promoters, brindes, música. Os expositores que participam do Maximídia 2000 - 10.º Encontro Internacional de Mídia não pouparam criatividade para chamar a atenção dos visitantes. Quem passa pelos corredores do World Trade Center certamente é surpreendido em cada estande que visita.

A Net Brasil Outdoor (NBO), uma associação de empresas de outdoor de todo o País, apresenta, de 15 em 15 minutos, shows de dança do ventre, com bailarinas profissionais. De acordo com a representante do estande, Luciene Silva Ratto, a idéia é mostrar que o produto oferecido por eles

- anúncios em outdoors - é um verdadeiro "negócio das Arábias". "O show das meninas têm apresentado o resultado esperado por nós. As pessoas param para vê-las dançar e acabam se informando sobre a associação", disse.

Já a Rede RBS de Comunicação montou uma mesa farta com frutos do mar, que podiam ser degustados com muita informalidade por todos que passassem pelo local. Até os irmãos da Fat Family, que haviam feito um show em um outro estande, pararam para saborear as delícias.

De forma totalmente inusitada, a Rádio 89 FM não montou um estande este ano. A emissora preferiu utilizar os banheiros do World Trade Center para divulgar suas novidades. Colocou "promoters" vestidos com roupões na porta de cada um deles, distribuindo cartões postais da Rádio com a frase "Rock

- Necessidade Básica". Do lado de dentro, o que se via era um banheiro totalmente diferente, com luz colorida, bala, chiclete e, claro, muito rock 'n roll. "A rádio está lançando a Rede Rock de Rádio e quer mostrar que sua programação não é feita apenas com rock 'pauleira' como muitos ainda pensam.

Para isso, colocou nos banheiros, que é um local necessariamente freqüentado pelos visitantes do Maximídia, um rádio que apresenta a sua programação", explicou o promoter Rodrigo Medeiros, que está trabalhando para a rádio.

Como a interatividade está em alta, a America Online transformou seu estande num Quizz (jogo de perguntas e respostas). Quem passa por lá, pode participar, respondendo perguntas relativas ao provedor de Internet.

As que obtêm mais pontuação recebem de presente uma massagem (Shiatsu), que é feita ali mesmo, no estande, por um especialista. "Como estamos divulgando o Rockn Rio 3, e ele tem como tema a melhoria da qualidade de vida, decidimos oferecer algo que relaxasse as pessoas que visitam o estande", disse Maria Paula Carneiro, responsável pela promoção da America Online.

Alguns expositores optaram por fazer divulgação itinerante e contrataram modelos ou atores para fazer performances pelos corredores do World Trade Center. Não há quem não conheça os três rapazes do Guiamais, que andam pela feira vestidos com fantasias de aparelho de telefone, computador e lista telefônica. Eles mexem com todo o mundo e protagonizam cenas hilárias com o objetivo de divulgar o guia.

O estande do Jornal da Cidade também está atraindo a atenção do público. Três afinadíssimos músicos

apresentam um repertório sofisticado de jazz e blues, diariamente, a partir das 18 horas.

Evolução do mercado publicitário marca segundo dia do Maximídia

Texto: Rose Araujo

Enviados especiais

O segundo dia do Maximídia 2000 - 10.º Encontro Internacional de Mídia foi marcado por discussões em torno da evolução dos meios de comunicação e dos profissionais. Os quatro painéis realizados durante o dia voltaram seu foco para o cenário atual de mudanças ocorridas em decorrência do crescimento da Internet e de outras tecnologias que estão influenciando o mercado de comunicação.

O primeiro painel do dia foi "A Mídia Impressa na Rota Digital", apresentado por Paul Hollister, da Associated Newspaper, do Reino Unido. Em sua conferência, ele falou sobre a velocidade com que as novas tecnologias estão conquistando espaço junto à população mundial.

"Foram necessários 40 anos para que o rádio atingisse 50 milhões de pessoas; 15 anos para esse número de pessoas adquirir seus computadores e apenas cinco anos para elas chegarem à Internet", salientou.

Apesar da rápida disseminação da rede mundial, Hollister disse não acreditar que a versão eletrônica dos jornais vai substituir a versão impressa junto aos leitores ingleses, pelo menos num futuro próximo. "As edições impressas ainda oferecem muitas vantagens no mundo atual", enfatizou. Entre elas, ele destacou que os jornais não precisam de eletricidade, nem de conexão telefônica e criam fidelidade a autores e artigos, gerando uma relação de confiança entre quem escreve e quem lê.

Uma acirrada discussão marcou o segundo painel do dia, intitulado "Horizonte Perdido - A tecnologia na contramão da publicidade?". Antonio Rosa Neto, da Dainet, e Claudio Santos, da Globosat, foram os protagonistas do mais caloroso debate do evento, discordando a respeito do tema central. Enquanto Santos destacou que não acredita numa rápida mudança do cenário publicitário brasileiro, Rosa Neto disse que o setor está totalmente defasado em relação ao que vem acontecendo no mundo tecnológico. "Nós estamos num momento de globalização da mídia. E os profissionais não estão acompanhando essa evolução. Não vemos por aqui nenhum criativo pensando em publicidade interativa, que é o futuro do setor em todo o mundo", ressaltou.

Para quem assistiu o painel, a conclusão foi óbvia: os profissionais de mídia terão que se adaptar à nova

realidade criada pelas tecnologias, que buscam sempre oferecer aos telespectadores uma programação televisiva sem intervenção comercial. A saída proposta pelos debatedores recaiu sobre a interatividade, que será o caminho para atrair a atenção dos consumidores no futuro, principalmente no que diz respeito ao meio eletrônico, como rádio e televisão.

Com a participação de renomados profissionais de publicidade, como Alexandre Gama, da Neogama e Octávio Florisbal, da Rede Globo, o terceiro painel do Maximídia do dia de ontem definiu o profissional de mídia da atualidade. De acordo com o palestrante, Angelo Franzão, da agência McCann Erickson, a revolução da mídia está cada vez mais centrada na competência do profissional do setor. "Só ele poderá explorar todas as possibilidades do mercado, atingindo o racional e o emocional do consumidor", definiu.

O último painel do dia discutiu a "Criatividade na Nova Economia". Apresentado pelo consultor e professor Antoninho Marmo Trevisan, o seminário tratou dos novos rumos que terão que ser adotados pelas empresas para a sobrevivência no mercado globalizado. No entanto, os debatedores ficaram devendo respostas mais concretas às cerca de 500 pessoas que assistiram ao painel. Eles não conseguiram responder à pergunta principal do painel, que questionava qual o caminho a seguir na economia globalizada.

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