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Prisão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

DIG/Garra identifica e prende 1º escalão do bando de ladrões

Texto: Rita de Cássia Cornélio

A polícia aguarda a decretação da prisão preventiva de todos os envolvidos identificados. Há suspeitas de que a quadrilha seja formada por mais de 30 pessoas espalhadas por todo o Estado de São Paulo.

Uma das mais temidas quadrilhas de ladrões do Estado de São Paulo foi desbaratada pela equipe de investigação da DIG/Garra de Bauru. Seis pessoas, do "primeiro escalão" estão na cadeia e a sétima foi para Febem.. A prisão do bando refletiu de forma imediata e acentuada no índice de roubos e furtos de veículos, estabelecimentos comerciais e residências de Bauru. Duas mulheres estão presas e uma delas teve que ser transferida para o presídio de Tremembé/SP, pois havia suspeita de que seria resgatada pela quadrilha. A polícia desconfia que o bando tenha ramificações em todo o Estado de São Paulo e por isso, o trabalho de investigação ainda não terminou. Sabe-se que os integrantes dessa "seccional" são os responsáveis por inúmeros delitos ocorridos nos últimos seis meses na cidade e na região. As investigações tiveram início há mais de dois meses quando o número de furtos de veículos tomou proporções alarmantes. Todos os dias eram furtados uma média de 1.5. A equipe de investigação da DIG/Garra tinha vários suspeitos, porém não havia provas suficientes para prendê-los. Os trabalhos foram intensificados com rondas noturnas e numa dessas rondas um dos integrantes da quadrilha foi preso. A prisão foi o início da "meada" que levou a polícia até os demais envolvidos. Vários carros foram recuperados e depois da prisão dos envolvidos, os furtos de carros deixaram de acontecer ou acontecem em escala mínima. Os furtos de motos continuam acontecendo e o titular da DIG/Garra, delegado J.J.Cardia promete dar o mesmo tratamento aos ladrões de moto, todos para a cadeia. "Estamos investigando e quando chegarmos a uma conclusão pediremos a prisão de todos os envolvidos", garante. Bando ou quadrilha

A equipe de investigação da DIG/Garra, comandada pelo delegado Silberto Sevilha Martins já concluiu o caso e enviou o relatório para a Justiça com o pedido de prisão preventiva. Os inquéritos individualizados incriminam cada um dos integrantes por suas funções dentro do bando e pela formação de quadrilha. As evidências de que os ladrões agiam em conjunto e de forma organizada foi obtida com o cruzamento de informações sobre o "modus operandi" e a descrição fornecidas pelas vítimas sobre os autores dos crimes. Mas, o convencimento de que tratava-se de quadrilha com ramificações em todo o Estado de São Paulo foi obtida com o resgate de presos da cadeia pública de Pederneiras. Ação esta que demonstrou ainda, que as quadrilhas estão migrando para o Interior Paulista. Sem queimar a cara

A polícia suspeita que o chefe da "seccional Bauru" da quadrilha era um morador do Geisel, conhecido como "Paulinho do Geisel." Paulo Roberto de Camargo, seu nome verdadeiro é um daqueles marginais temidos e que pouco aparece na linha de frente, ou seja, "não queima a cara", no linguajar marginal. Ele, em companhia de terceiros é responsável por vários delitos ocorridos em Bauru. Antes de ser preso, tentou ludibriar as vítimas para não ser reconhecido. Cortou o cabelo bem baixinho e tingiu de cajú. Para completar o novo "look", acrescentou um óculos de grau, mesmo não tendo necessidade para isso. Porém, as vítimas não titubearam em reconhecê-lo. Dinheiro na poupança

Fatos pitorescos foram descobertos pela polícia durante as investigações. Os comparsas de "Paulinho do Geisel", Eliziario Batista Bezerra, André Francisco de Almeida, Douglas André de Azevedo e Marcelo Costa, em plena luz do dia e munidos de arma de fogo, praticaram um assalto em uma locadora de CDs. Subtrairam cerca de R$ 130 mil em cheques, R$ 1.200 em moeda corrente e aproximadamente 380 CDs. Parte dos cheques foram depositados na conta poupança de Sandra Regina Lopes, companheira de Paulo Roberto de Camargo. Eliziario Batista Bezerra e V.M.C., usando de violência e grave ameaça praticaram um assalto em uma residência do Jardim Estoril. Subtrairam muitas jóias que foram repartidas entre os integrantes do bando. André Francisco de Almeida, em seu depoimento afirma que as armas utilizadas no crime lhes pertenciam, mas que apenas emprestou aos amigos, V.M.C. e Eliziario. Garantiu que não teve participação direta no assalto, mas "correu junto" e por isso recebeu parte das jóias, a título de comissão. Almeida foi categórico em afirmar para a polícia que Eliana Vieira de Freitas foi quem "deu a fita" ou seja, foi ela quem deu as dicas para o roubo. Ela nega e afirma que as jóias chegaram até ela, pelas mãos de "Paulinho do Geisel." Durante as investigações, chegou ao conhecimento da equipe que Sandra Regina Lopes teria ido até São Paulo para penhorar parte das jóias na Caixa Econômica Federal. Quartel General

Nos depoimentos dos envolvidos, a casa de Eliana Freitas aparece como se fosse um "Quartel General" da quadrilha. Na residência eram realizadas as reuniões preliminares e as posteriores. O local também servia para reuniões de lazer. Era ali que os integrantes da quadrilha se juntavam para saborear as vitórias regadas a sexo, drogas e pagode. A polícia conclui que a residência era o local usado para o planejamento do crime, divisão dos resultados, além de acolher as festas em comemoração as vitórias. Atacando a região

André Francisco de Almeida e sua companheira Regiane Cristine Lopes(irmã de Sandra Regina Lopes), cunhada de Paulo Roberto de Camargo) juntamente com Ricardo Andrade da Silva e V.M.C. saíram de Bauru e foram para a cidade de Barra Bonita para praticarem um roubo. Lá cometerem o crime e fugiram para a cidade de Pederneiras, onde roubaram um veículo. Foram perseguidos pela polícia. V.M.C. conseguiu escapar ao cerco policial. Seus parceiros foram detidos e autuados em flagrante. André e Ricardo ficaram presos em Pederneiras por pouco tempo. V.M.C. em companhia de outros integrantes da quadrilha resgataram os presos. Antes que Regiane Cristine Lopes fosse resgatada da cadeia de Cabrália Paulista, a polícia transferiu-a para o presídio de Tremembé/SP. V.M.C. e Alessandra Aparecida Maciel (amásia de Eliziario Bezerra) foram autuados em flagrante por tráfico de entorpecentes, oportunidade em que foram apreendidas armas de fogo reconhecidas pela vítimas do Jardim Estoril de Bauru. Presos

Paulo Roberto de Camargo, conhecido por "Paulinho do Geisel"; Sandra Regina Lopes; André Francisco de Almeida, conhecido por "Febem"; Eliziario Batista Bezerra e Ricardo Andrade Silva , conhecido por "índio" foram indiciados por cada um dos crimes cometidos por eles. Todos foram indiciados por formação de quadrilha. V.M.C. é inimputável, nascido em 82 e por isso, se livrou do indiciamento, mas está na Febem.

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