MPEs registram aumento de faturamento
Texto: Paulo Toledo
O faturamento médio de agosto das micro e pequenas empresas (MPEs) no Estado de São Paulo foi 14,2% maior do que o registrado no mesmo mês de 99, de acordo com dados da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada em conjunto pelo Sebrae-SP e pela Fundação Seade. Em relação ao mês de julho deste ano, o crescimento do faturamento médio das MPEs ficou em 5,2%.
Se comparado o faturamento agosto deste ano com agosto de 99, o resultado, consideram os técnicos do Sebrae-Seade, foi bastante influenciado pelo desempenho do setor industrial, que registrou uma alta global de 25,9%. Além disso, o comércio teve um crescimento de 8,2% e o setor de serviços de 14,9%. Se a comparação for com julho de 2000, a indústria apresentou crescimento de 15%, comércio de 2,5% e o setor de serviços foi o único a ter uma pequena queda, de 0,4%.
Foram três os segmentos industriais que mais se destacaram, registrando forte expansão na atividade econômica frente a uma base de comparação deprimida verificada no mesmo período do ano passado. No primeiro deles, o de não-duráveis, foi detectado um aumento no faturamento de 47,6%. Em seguida, destaca-se o segmento de bens de capital e duráveis, com um desempenho positivo de 17,4% e, finalmente, o de bens intermediários com uma alta no faturamento de 11% em agosto.
Para o delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, o desempenho da MPEs vem seguindo a mesma tendência do desempenho macro: crescimento.
De acordo com ele, as elevações sucessivas apresentadas pela indústria tem puxado o bom desempenho das empresas fornecedoras de suprimentos para esse setor. Ele lembra que as MPEs têm grande "vocação" como fornecedor de insumos para as grandes empresas.
Para Cafeo, em que pese a pressão externa, provocada pela crise do petróleo, e até mesmo o repique inflacionário, os resultados são muito positivos. "Evidentemente que, nesse caso, há problema na base de comparação, ou seja, o ano de 1999 ofereceu uma base subavaliada", ressalvou.
O delegado co Corecon diz que, em agosto, o reflexo no comércio não é tão significativo, mas apresentou crescimento de 2,5%, em relação a julho deste ano.
Os serviços, destaca Cafeo, grande abrigo dos desempregados e os que se lançaram em novos empreendimentos, é que não vem acompanhando a tendência de crescimento do mercado: faturamento em queda de 0,4%, se comparado com julho. "Isso demonstra que há uma migração para a indústria e, ao mesmo tempo, a forte concorrência está forçando a queda de preços do setor, indicando, maior volume, todavia, sem manter o valor do faturamento", analisa.
Emprego
A Pecompe apontou, ainda, que as MPEs continuam apresentando alta significativa o item "Pessoal Ocupado". Em agosto de 2000 o número de trabalhadores nessa categoria de empresas foi 8,3% maior que o mesmo mês do ano anterior, o patamar mais elevado desde o início da série da pequisa, em janeiro de 98.
Acompanharam a variação positiva no mês os "Gastos com Salários", com elevação de 18% em relação a agosto do ano passado.
Cafeo, com base na Pecompe, afirma que, no Interior do Estado, o crescimento é mais modesto, mas vai no vácuo do resultado geral: indústria com desempenho acima dos demais setores.
Tendência
Como tendência para os próximos meses, os técnicos do Sebrae-Seade apontam para a consolidação da recuperação do nível de atividade econômica nas empresas, com aumento no faturamento e nível de emprego impulsionados pelos fatores sazonais dos últimos meses do ano.
Pela análise da pesquisa, o técnicos afirmam que também tendem a favorecer esse processo de recuperação as condições macroeconômicas mais favoráveis, tais como taxa de juros, que embora elevada,
é a mais baixa dos últimos três anos, taxa de câmbio favorável às exportações
(beneficiando indiretamente as MPEs), taxa de inflação sob controle, após o repique dos meses de julho e agosto e a expansão do nível de pessoas ocupadas e da massa de salários na economia como um todo.
Cafeo concorda e diz que o indicativo é que se tenha um crescimento mais consistente nos próximos meses, indicando que as MPEs do Interior do estado podem se aproveitar desse bom momento da economia. "Podemos estar dando seqüência a um ciclo virtuoso, que só não será mais intenso em função das indefinições externas", afirma.
O delegado do Corecon diz que, considerando que a crise do petróleo está afetando todo o mercado internacional, poderá ocorrer uma solução também global, favorecendo mercados emergentes como o brasileiro.
Para Cafeo, as MPEs estão demonstrando que são e continuarão a ser o grande oásis de oportunidades para geração mais incisiva de emprego e renda.