Sociólogo destaca presença jovem e segmentação
Texto: Fabiano Alcantara
O sociólogo Murilo César Soares, da Unesp, destacou a presença de jovens na Câmara de Bauru ao realizar uma análise do resultado das eleições. Outro aspecto levantado pelo pesquisador foi a presença do pastor Luiz de Jesus como o segundo mais votado. "Não vi nenhuma propaganda dele, o que pode revelar que ele fez a campanha junto a um segmento da população, que no caso são os evangélicos da Igreja Universal", afirma.
Além de ter tido um eleitorado segmentado, Luiz de Jesus
(PDT) também é jovem como outro vereador eleito: Renato Purini (PDT), que traz sobrenome de político já conhecido.
"Mesmo que sejam de família de políticos, trazem perspectivas de renovação", afirma.
O pesquisador também destacou a presença do ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), que provavelmente contou com os votos dos "ecológicos" para se eleger.
Fenômeno inédito
Na campanha para prefeito, a reeleição de Nilson Costa (PPS) representou um fenômeno inédito nas eleições brasileiras para o pesquisador. "Nunca tive notícia de um candidato que estava em terceiro lugar nas pesquisas tenha vencido uma eleição. Em 89, o Lula tinha 3% de intenção no começo da campanha para presidente e acabou indo para o segundo turno, mas a situação foi se desenhando durante a disputa", comparou.
O pesquisador, que estuda campanhas eleitorais há dez anos, disse que a passagem turbulenta do ex-prefeito Antonio Izzo Filho pode ter contribuído para a vitória de Nilson Costa, que se apresentou como uma pessoa calma, equilibrada e que teria conseguido superar o trauma que a cidade passou. O pesquisador ressaltou que os seus posicionamentos devem ser tomados como opinião, uma vez que ele não realizou nenhum estudo sobre as eleições de Bauru.
Vereador clássico
Para o historiador Maximiliano Martin Vicente, também da Unesp de Bauru, a eleição de novos vereadores representou a perda de espaço para o vereador "clássico". O pesquisador definiu como clássico o político acostumado a táticas clientelistas.
"A população deu uma lição de que não aceita mais promessas. Ela quer pessoas com pé no chão. Dinheiro e poder não elegeram", disse.
De acordo com ele, o incidente Izzo pode ter provocado uma revisão política entre os cidadãos de Bauru. Para Vicente, no entanto, a situação só poderia se configurada como uma renovação ideológica, caso se repetisse daqui há dois anos, nas próximas eleições.
"A Câmara pagou as consequências de Izzo Filho. As novas lideranças abrem espaço para novas idéias, novos temas", disse.
Da mesma forma que o sociólogo, Vicente viu a eleição de Rodrigo Agostinho como positiva para a renovação do Legislativo. Vicente também avaliou que ela abre uma premissa para que se dê mais importância para o meio ambiente.
Em relação ao pastor Luiz de Jesus, o historiador afirmou que o segmento evangélico tem uma característica particular: vota em bloco.
Vicente manifestou-se contra o coeficiente eleitoral, pelo qual divide-se os votos entre os partidos. "A votação não é real. Exclui lideranças para fortalecer os partidos", disse.