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Infância

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

Falando de infância...

Texto: Roberta Mathias

Neste mês, comemora-se o Dia da Criança e o nosso jornalzinho também está em festa, pois é no dia 12 de outubro que fazemos aniversário. Mas, apesar disso, sabemos que dia de criança - como de mãe, de pai, de tia, de avó - é todo dia. Todo santo dia a gente precisa lembrar que é criança e aproveitar a vida como criança. Porque, depois, quando a gente cresce, lamenta que não aproveitou a infância. "Eu era feliz e não sabia!" Mas ainda há tempo, pois mesmo grande, é possível aplicar o que a gente aprende quando é criança. Talvez, seja uma época para a gente refletir sobre a infância e aproveitar mais esta fase tão gostosa.

Dia desses recebi um e-mail muito legal que falava sobre o assunto. Logo no começo dizia: "Tudo o que preciso saber hoje

(era um adulto que escrevia), aprendi no jardim da infância". A mensagem mostrou, com simplicidade, que as idéias principais de nossa vida, a gente aprende quando é criança. Coisas do tipo: "compartilhe tudo; coloque as coisas de volta onde pegou; arrume a sua bagunça; não pegue as coisas dos outros; peça desculpas quando machucar alguém; lave as mãos antes de comer; dê descarga; respeite o outro; coma biscoitos quentinhos com leite frio, pois fazem bem a você..." Dizia, inclusive, que a sabedoria não se encontra no "topo de um curso de pós-graduação". Quando a gente é criança observa mais e pergunta mais. Depois cresce, reclama mais e pergunta menos. A gente descobre que cresceu quando começa a deixar de lado as pequenas coisas e só se preocupa com "prioridades".

A vida deve ser equilibrada e simples: aprenda um pouco, pense um pouco, desenhe, pinte, cante, dance, brinque e estude um pouco todos os dias; tire uma soneca à tarde; quando sair de casa, cuidado com os carros. E assim deveria ser... sempre. Mas

é preciso crescer sem pressa. Tudo em seu tempo.

Agora, se os adultos sabem que a infância é o melhor período de nossa vida, por que é preciso fazer um monte de atividades que reduzem o tempo para as brincadeiras? Uma vez eu ouvi uma criança de 9 anos falando assim: "Estou fazendo inglês para melhorar o meu currículo". Será que não seria melhor ir brincar com a turma?

Há bem pouco tempo, a criançada tomava conta das ruas. Em turmas, faziam jogos, soltavam pipas, brincavam de búrica, pião, pula-sela, pega-pega, pulavam amarelinha, contavam histórias de terror, inventavam brincadeiras, faziam campeonatos de bolinha de gude... Nossa, tinha tanta coisa para fazer que um dia inteirinho era pouco.

Hoje, não é difícil chegar o final de semana e alguém falar: "Ô mãe, o que é que eu vou fazer hoje?". Aí, sem uma idéia mais criativa, o computador é a saída. E lá se foi o final de semana. Aí vem a segunda-feira, e começa tudo de novo: aula, inglês, judô, reforço, computação... e muitos outros cursos que a meninada frequenta. Exaustos, ainda tem a "tarefa" para fazer.

É preciso equilibrar e dividir o tempo para estudar, praticar esporte, brincar, jogar videogame, ler e conversar com amigos sempre.

Como será a infância das crianças que ainda vão nascer? Será que novos jogos serão criados? Vamos estudar sem precisar ir para a escola?

O JC Criança desafia você a descobrir algumas brincadeiras que fizeram, e em alguns lugares ainda fazem, muito sucesso entre a garotada. Quem sabe você arruma um tempinho nessa correria toda e convida a sua moçada para passar um dia todo BRINCANDO!!!!

Dizem que em Roma já foi assim...

"Nas pinturas e nos baixos-relevos apareciam crianças andando de patinete, pulando corda, empinando papagaio, jogando ioiô e até mesmo brincando em balanços. Pequenas pedras, em que apareciam desenhos de olhos ou círculos coloridos, serviam como bolas de gude. As varetas de osso faziam muito sucesso. Os piões de madeira eram rodados com uma correia.

Entre os brinquedos mais apreciados, estavam os animais de madeira ou terracota (argila modelada e cozida em forno) montados sobre rodinhas. As crianças os puxavam. Às vezes, as crianças possuíam um pequeno carro, proporcional ao tamanho delas, puxado por cabras, cabritos, pôneis ou cachorros.

