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Pescaria

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

21 se reúnem na Ponte do 21

Texto: Roberta Mathias

Em menos de 40 dias será encerrada a temporada de pesca no Brasil, pois vem chegando o período de piracema. Grupos de pescadores de Bauru e região estão retornando de suas aventuras no Pantanal e trazem na bagagem saudade, muitas histórias e alguns troféus.

Os amantes da pesca não medem esforços para se reunir

às margens de um rio. Quando chega o período de pesca no Pantanal, muitos já estão com tudo pronto para a viagem. A Equipe Peixe Livre organiza a pescaria com meses de antecedência. O grupo, coordenado por Edson Manzini e Zé da Barca, define o lugar e programa todas as despesas para agilizar a pescaria. Tudo dividido, os gastos previstos são parcelados e pagos antecipadamente. "Temos uma poupança e vamos depositando mês a mês", explicam.

Desta vez, a Equipe Peixe Livre escolheu o rio Miranda, na Ponte do 21, para iniciar a pescaria. Hospedados na pousada do bauruense Tavares, os 21 pescadores Edson Manzini, Zé da Barca, Luiz Antônio e Tiago Brizzi, José Luiz Tuchê, Nelson Coquinho, Toninho do Bar, Ronaldo (Rio das Pedras), José Antônio e Jader de Botucatu, Aparecido Góes da Silva

(Pelé), Hamilton da AGT, Demir Góes, Zé Carlos de Paula, Celso Freitas, Minutti da CPFL, Edenir (Zizo Pedra no Rim), Adalto, Ditinho, João Dota, Dagoberto e o mascote Raphael Guedes da Silva, 10 anos, iniciaram sua aventura.

Mais do que trazer peixes e grandes troféus, eles buscavam tranquilidade e diversão. Para que tudo corresse bem, os organizadores distribuíram até o "regulamento da pescaria", que em 27 itens, informa todos os direitos e deveres dos participantes da pescaria. Pode até parecer exagero, mas quando a turma é grande - 21 pescadores - a organização é fundamental para o sucesso do passeio. Eles chegaram a essas determinações após a realização de uma série de pescarias bem sucedidas.

Desde o horário de saída, passando pelos locais de parada durante a viagem, até como serão divididos os peixes fisgados na viagem, tudo está escrito. Dois itens importantes falam da preocupação com a fiscalização e com o meio ambiente: "22 - É dever de todos respeitar o meio ambiente, não jogando lixo no rio e nos barrancos; 23 - Se qualquer pessoa for flagrada por fiscais com peixe fora da medida, sem colete salva-vida e sem licença de pesca, a responsabilidade é do infrator". O regulamento também traz a relação dos peixes e suas medidas, lembrando o limite para a pesca: 15 Kg e mais um exemplar.

Tudo organizado, a equipe se reúne para a partida. Os rapazes estão preparados para a pescaria durante o dia com muita tralha e cervejinha para a noite. Preparados para encontrar uma variedade de peixes, os pescadores partem para o rio Miranda, no município de Bonito (MS), em busca de pintados, pacus, piraputangas. E encontram. Alguns da equipe estavam visitando pela primeira vez as águas do Pantanal e se encantaram com a beleza da região.

Surpresas

Surpreendendo aqueles que acreditavam que marinheiro de primeira viagem iria voltar sapateiro, o pescador Adauto mostrou seu talendo e fisgou o maior exemplar da viagem. O pintado fez sucesso entre o grupo e precisou "posar" para a foto com outros pescadores.

Já o pequeno Raphael foi surpreendido com uma piraputanga. Há quem diga que o peixe "voou" em sua direção. Pelo visto, Raphael já está aprendendo a pescar com os mestres: primeiro aprendeu a mentir!

Mas quem deu trabalho para liberar foi um exemplar nada acostumado aos anzóis. Um lagarto teiú foi fisgado por um pescador e logo em seguida liberado. Até parece que os peixes estavam fugindo das iscas!

Segundo Zé da Barca, um apaixonado por pescarias e responsável pelo programa "A hora do pescador", na 710 FM, a viagem foi excelente para o grupo pescar, mas, principalmente, relaxar e descontrair. "Agora a turma se encontra para contar os causos da pescaria, dar risadas e lembrar dos apertos que passou."

Há 15 anos, eles possuem o clube do bolinha, que se reúne

às sextas-feiras para uma peixada, churrasco e contar histórias. O ponto de encontro é a casa de Edson Manzini, onde é proibido contar mentiras, só histórias de pescador. Aliás, durante a viagem, o grupo elegeu alguns dos melhores e Zé da Barca ficou com o título de "Maior contador de histórias". Já o título de "Mais alegre" ficou com Ditinho; e o de "Melhor companheiro" ficou com Edson Manzini, que também fisgou o menor peixe. É claro que todos os peixes abaixo da medida foram devolvidos ao rio, afinal, eles querem voltar outras vezes.

