Chuva e vento fortes atingem Bauru
Texto: Ieda Rodrigues
Várias casas foram inundadas pela enxurrada e três pessoas ficaram presas dentro de um carro, na Nações. Ventos chegaram a 52km/h
A forte chuva que caiu no final da tarde de ontem em Bauru, mais uma vez, causou inundações e deixou três pessoas presas dentro de um carro na avenida Nações Unidas, na altura do pontilhão da Fepasa. Os ocupantes do carro foram resgatados pelos bombeiros. O vento que acompanhou a chuva chegou a 52 km/h na estação local do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp.
Alguns bairros, como Centro e Altos da Cidade, tiveram o fornecimento de energia interrompido por causa da queda de árvores sobre a fiação, como ocorreu na rua Capitão João Antônio e na Alameda Octávio Pinheiro Brisolla. Moradores que entraram em contato com o JC reclamaram que não conseguiram falar com a Companhia Paulista de Força e Luz
(CPFL) pelo serviço de atendimento ao público para solicitar conserto da rede.
A reportagem tentou, mas também não conseguiu falar na central de atendimento da CPFL, que está centralizada em Campinas. Apesar dos transtornos e de muitas casas terem sido invadidas pela água da chuva, não houve desabrigados, segundo informou a Defesa Civil.
Para a sorte da população que mora nos mais de 80 barracos nas margens do Córrego Água da Grama, no Parque Jaraguá, que estão sob risco de queda, a chuva foi mais forte no Centro, Núcleo Geisel e Jardim Redentor. No entanto, várias casas, principalmente na rua Benedito Ribeiro dos Santos, no Geisel, foram inundadas pela enxurrada.
O coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil, Álvaro de Brito, disse que o problema da rua Benedito Ribeiro dos Santos
é antigo. Bianco Antônio Camponnacci, morador da quadra 11, que perdeu móveis ontem com a inundação, estava indignado e disse que quer uma solução para o problema.
No Parque das Nações, seis barracos foram inundados e uma moradora, de 78 anos, precisou ser conduzida para casa de parentes, mas retornaria para sua casa ainda ontem, de acordo com a Defesa Civil. A chuva também causou o desmoronamento de barranco na rodovia Marechal Rondon, na altura do viaduto da avenida Duque de Caxias.
Em função do desmoronamento, meia pista sentido Interior/Capital teve de ser interditada por volta das 20 horas, o que deixou o trânsito lento no local. A empresa responsável pela rodovia estava trabalhando no local e pretendia liberar a pista o mais rápido possível.
Medição feita às 21 horas de ontem pelo IPMet mostrou que caíram ontem em Bauru 68 milímetros de chuva. A previsão do IPMet para hoje é de chuvas e trovoadas isoladas à tarde. A chuva que caiu ontem foi conseqüência de uma área de instabilidade que, além do Estado de São Paulo, também está atingindo o Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.
Defesa Civil está em estado de calamidade
A Comissão Municipal de Defesa Civil de Bauru está em situação de calamidade. Se a chuva de ontem fosse mais forte e tivesse feito desabrigados, a Defesa Civil não teria como abrigá-los por falta de colchonetes, cobertores, lonas e cordas.
O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, disse que, pelo tamanho da cidade, o órgão precisa ter em estoque cerca de 250 cobertores, 200 colchonetes, 200 lonas e cordas. No entanto, ontem, tinha uma ou duas unidades de cada um desses itens.
Ele reclamou da falta generalizada de materiais para trabalho, como rádio HT, capa de chuva, lanterna e botas, e para atendimento à população. Brito contou que ontem estava usando uma lanterna cedida por um amigo dele, pois a da Defesa Civil não está funcionando.
A comunicação está prejudicada porque o rádio HT através do qual a Defesa Civil comunicava-se com o Corpo de Bombeiros também está fora de operação por falta de pilhas. A viatura da Defesa Civil está sem rádio de comunicação que, de acordo com Brito, foi comprado pela Prefeitura, mas até agora não foi instalado pela empresa porque o equipamento ainda não teria sido pago.
Brito lembrou que a Defesa Civil tem R$ 42 mil a receber da parte que coube ao órgão com a extinção do Fundo de Habitação dos Municipiários. No entanto, segundo ele, ao pedir verba, a Prefeitura vem alegando falta de dinheiro. Ele não descarta a possibilidade de o futuro prefeito de Bauru, que será eleito hoje, enfrentar, já no início do ano, uma situação de calamidade.
Com os R$ 42 mil, segundo Brito, seria possível montar em Bauru Central de Emergências da Defesa Civil, com funcionamento 24 horas por dia. O custo de manutenção ficaria em torno de R$ 20 mil por ano, pelos cálculos do coordenador da Defesa Civil.