As bonecas de pano ou de cera colorida não resistiram ao tempo. Em compensação, encontraram-se bonecas articuladas, feitas de terracota, madeira, osso ou marfim, representando uma menina que podia mexer-se ou trocar de roupa. (Charles Guittard

& Annie-Claude Martin - em Próximo ao Mediterrâneo, os romanos)

No Brasil colonial

"A vida das crianças na época colonial era, ao mesmo tempo, muito boa e muito ruim. Muito boa era a liberdade que os meninos tinham nas fazendas, até 10 anos, quando sua principal ocupação era brincar e correr na companhia dos escravos da mesma idade. Nem sempre era possível mandá-los

à escola e por isso arrumavam-se aulas na casa-grande, com um professor improvisado. Às vezes, essas aulas eram compartilhadas por crianças brancas e negras.

Sorte do menino que pudesse aprender a ler e a escrever em casa! Nas escolas da época colonial exigia-se muita disciplina dos jovens e qualquer descuido era severamente castigado. O mestre punia seus alunos com o mesmo rigor que o senhor do engenho punia seus escravos. Se o menino não estudasse era obrigado a ficar em pé, de braços abertos... se fosse surpreendido numa risada mais alta, recebia de castigo um chapéu de palhaço para usar sobre a cabeça. Isso sem falar no costume de fazer a criança ajoelhar no milho e castigá-la com a palmatória ou com a vara de marmelo... (hoje tudo isso seria considerado tortura!).

Aos nove ou dez anos, o menino passava a ter atitudes de adulto: cabelo sempre penteado, colarinho duro, roupas e sapatos pretos, expressão severa e nada de travessuras em público. Diante do pai e de pessoas mais velhas devia permanecer em silêncio e sempre tomar-lhes a bênção.

Quanto às meninas, raramente eram mandadas à escola. Seu analfabetismo era considerado uma virtude, como a quadrinha da época:

Menina que sabe muito

É menina atrapalhada

Para ser mãe de família

Saiba pouco ou saiba nada.

As meninas não tinham licença para brincar livremente com os meninos mais novos. Deviam apresentar-se em silêncio, com ar acanhado e humilde. Casavam-se muito cedo, aos 12, 13 ou 15 anos de idade, às vezes com senhores vinte ou trinta anos mais velhos que elas. Os namoros aconteciam nas igrejas, de forma muito discreta: limitavam-se a simples olhares ou sinais feitos com o leque..." (Gilberto Freire - Casa-grande e Senzala)

E amanhã...

"Como será a raça humana, as brincadeiras e jogos daqui a mil anos?

Você imagina como poderiam ser as brincadeiras, passatempos, jogos eletrônicos, diversão e tudo mais daqui a mil anos? Tudo poderia ser diferente e com um novo visual, aliás, até as pessoas poderiam mudar suas características. Esses seres que dizem ser extraterrestres, poderiam até ser os seres humanos! Eles sofreriam uma grande mudança, claro, nas características e o que não precisasse podia ser tirado, como dentes, cabelo, muitos dedos... seriam brancos e com grandes olhos, uma cabeça grande para uma maior inteligência e viajariam no tempo (passado e futuro) e assim que poderiam ter chegado à nossa época.

As brincadeiras e jogos poderiam passar por uma grande mudança e os esportes seriam diferentes. O futebol, por exemplo, podia ser formado por robôs e uma bola metálica. O campo seria um tipo de imã que movimentava os robôs-jogadores e a bola, ou, também um outro tipo que seria feito por atletas humanos mesmo, com roupas especiais para esporte e o tipo de atividade.

Os jogos eletrônicos seriam totalmente virtuais, com os computadores ligados ao cérebro das pessoas e de lá controlavam tudo o que o jogo oferecia. Poderia ser um jogo de esporte, um jogo de ação e até de uma aventura mais complexa, que o próprio personagem é a pessoa. As crianças poderiam se divertir jogando dados e bolas magnéticas em campos de areia e metal.

Mas antes de tudo isso, o ser humano deve aprender a cuidar da natureza, a não fazer queimada, não jogar lixo nas ruas e causar muita poluição, que, com certeza, conseguiremos acabar, um dia, com tudo isso. Viveríamos num mundo de paz, brincadeiras, muita felicidade e solidariedade entre as pessoas.

Por outro lado, o mal que pode acontecer:

Se não acabar com essa violência, pobreza, poluição e destruição do meio ambiente, podemos ter um péssimo futuro, com sujeira nas ruas, mendigos por todos os cantos e as cidades todas industrializadas e cheias de fumaça e ar de maldade. As pessoas seriam concorrentes umas das outras; quem fizesse melhor, conseguia; ninguém ajudaria ninguém. Guerras por suprimentos de comida, seres criados geneticamente soltos nas ruas...

Tudo isso poderia fazer parte de um mundo mal cuidado no passado. Por isso, devemos manter as cidades limpas, sempre ajudar as pessoas e fazer o possível para um mundo melhor.

Flávio Croffi de Camargo tem 13 anos, faz a 7.ª série na EE "Prof. Antônio Guedes de Azevedo".

Colaboraram: Neli Viotto, Gabriel Pelegrina e Célio Gonçalves.

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