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Seqüestro

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 6 min

Denúncia põe fim a seqüestro em Iacanga

Texto: Ricardo Polettini

Quadrilha de 11 pessoas planejava assaltar a agência bancária na cidade; 40 policiais participaram da operação

Uma denúncia anônima deflagrou uma megaoperação policial em Iacanga, na noite de sexta-feira, resultando na prisão de uma quadrilha de 11 pessoas, fortemente armada, que planejava roubar a agência da Nossa Caixa na cidade. Para isso, o grupo havia seqüestrado o gerente da agência, o subgerente e seu filho. As vítimas tiveram seus nomes preservados por medida de segurança e pelo estado emocional abalado.

A operação envolveu 40 homens, numa ação conjunta das polícias militar e civil de Iacanga, Bauru Arealva e arredores. As dez pessoas presas foram Zaqueu Teodoro de Faria, 30 anos, Paulo Henrique Caetano da Silva, 20, Tatiana Gervásio, 19, Cláudio Guimarães Silva, 22, Charles Donato Mendes, 24, Carlos Aristides dos Santos, 26, Márcio José Machado Dias, 24, Jeferson Rocha da silva, 19, o menor A.A.S.C., 17, Rogério Donato Mendes, 21 e Carlos Alberto Araújo Carneiro, 22, os dois últimos, foragidos da justiça que cumpriam pena por roubo.

Operação cinematográfica

Tudo começou por volta das 23 horas de sexta. Um caminhoneiro que chegava a Iacanga suspeitou de dois veículos que o seguiam, sem ultrapassá-lo, um Monza verde e uma Ipanema cinza.

Informada, a Polícia Militar localizou a Ipanema com três ocupantes, próxima à prainha de Iacanga. Ao avistarem os policiais, saíram em fuga.

Houve perseguição por várias ruas da cidade, mas a polícia acabou perdendo-os de vista. Ainda no patrulhamento, foi encontrado o Monza, que era dirigido por Zaqueu Teodoro Faria, acompanhado pelo menor A.A.S.C.

Os dois suspeitos foram, então, encaminhados à delegacia local. Faria tem familiares em Iacanga e seria o informante da quadrilha, que há cerca de dez dias estava planejando o crime.

Em seguida, de volta à patrulha, a Ipanema foi localizada abandonada numa das ruas da cidade. No interior do veículo, estavam 10 cartuchos calibre 380. O carro tinha as placas alteradas com fita isolante.

Próximo dali, a polícia abordou Paulo Henrique Caetano da Silva e Tatiana Gervásio. Ele tinha um rolo de fita isolante no bolso. Tidos como suspeitos, os dois que seriam uns dos ocupantes da Ipanema também foram encaminhados à delegacia.

Nova perseguição

Faltava o terceiro elemento que havia fugido após a perseguição. Uma viatura descaracterizada da PM saiu em busca dessa terceira pessoa, quando passou por ela um Omega e um Vectra em alta velocidade.

Foi pedido reforço para a nova perseguição. Uma das cinco viaturas do Tático 4 acabou localizando os dois veículos numa estrada vicinal próxima à cidade.

Quatro homens, dois em cada carro, abandonaram os veículos e fugiram em direção de uma plantação de laranja. Já eram quase 2 horas da manhã e a falta de luz ajudou-os na fuga.

Reféns

Vasculhando os carros, a polícia encontrou no porta-malas do Omega um casal de namorados. Os dois teriam sido abordados pelos bandidos numa rua escura de Iacanga, que os aprisionaram para roubar o carro.

Quando a polícia "puxou" as placas dos dois veículos, constataram que o Vectra era de propriedade do subgerente da Nossa Caixa e perceberam, então, que todos estariam envolvidos num esquema de assalto à agência bancária.

Mais denúncia

Enquanto isso, o Copom de Arealva pedia apoio para uma denúncia de que, num sítio daquela cidade, havia uma grande movimentação de pessoas "de terno e gravata" no local. No caminho, o comboio da polícia avistou uma Parati cinza.

O carro era do gerente do banco e estava sendo dirigido por Carlos Alberto Araújo Carneiro, foragido da justiça que cumpria pena de 14 anos por roubo, em São Paulo. Junto com ele estava Cláudio Guimarães Silva, armado com uma pistola 380.

Os dois acabaram confessando que participavam do esquema e que o gerente, mais o subgerente e seu filho haviam sido seqüestrados.

No entanto, naquela altura dos acontecimentos, a operação da polícia já havia atrapalhado os planos da quadrilha e os dois afirmaram que haviam libertado os reféns numa estrada próxima dali.

Telefonemas

Mais um telefonema anônimo dava conta de que um indivíduo suspeito se encontrava próximo à avenida 9 de Julho. A polícia acabou encontrando no terminal rodoviário de Iacanga Charles Donato Mendes.

Ele tinha uma passagem para Bauru e estava encharcado. Indagado, acabou confessando que havia fugido da polícia e perdido sua arma ao atravessar um rio. Ele seria um dos ocupantes dos carros abandonados próximos à plantação de laranja.

Outra denúncia levou a polícia a prender também Carlos Aristides dos Santos e Márcio José Machado Dias, próximo à zona rural da cidade, que também confessaram fazer parte do esquema.

Por fim, também por meio de uma denúncia anônima, a polícia foi informada de havia uma movimentação estranha numa pequena casa na periferia de Iacanga e que, possivelmente, uma família era mantida como refém.

Na verdade, na casa morava outro integrante, Jeferson Rocha da Silva, e seria a base da quadrilha na cidade. A casa foi cercada por policiais que, após aplicarem técnicas de gerenciamento de crise (usadas em casos em que há reféns envolvidos) negociaram a saída de Rogério Donato Mendes, 21 anos, foragido da justiça por roubo, que acabou se rendendo.

Ele seria o líder do grupo. No interior da casa, a polícia apreendeu um fuzil AR-15, dois carregadores de fuzil, farta munição, uma metralhadora FMK 9mm, um colete à prova de balas e uma pistola 380.

Premeditado

A quadrilha estaria planejando o seqüestro e o roubo à agência há cerca de dez dias. Zaqueu Faria e Jeferson seriam os informantes do grupo.

Os primeiros a serem seqüestrados teriam sido o subgerente e seu filho. Informados de que o cofre do banco não abriria somente com sua chave, os seqüestradores teriam ido à casa do gerente, fazendo-o também como refém.

Como parte da quadrilha começava a ser presa, incluindo vários aparelhos celulares, os contatos para conclusão do plano começaram a falhar e o grupo decidiu, então, liberar os reféns.

Erros graves

O tenente Hudson Covolan, comandante do Tático 4 em Bauru, explicou que dois erros graves da quadrilha acabaram estragando os planos do crime. O primeiro foi o de os bandidos acreditarem que as agências bancárias guardam grande volume de dinheiro em seus cofres.

Covolan lembra que os bancos possuem apenas dinheiro para circulação diária. Mesmo em dia de pagamento, os malotes só chegam às agências minutos antes de abrirem suas portas.

Outro erro foi achar que agir em cidades do Interior seria mais fácil, acreditando numa falta de estrutura policial. O tenente esclareceu que as polícias civil, militar e rodoviária são bastante integradas nessas cidades, interligadas entre si por comunicação, sendo raras as fugas nesses casos.

Os criminosos responderão por seqüestro, tentativa de roubo, cárcere privado, resistência à prisão, formação de quadrilha e porte de armas proibidas.

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