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Recuperação

Fabiano Alcantara
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Número de alunos enviados para recuperação despenca

Texto: Fabiano Alcantara

Nenhum aluno do ensino médio foi enviado para recuperação este ano, contra 801 no ano passado; informações foram divulgadas pela Direção Regional de Ensino

O quantidade de alunos enviados para recuperação no primeiro semestre deste ano foi muito menor que no mesmo período de 99. Os números foram divulgados ontem pela supervisora da Direção Regional de Ensino, Setsuko Katayama Kjaer.

A supervisora atribuiu a queda à greve deste ano e ao fato de os professores não terem feito opção por encaminhar os alunos para recuperação. Os dados que chamam mais a atenção referem-se ao antigo segundo grau, hoje conhecido como ensino médio.

Enquanto no primeiro semestre do ano passado 801 alunos foram encaminhados para a recuperação, no mesmo período deste ano nenhum aluno recebeu a assistência.

No ciclo 1, antigo primeira à quarta série, os número de encaminhados caiu de 5.562 para 3.052. No ciclo 2, antes conhecida como quinta à oitava, a queda foi de 5.630 para 1.725.

Outro dado: a porcentagem de número de alunos recuperados ao fim da assistência aumentou. No ciclo 1, de 56,9% para 65,69% e no 2 de 54,45% para 76,75%.

A recuperação paralela foi instituída com o sistema de ciclos e a progressão continuada. Com as mudanças, as séries tradicionais foram abolidas e o aluno só pode ser reprovado ao fim de duas, três ou quatro séries.

O sistema de ciclos é previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e incentivado pelo governo federal. De acordo com dados do Censo Educacional, divulgado na semana passada, 23% dos 35 milhões de estudantes do ensino fundamental estão matriculados em escolas que adotam o sistema de ciclos.

A crítica mais comum ao sistema é de que ele máscara o problema da repetência no País. Para o Ministério da Educação, ele é uma forma de manter a criança na escola.

Aluno analfabeto

A reportagem do JC ouviu três professores de uma escola estadual, que concordaram em dar entrevista com a condição de que não fossem identificados.

Uma das professoras disse que tem um aluno analfabeto cursando a sexta série, ou segunda série do ciclo 2, no sistema vigente. "A progressão continuada desmotiva o aluno. Ele sabe que vai passar de ano de qualquer jeito. Só vem para ter freqüencia", afirma E..

De acordo com outra professora, o sistema culpa o professor pelo baixo nível, mas o professor ficou impotente com o fim da reprovação simples.

"No ano que vem, os alunos que não fazem nada vão estar na mesma classe que os que se esforçam", diz J..

Para L., ao invés do governo impor a obrigatoriedade da progressão continuada, o professor poderia ter opção de reprovar ou aprovar. "Jogaram a responsabilidade nas nossas costas, mas tiraram a capacidade de decisão do professor."

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