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Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

Aproveitando os dias na praia

Texto: Roberta Mathias

O calor está chegando e os feriados também. Hoje

é dia da "Padroeira do Brasil" e muita gente vai aproveitar para descansar e ir à praia. Depois vem finados e as festas de final de ano, são períodos de passeio em família. Aí o pescador, muitas vezes cansado da correria do dia-a-dia, não está com muita energia para suportar as "farofas" na praia e ainda ter que dividir o espaço com centenas de pessoas.

Para aproveitar a viagem e desfrutar de seu lazer predileto, o pescador prevenido carrega sempre a tralha. O brasileiro pescador já é um privilegiado, pois vive em um país que possui uma das maiores áreas costeiras do mundo: 7.367 quilômetros de extensão em linha contínua. Além disso, a costa brasileira é pontilhada por uma grande variedade de animais, vegetais e, o que é mais importante, mais de 800 espécies de peixe. É difícil não pescar em nossas águas.

Portanto, não há motivos para evitar os insistentes pedidos da família em seguir para o litoral. Acompanhe a turma e não esqueça os equipamentos, que devem ser resistentes à água salgada.

O primeiro procedimento do pescador é fazer o reconhecimento do ambiente. Conversar com pessoas que moram na região auxilia bastante, é nessa hora que surgem novas amizades e histórias e é quando o pescador encontra oportunidades para saber onde adquirir iscas e descobrir o ponto de encontro dos "historiadores".

Depois do papo, o pescador também deve fazer a leitura da área, observando atentamente a praia e o movimento da maré. É importante ter em mente que os peixes procuram os canais para se alimentar. Acompanhando o vai e vem da maré

é possível localizar canais mais próximos, que possam ser alcançados em arremessos de 40 a 100 metros. A vara deve ser apropriada com um tamanho que atinja, em média, o dobro da altura do pescador, normalmente variam de 3 a 3,9 m, assim, o pescador faz menos esforço ao arremessar. É necessário ficar atento também às iscas e chumbadas, pois a correnteza exige chumbos em formato de pirâmide pesando até 90 gramas.

O molinete, que pode ser leve ou médio, deve carregar cerca de 200 metros de linha, entre 0,18 mm e 0,25 mm de diâmetro. O uso de shock leader é fundamental para reduzir o impacto do arremesso.

Para a tranquilidade e sucesso de sua pescaria, evitar os horários de maior movimento é quase fundamental. Manhã e fim de tarde são os escolhidos. Buscar um local mais afastado, com poucos banhistas é outra sugestão. Camarões são excelentes iscas, que devem estar firmemente presos ao anzol. Caso haja interesse em consumir o peixes fisgados, lembre-se de levar apenas os exemplares com mais de 20 cm, o restante, libere. Dependendo da espécie, ainda maior. Com sorte, você terá momentos de muito prazer e sua família também. Além, é claro, de histórias para contar.

O que você pode pegar

CORVINA - Micropogonias furnieri

Família: Sciaenidae

Nome em inglês: Atlantic croaker

Comprimento: até 70 cm.

É espécie costeira, encontrada em fundos de lama e areia. Ocorre também em águas estuarinas, principalmente os indivíduos jovens. Chega a pesar 3,5 kg.

CAÇÃO - Lambaru, Cação-lixa

Ginglymostoma cirratum

Família: Ginglymostomatidae

Nome em inglês: Nurse Shark

Comprimento: até 4,2 m.

Pode chegar aos 500 Kg. É espécie ovovivípara, nascendo até 25 filhotes por ninhada. Tem hábitos sedentários e fica imóvel por longos períodos no fundo arenoso, em águas rasas.

PARATI - Mugil curema

Família: Mugilidae

Nome em inglês: White mullet

Comprimento: 40 cm

Vive em águas salobras de estuários de rios e lagoas litorâneas, e também em águas salgadas. Forma cardumes pequenos. Revira o fundo de areia ou lodo, em busca de invertebrados, musgo e microorganismos, seus principais alimentos.

PAMPO - Trachinotus carolinus

Família: Carangidae

Nome em inglês: Common pompano

Comprimento: até 60 cm

Chega a pesar 3,5 Kg. Forma cardumes grandes, ocorrendo desde os EUA até o Rio Grande do Sul, no Brasil.

************* História de pescador ****************

Peixe em sociedade

Depois de reuniões com o grupo para tomada de decisões, inúmeros telefonemas - em um dos quais do outro lado alguém disse com voz sonolenta: "Moço por favor, liga mais cedo que aqui a gente dorme cedo!" - chegou o grande dia! Partimos para o Alto Araguaia em busca dos grandes peixes(?), pelo menos era essa a grande ansiedade que nos norteou durante todos os preparativos.

