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Josefa Cunha
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MP cobra da Prefeitura auxílio a autistas

Texto: Josefa Cunha

O promotor da Infância e da Juventude de Bauru, Lucas Pimentel de Oliveira, está cobrando há mais de três meses uma resposta da Prefeitura sobre uma solicitação para o auxílio a portadores da síndrome do autismo. O prefeito Nilson Costa (PPS), juntamente com vários de seus secretários, assumiu o compromisso de avaliar o pedido antes do final de junho, mas não se manifestou mais a respeito.

"Essa omissão da administração municipal está me desapontando muito", desabafou Oliveira, que já encaminhou, sem sucesso, dois ofícios à municipalidade em busca de uma resposta.

A colaboração da Prefeitura seria no sentido de viabilizar a abertura de mais duas salas de aula na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) para o atendimento a autistas que estão sem assistência. No dia 2 de junho deste ano, o promotor e representantes da Apae estiveram reunidos com o chefe do Executivo e secretários de governo para saber da possibilidade de a administração ajudar na construção das salas (que seriam erguidas anexas ao prédio da Apae), ceder dois professores e oferecer transporte gratuito aos nove autistas que necessitam de atendimento. "Não fui eu quem deu prazo. Eles próprios pediram 15 dias para dar uma resposta, mas até hoje não disseram nem que sim nem que não. Essa indiferença deixou todos indignados", disse. Vale lembrar que o promotor está envolvido no caso desde que os pais desses nove autistas reclamaram atendimento ao Conselho Tutelar da Criança, há cinco meses.

A ausência da administração municipal, porém, não desmotivou os envolvidos com a causa, que agora esperam contar com a boa vontade da comunidade. A mão-de-obra já estaria sendo acertada e o Ministério Público expediu declaração para oficializar a necessidade de se buscar materiais de construção junto à sociedade civil e iniciativa privada, notadamente do setor da construção civil. O problema, entretanto, é que de nada adiantarão as salas de aula se a Prefeitura não ceder os professores e o transporte.

"Não teremos como pôr em funcionamento essas novas salas sem os dois profissionais da educação que solicitamos. A Apae já tem dificuldades para manter seus funcionários; inclusive está fazendo campanha para angariar recursos para pagar as despesas empregatícias de final de ano. Contratar mais duas professoras será impossível", descartou Olga Bicudo Tognozzi, presidente da entidade.

A questão do transporte também é indispensável, principalmente porque a maioria dos pais dos autistas que carecem de assistência não tem condições financeiras de custear o deslocamento de seus filhos. Além do preço da passagem do ônibus circular pesar no orçamento, os pais alegam que seus filhos passam por constrangimentos. "Alguns passageiros tiram sarro do meu filho por ele ser diferente e eu não posso fazer nada", contou um deles.

O fornecimento do transporte, por sinal, está sendo pleiteado junto à Prefeitura em caráter imediato. Isso, porque a Apae já vem prestando, uma vez por semana, atendimento aos nove autistas que aguardam assistência contínua na fila. "Enquanto não temos espaço adequado para esses autistas, estamos realizando um trabalho preparatório

às sextas-feiras, o que exige a necessidade de transporte nesse dia", argumentou Tognozzi.

Atualmente, a Apae oferece assistência a 24 portadores da Síndrome do Autismo Infantil (nome que vale tanto para crianças e adultos). O grupo, que se divide em quatro salas, recebe tratamento de segunda à sexta-feira, com acompanhamento psicológico e pedagógico. Nas salas de aula, trabalham uma psicóloga, uma professora, uma auxiliar e uma fonoaudióloga, além dos profissionais médicos da área de psiquiatria e neurologia que prestam assistência em caso de necessidade.

Os nove autistas que aguardam disponibilidade de espaço e equipe técnica não foram inseridos nas salas existentes porque não se recomenda o tratamento da síndrome em grupos com mais de cinco pessoas. O atendimento dispensado aos autistas deve, indispensavelmente, ser específico e individualizado, uma vez que apresentam extremas dificuldades de interação social, comportamento e comunicação.

"Não poderíamos sobrecarregar os grupos só para dizer que estamos prestando atendimento. Nosso objetivo é o tratamento de qualidade para garantir a ascensão mental, física e social deles", ponderou a presidente da Apae.

Outra peculiaridade do tratamento aos autistas é a imprescindibilidade da rotina. A assistência tem que ser sistemática, intensiva e contínua, o que reafirma a necessidade do grupo ser atendido diariamente. Ainda de etiologia desconhecida, a síndrome atinge cinco pessoas em cada 10 mil nascidas, majoritariamente do sexo masculino. Dos 24 autistas que a Apae atende, apenas três são meninas; dos nove que aguardam vagas, somente duas.

Serviço

Os interessados em colaborar com a construção das salas para os autistas devem procurar diretamente a Apae, que desautoriza o pedido de donativos na rua. Telefones para contato: 234-3064 e 223-2834.

Materiais necessários

- 3.000 tijolos baianos

- 130 sacos de 50 quilos de cimento

- 80 sacos de 20 quilos de cal hidratada

- 23 metros cúbicos de areia fina

- 12 metros cúbicos de areia grossa

- 2.700 telhas francesas/romanas

- 100 metros quadrados de laje de forro pré-fabricada

- 4 metros cúbicos de concreto usinado FKC.15mpa

- 35 sacos de 20 quilos de cimento-cola

- 16 metros cúbicos de pedra número 2

- 5 latas de 18 litros de tinta látex

- 2 latas de 18 litros de látex acrílico

- 120 metros quadrados de piso cerâmico

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