Geral

Exportação

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Novoeste inicia exportação entre Bolívia e Santos

Texto: Patrícia Zamboni

Em setembro a empresa começou a utilizar a ferrovia para transportar grãos e farelos diretamente da Bolívia para o Porto de Santos

No início do mês passado a Novoeste realizou, com sucesso, o primeiro embarque de soja e farelos saindo de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, diretamente para o Porto de Santos, no Brasil. Nessa primeira operação, 42 vagões graneleiros carregando 1,8 mil toneladas de carga completaram, em seis dias, os 2.500 km do percurso. De acordo com o diretor de operações da Novoeste, Luís Elesbão de Oliveira Neto, é a primeira vez que a Bolívia realiza uma operação de exportação pelo Porto de Santos.

"Esse transporte é inédito. Através da operação coordenada pela Novoeste, é a primeira vez que a Bolívia exporta produtos pelo Porto de Santos. O que é comum é o fluxo de trens do Brasil para a Bolívia, e não o contrário. Isso é extremamente importante para nós. Outro ponto de destaque

é que esse transporte é feito de setembro a fevereiro, exatamente quando nós entramos na época de entresafra no Brasil", diz Oliveira Neto.

De acordo com ele, durante todo o mês de setembro foram transportadas 7,2 mil toneladas de grãos e farelos. O objetivo da Novoeste é chegar à marca de 20 mil toneladas a contar deste mês, prosseguindo assim até fevereiro. A partir do próximo ano, a intenção é aumentar o volume mensal de carga transportada.

O trajeto é feito diretamente da Bolívia para Santos, sem parar em Bauru. Segundo Oliveira Neto, a passagem através dos trilhos da Ferroban (cujo acionista - a Ferropasa - é o mesmo da Novoeste e da Ferronorte também) é um direito da empresa. "Como o acionista é o mesmo, foi concedido à Novoeste o direito de transitar pelas linhas da Ferroban até Santos. Com isso, diminuíram os problemas operacionais que existiam antes, quando a carga precisava ser passada de um trem para outro, e o transporte também

é realizado com mais eficiência e rapidez", ressalta o diretor de operações da Novoeste. Esse direito está previsto no acordo de acionistas firmado na

época da privatização da Malha Paulista.

Outro fator de total relevância com a inauguração dessas operações é a geração de receita adicional para o Brasil. "A viabilização desse corredor de exportação deverá gerar, a partir do ano que vem, uma receita adicional de R$ 16 milhões anuais, bem como ampliar as possibilidades de comércio exterior do País e incrementar a integração latino-americana", destaca Luís Elesbão de Oliveira Neto.

Anteriormente, a soja era escoada de Santa Cruz de La Sierra até Corumbá e, de lá, seguia pela Hidrovia Paraguai-Paraná até o Porto de Nueva Palmeira, na Argentina, levando aproximadamente 15 dias para alcançar seu destino e tendo seu tráfego interrompido nas épocas de seca no Pantanal. Conseqüentemente, a receita gerada ficava centralizada no porto argentino, o que deixa de acontecer com a operação de exportação entre Bolívia e Santos.

Comentários

Comentários