Depois de cruzarmos a fronteira de quatro Estados, com a velha dor nas costas que sempre nos acompanha nestas caminhadas de milhares de quilômetros, chegamos ao paraíso da Fazenda Casa Branca (MT), onde fomos recepcionados por pessoas encantadoras, que mais pareciam velhos amigos encontrando-se para uma grande festa de confraternização.

Mas como nada é perfeito e como diz o velho ditado "em casa de ferreiro espeto é de pau", nosso companheiro dr. Hélder começou a sentir fortes cólicas abdominais, mesmo estando medicado e com as dores aumentando, decidiu retornar a Bauru. O grupo ficou constrangido com o fato, mas, diante da constante insistência do amigo e companheiro, continuamos na sonhada empreitada de lazer sem ele.

Dia seguinte, expectativa dos grandes peixes, iscas a postos (coração de boi) e nada de peixe.

- O que os peixes estão comendo?

- Iscas vivas.

- E como consegui-las?

- Na lagoa, com varinhas.

Para nós, que levamos os melhores molinetes, carretilhas, varas de resistência média ou pesada, linhas e anzóis especiais, é ridículo falar em pescar lambaris, piaus e outros peixinhos menos nobres em lagoa, afinal, isso a gente faz por aqui mesmo, nos finais de semana. Mas infelizmente, sem eles você também não pesca os grandes peixes.

Resumo disso tudo, junto à sua "traia", tenha sempre disponível a velha varinha de bambu, pronta para entrar em ação, pois mesmo nos grandes rios ela será sempre bem-vinda.

Mas como todo bom pescador é paciente, com muito esforço conseguimos algumas iscas vivas e fomos à batalha. Alguns puxões (diferentes dos pesque-pague), algumas linhas estouradas e aconteceu o inacreditável.

Fim de tarde, dois barcos apoitados lado a lado: eu e meu amigo Edvaldo (Dep. Sem Limites) de um lado; Torrão (Clube dos Jipeiros) e Zilton no outro. Lancei minha linha na carretilha e o Edvaldo lançou a dele. Claro que como todo pescador afoito uma vara é pouco, colocou a vara de espera ao lado do motor de popa e voltou-se para preparar outra. Nisso, o peixe pegou e lá se foi vara com molinete, linha e tudo para

água. Neste momento, parou e ficou chateado, lamentando-se não pela perda do equipamento, mas sim pela perda do peixe.

O Torrão, como pescador experiente, do outro barco nos aconselhava a soltar o barco e tentar "pescar o equipamento de um ponto mais abaixo no rio". Seguindo as recomendações do amigo, preparávamo-nos para seguir seu conselho, quando acontece um forte puxão na minha vara. Imediatamente fisguei e senti pesar. Meu equipamento leve, carretilha, linha 0.37, fricção regulada e toma linha, tenta cansar a fera e a disputa começa. O Edvaldo assistia a tudo constrangido e calado, lamentando o ocorrido há alguns instantes. Depois de algum tempo vem

à tona meu chumbo, logo abaixo o anzol e a vara com o molinete do Edvaldo. Quando ele observou aquilo, seu semblante tornou-se de festa e gritou:

"Paulo, é a minha carretilha, agüenta que o peixe ainda está preso!"

Consequência: ele acabou tirando uma linda cachara de 9,5 Kg, que depois acabou sendo o troféu da pescaria.

Este fato, por mais incrível que pareça, não

é história de pescador, que sirvam de testemunhas o Torrão e o Zilton, que assistiram a tudo de camarote e, por que não, com uma pontinha de inveja em fisgar uma bela cachara em sociedade.

Apesar de poucos exemplares capturados, tudo foi maravilhoso e relaxante, com promessas de retorno. Agradecemos à hospitalidade dispensada a nós pelo pessoal da Fazenda Casa Branca: ao sr. Antônio e sra. Marina, João Batista e Mariane; e em especial ao Netinho (Trem), Verônica, sua esposa; ao Ailton, ao Neguinho e à sua esposa; que Deus abençoe toda essa gente que lavra a terra do raiar do sol até o entardecer. Hoje entendemos o seu pedido inicial ("liga mais cedo..."), enfim, a toda essa gente que nos recebeu com tanto carinho. Obrigado.

Paulo Prebianchi é pescador e contador de histórias

*************** Troféu pescador *************

Antônio Aguiar foi comemorar o aniversário no Pesqueiro Sakai. Junto com a família, o pescador pegou vários piauçus. Parabéns e boas pescarias para os Aguiar!

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