Golpista vende assinaturas de revista
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A comerciante Silvana Cristina Gumieira da Silva foi uma das vítimas do golpe da assinatura de revistas. Ela perdeu R$ 330,00 e resolveu fazer um alerta à população para que outras pessoas não se tornem vítimas.
O golpe foi aplicado por um estelionatário ainda não identificado pela polícia. Ele se apresentou como Rodrigo e age como se estivesse credenciado e autorizado a concretizar o contrato em nome da editora.
Segundo testemunhou Silvana, ele se apresenta, via telefone, com todos os dados da vítima, faz o contrato em papel timbrado da Editora Três. "Ele estava vendendo assinaturas e alegava que a editora estava fazendo uma promoção. Fez vários contatos até pegar meu cheque e fornecer o contrato."
A promoção, segundo a comerciante, era para a assinatura facilitada da revista Isto É. "O contrato de assinatura era por dois anos e como brinde eu poderia escolher entre um ano de outra revista ou seis meses de duas outras publicações", detalhou.
Na semana passada, o tal golpista procurou a vítima, entregou lhe o contrato e pegou os cinco cheques pré-datados. Os cheques deveriam ser descontados a partir do mês de novembro, mas, para a surpresa da vítima, foram depositados no mesmo dia.
O golpe só foi notado quando a comerciante retirou um extrato bancário e percebeu que os cinco cheques haviam sido descontados no mesmo dia do recebimento.
Maratona
Na tentativa de descobrir de onde havia partido o erro, a comerciante descobriu que havia caído em um golpe de estelionato. "Foi uma verdadeira maratona. Liguei para a editora, para o serviço de atendimento ao cliente, para o representante de Bauru e da região", enumerou. Todos os telefonemas foram em vão.
"A editora disse que o serviço era terceirizado. Passou dois telefones dos representantes de Bauru. Um deles não atende, o outro é de um escritório de advocacia que não nada a ver com a editora."
Apesar da dificuldade, a comerciante não desistiu. Disse que ligou novamente para a editora e descobriu o contato do representante da região. "Me disseram que existiam três equipes trabalhando em Bauru e que, no momento, não poderia identificar aquele que havia feito o meu contrato. Ficaram de retornar a ligação, mas estou esperando até hoje", reclamou.
A última tentativa da comerciante foi checar com a editora se aquele contrato estava no sistema da empresa. "Descobri que não estava e procurei a polícia. Registrei o fato em boletim de ocorrência e agora estou fazendo um alerta para que outras pessoas não caiam no golpe."
Silvana quer descobrir de que maneira o golpista descontou os cheques, uma vez que todos eram nominais à editora.
DIG/Garra
Como o crime é de autoria desconhecida, o registro foi enviado para a DIG/Garra, conforme informaram à vítima. O titular da DIG/Garra, delegado J.J.Cardia disse ontem que o caso da comerciante não é o primeiro a ser registrado.
"Estamos investigando e precisamos da ajuda da população, no sentido de denunciar outros casos", alertou.
O delegado orienta a população a ligar para a delegacia no momento em que for procurada pelo pseudo-vendedor de assinaturas.
"Pode ligar para o telefone 224-3090", aconselhou Cardia.
O titular da DIG/Garra suspeita que o estelionatário seja um ex-funcionário da editora. "Pode ser um ex-vendedor que conserva as fichas dos clientes e o talonário que não foi recolhido."