Apensar de muita alegria e pescaria, sempre tem a hora de voltar para casa. Cansado, mas com muita história para contar, o grupo retorna. Porém, outra reunião já está marcada para definir a próxima pescaria: em

água doce será para o rio Paraguai, em 2001; em

água salgada, pesca oceânica, em novembro. Vamos conferir!

Ah! E tem mais pescarias por aí. Vamos falar em breve de um grupo que esteve no rio Paraguai e encontrou-se com pintados, cacharas e pacus. Carlos e Geraldo Salzedas, Valdomiro Rossi e Maurício Pinheiro de Góes são os protagonistas. Até lá!

Notas.........

Pesque & Pague Tibiriçá está sob nova direção e oferece variedade em peixes. Informações pelo telefone (14) 227-7688.

O Pesqueiro Zuim está na Internet. O endereço eletrônico

é www.bauruopen.com.br/pesqueirozuim

Telefones (14) 971-3417, 232-0265, 9701-7482.

*********** Troféu pescador ****************

Raphael Guedes da Silva, 10 anos, pegou uma piraputanga de 1,5 Kg, no rio Miranda (MS). O peixe chegou a pular em seu peito. Verdade ou história de pescador?

************História de pescador ************

Uma pescaria muito "especial"

Linda manhã de sol em Cambaratiba. Uma brisa fresca soprava levemente. Barco na água, o motorzinho de 5 cv pegou logo na primeira. O Lôri (Tayano do Táxi) disse que ele não era novo, mas estava "garibadinho". Estávamos estreando a carreta que o Vilson fez para o Lôri.

Subimos até próximo às comportas da barragem de Ibitinga, ávidos pelas grandes corvinas. Nem bem desligou-se o motor, já lancei a linhada e peguei o primeiro troféu do dia, um mandi-chorão de uns dois centímetros. Enquanto isso, o Lôri, por segurança, fez um segundo teste no motor, que, pasmem, não funcionou nunca mais!

Encosta a Polícia Florestal:

- Vocês estão em área proibida, podemos apreender até o barco e o motor!

O Vilson estava sem a respectiva licença de pesca e entrou com aquelas desculpinhas amarelas:

- Sou empresário em Bauru, estou estressado, só vim me distrair um pouco para esfriar os miolos! E tasca multa no "Virso", e auto de apreensão e, para amenizar o prejuízo, levaram embora uma vara e um molinete.

Após isso, tentando fazer o motor funcionar, o Lôri limpou a vela, desmontou até a rebimboca da parafuseta. Não funcionou nunca maaaais!

Tentamos remar para baixo, ou seja, rio abaixo, e foi aí que começou a virar o tempo. Aquela leve brisa da manhã, transformou-se em um vendaval de uns 70 km por hora, com chuvas e trovoadas. Com dois remos em um barco de seis metros de comprimento e borda alta, o máximo que podíamos tentar era chegar

à margem direita, pois para baixo nenhum santo ajudava, o vento era rio acima.

Com o socorro de um barco que passava, chegamos à margem direita e rendemos graças a Deus, achando que rente à margem seria mais fácil descer o rio.

Batemos o "rango" e começamos a batalha. Remávamos dois metros para a frente e o vento empurrava três metros para trás.

Depois de umas três horas de luta, já exaustos e desanimados, não tínhamos mais idéia de qual seria a solução. Foi aí que apareceu um segundo barco de socorro, que nos rebocou para o ancoradouro.

Mas antes de chegar ao destino, o motorzinho minúsculo do nosso piloto do socorro "morreu".

- Meu Deus, será que causamos um prejuízo logo ao nosso grande colaborador? Ainda bem que era só falta de gasolina.

Agradecemos quase de joelhos àquela grande ajuda, tomamos uns goles da "marvada" juntos e nos preparamos para o retorno.

Quando o Fusca pegou a estrada, o motor começou a grilar, não conseguindo andar nem em terceira. Quando já estávamos pensando em passar a noite na estrada, o "bendito" deu uma melhorada e conseguimos chegar em casa.

Pensando nos compromissos da segunda-feira, tomei um banho quente, agasalhei o estômago e, pensando em uma relaxante noite de sono, passei boa parte dela sentado no "trono", com meu cobertor nas costas e o maço de cigarros como companhia, pois o "Wisky" do Lôri (Cachaça de Lençóis curtida na maçã verde), e a descarga emocional do dia não me fizeram nada bem.

Mas, tinha um consolo: Graças a Deus, estava todo mundo com saúde.

Valdir Zaneta Martyniak é pequeno comerciante, pescador e contador de histórias

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