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Nélson Gonçalves
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Audiência define uma estação de esgoto

Texto: Nélson Gonçalves

Em audiência pública, ontem, o DAE divulgou que a região da Vargem Limpa é o melhor local para instalação da estação

A região da Vargem Limpa, na direção da divisa Bauru-Pederneiras, é o local mais adequado para a instalação de uma única estação de tratamento de esgoto em Bauru. Esta definição foi divulgada ontem, na primeira audiência pública que discute a melhor opção para o projeto de tratamento de esgoto na cidade. Na audiência, realizada no Teatro Municipal, técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e da Cerec, empresa contratada para o estudo técnico, também foi divulgado que o projeto mais viável para as condições de Bauru é de uma única estação de tratamento.

Com essas informações, o DAE pretende finalizar o estudo para o anteprojeto do tratamento de esgoto até o final deste ano. Ontem, representantes da autarquia e da empresa Cerec divulgaram os primeiros dados obtidos no estudo de viabilidade que está sendo feito em relação à cidade. Entre os dados mais importantes mencionados na audiência de ontem está o que determina o número de estações de tratamento (ETEs). O engenheiro José Ventura de Medeiros, da Cerec, mencionou que foram analisadas três propostas, de uma, três e sete estações, com base em levantamento anterior feito pelo DAE na gestão passada.

Entre essas possibilidades, a Cerec concluiu que o projeto mais viável para Bauru deve contemplar apenas uma ETE. Assim, a Cerec também estudou quais os locais mais adequados para a instalação da estação de tratamento. Levando-se em conta critérios como acidente geográfico, erosões (geografia), qualidade do solo e área disponível, a empresa contratada pelo DAE apontou três locais, sendo um na baixada do Parque Vista Alegre, um na Vila Falcão e um na Vargem Limpa (Bauru-Pederneiras).

A Cerec concluiu que, entre essas áreas, a que reúne melhores condições técnicas é da Vargem Limpa. O presidente do DAE, Sérgio Macedo comentou que a área já esteve sob decreto de utilidade pública. Sérgio Macedo disse que, ainda assim, não há dificuldades para que seja desapropriada. Uma das vantagens da estação ficar fora do meio urbano, de acordo com a tecnologia a ser empregada, é o mau cheiro. O DAE explicou que o lodo resultante do tratamento deve ser despejado em aterro sanitário.

No estudo que apontou as áreas possíveis para instalação da ETE, a Cerec também levou em conta dados obtidos em outras cidades. A conclusão foi que é "cada vez menos viável a instalação acima de três ETEs. O custo final é muito elevado". Apesar da definição da área mais viável e do número ideal de ETEs para a cidade, o estudo da Cerec vai apresentar para o DAE, até o final do ano, quais são as vantagens e desvantagens de cada uma das três opções analisadas.

O estudo da Cerec é projetado para um crescimento da cidade em 20 anos. A estimativa de capacidade de tratamento de esgoto

é para uma população de até 475 mil habitantes. O projeto comportaria a expectativa de crescimento da população, com a consequente medição da quantidade de esgoto a ser tratado. Hoje, segundo o DAE, a vazão de esgoto jogado nos rios, in natura, é de 1.200 litros por segundo.

Definidos o local e uma única ETE, a Cerec parte agora para apresentar ao DAE quais são as tecnologias mais adequadas para o tratamento de esgoto. Ontem, o engenheiro da Cerec, José Ventura de Medeiros, informou que serão apresentadas cinco alternativas diferentes, entre tecnologias individuais e combinadas entre si no processo. Entre as possibilidades, a próxima etapa do estudo vai apresentar opções com o tratamento por lodo ativado convencional e por batelada. O estudo também vai analisar a tecnologia batizada com a sigla inglesa UASB, que significa o uso de reator anaeróbio de manta de lodo e fluxo ascendente; outra é a UASB combinado com filtro biológico aerado submerso, outra tecnologia usa flotação e combinação com UASB e lodo.

Todas essas alternativas serão apresentadas para discussão pública no final deste ano. O DAE estima que a segunda audiência seja realizada no máximo até janeiro de 2001. Nesta audiência, segundo o DAE, já seriam apresentados custos de instalação, operação e manutenção do sistema de tratamento de esgoto. Com esses valores, será possível discutir o planejamento financeiro da obra, assim como o impacto do custo sobre os contribuintes, no caso de aprovação de uma fórmula com participação direta do cidadão, ao longo dos próximos anos.

A Cerec afirmou que todas as tecnologias disponíveis e em estudo poderão ser aplicadas, conforme a escolha, por servidores do próprio DAE. Para tanto, haveria a necessidade de treinamento específico. O sistema de tratamento, de acordo com a opção a ser escolhida, poderá empregar de 100 a 300 pessoas, estimou o engenheiro da Cerec, ontem. Paralelo à apresentação do estudo final, o DAE pretende obter a licença ambiental para o projeto. Além disso, a autarquia vai definir um cronograma de recuperação de interceptores já existentes e instalação em locais ainda não atingidos pela rede.

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