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Combate à erosão

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 6 min

Prefeitura prioriza combate à erosão

Texto: Erika de Lima

Prefeitura decide investir em alguns departamentos para se precaver das intensas chuvas e, assim, evitar tragédias em pontos críticos da cidade, que têm barracos sob risco de desabar

Sustos com casas desmoronando, descascamentos de asfalto e famílias desabrigadas devido a apenas um dia de chuva forte, levaram a Secretaria de Obras a acelerar a execução das obras no município. A partir desse, quadro a Secretaria resolveu dar prioridade ainda neste ano para as erosões existentes em três bairros: Pousada da Esperança, Jardim Andorfato e Parque Jaraguá.

Por existirem nesses bairros áreas consideradas de risco, o titular da Secretaria de Obras, Edmilson Queiroz Dias, afirma que há um acompanhamento constante da Secretaria e da Defesa Civil nesses locais, para evitar qualquer infortúnio durante o período de chuvas fortes. "Com o trabalho que estaremos desenvolvendo já neste ano essas erosões não serão mais uma ameaça para a população local. A tendência dessas regiões é ter infra-estrutura para que, com as chuvas, as erosões não prejudiquem mais os moradores", garante.

O investimento nas galerias e cachimbos (equipamentos que detêm a erosão e o assoreamento do rio) será realizado com o orçamento de 2001. O processo para acabar com as erosões ou, pelo menos, regredi-las será iniciado com a colocação de cachimbos, sistema de construção aplicado no fundo do córrego para evitar o assoreamento, e depois com a instalação de galerias de águas pluviais.

Não são apenas os três bairros que receberão infra-estrutura, mas segundo Dias, outros, como o Parque Roosevelt, que têm áreas de risco.

Mesmo com o projeto em andamento, há muitos moradores que continuam aflitos, temendo que as fortes chuvas retornem antes da obra e derrubem seus barracos. É o caso da doméstica Maria Aparecida de Oliveira Martins, 38 anos. Ela e mais 11 pessoas da família - oito delas são crianças - vivem num barraco que está há pouco menos de 30 centímetros da erosão do Parque Jaraguá. "Nós já vimos um pessoal da Prefeitura aqui, mas não disseram que iam resolver o problema. Agora esperamos que algo seja feito, enquanto não é tarde demais", cobra.

Além da família de Maria Aparecida, há também a do pedreiro Hudson Aparecido dos Santos, 20 anos, que mora com oito pessoas na rua José Portela Cunha. "Nós vivemos, diariamente, com medo de que nossas crianças caiam no buraco, onde há a erosão. Esperamos providências, pois as chuvas fortes causam enchentes e também nos deixa isolados", relata, inconformado.

Quando chove, a moradora Aparecida de Fátima Nicolau, 28 anos, pega seus três filhos e o marido e fica atenta. "Seguro as crianças e, se ouvir algum barulho, saio correndo com todos. Se é noite, nós nem dormimos", conta.

O presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec),

Álvaro José de Brito, diz que há um projeto de conscientização sendo realizado nas regiões críticas da cidade. "Nós conversamos com as famílias para que saibam quais medidas tomar em tempos chuvosos", argumenta.

Outras medidas

Outra medida, embora paliativa, que estão sendo tomadas pela Secretaria de Obras para a prevenção da cidade em relação às tempestade, é a colocação de galeria em vários córregos. O Córrego

Água do Sobrado, nas proximidades da avenida Alfredo Maia, por exemplo, vivia inundado, não está mais alagando devido à execução de obras (galerias) no local. "No final de 1999, não tivemos mais nenhum alagamento ali e isso está ocorrendo porque esse córrego e o rio Bauru estão sendo desassoreados por uma draga", explica Dias.

No entanto, se esse trabalho parar, o problema retorna. Por isso, o secretário diz que continuará com uma equipe na região. As galerias da Vila Industrial e Vila Ipiranga já foram colocadas. Já as do Jardim Solange e do Ferradura Mirim deverão ser concluídas em novembro. A verba para essas duas últimas obras foi liberada pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) e pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), respectivamente.

O Jardim Jussara e a Vila Rocha, outros pontos críticos no período das chuvas, já estão recebendo galerias de águas pluviais e o trabalho, provavelmente, deve ser finalizado até o final do ano. As galerias desses bairros têm 2.100 metros de extensão e custaram à Prefeitura aproximadamente R$ 400 mil e o cachimbo, R$ 50 mil.

A obra de ligação entre o Jussara e a região da Vila Popular, importante para o trânsito de veículos e a passagem de pedestres, que ficou por muito tempo parada, já está concluída. "Agora, haverá mais facilidade para a comunicação entre os bairros e, também as famílias poderão estacionar seus veículos dentro da garagem de suas residências, pois não há perigo de inundações", ressalta o secretário.

As galerias pluviais também deverão impedir que a região da avenida Comendador José da Silva Martha e a adutora de água do DAC, que abastece cerca de 50% da cidade, sejam danificadas em conseqüência das chuvas. Além disso, a obra dessa avenida, que deve ser concluída até novembro, terá mais estabilidade.

Em se tratando de avenidas, a Nuno de Assis também está sendo preparada, para evitar possíveis enchentes. Lá, já estão sendo providenciados um canal do ribeirão Bauru, na margem esquerda, um emissário de esgoto, galerias de águas pluviais, pavimentação e iluminação.

"A obra está em execução e servirá para organizar aquela região, melhorando o trânsito tanto para quem vai para o Parque Vista Alegre, quanto para os motoristas e transeuntes dos núcleos Mary Dota e Beija-Flor", argumenta Dias.

Paralelo ao trabalho das erosões, a Secretaria também estará executando obras nas vias públicas, para se precaver das chuvas, algumas em caráter definitivo, outras de urgência. De acordo com o titular, a manutenção de ruas e avenidas, onde há grande movimentação de transportes coletivos, já começou e está recebendo equipes de tapa-buracos e terraplenagem.

"Estamos com a parte financeira sob controle e é possível, ainda que, com pouco dinheiro, investir na cidade, implantando a infra-estrutura para melhorar a condição de vida dessa população", retoma o secretário.

Ele disse ainda, que não existe nada milagroso, mas é possível, de maneira coerente e econômica, executar muitas obras como o combate à erosão e à pavimentação, principal reivindicação da população periférica.

Secretaria investe em equipamentos

Para se prevenir das fortes chuvas, a Secretaria de Obras também está investindo em equipamentos. Já foram comprados, com o dinheiro do Orçamento deste ano, quatro caminhões trucados e uma pá-carregadeira.

Todos estão em operação. Os caminhões de R$ 75 mil (cada) e a pá, de aproximadamente R$ 125 mil, estão sendo utilizados para um aterro na ponte do Jardim Jussara e na avenida Nuno de Assis, respectivamente.

Segundo o secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, novos equipamentos serão comprados, mas com o Orçamento de 2001. "Por enquanto, só deverão ser adquiridos materiais considerados urgentes, para a execução das obras", frisa.

Enquanto isso, a oficina da Secretaria continua recuperando os equipamentos antigos que estão quebrados.

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