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Distúrbios do sono

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Simpósio Internacional vai discutir distúrbios do sono

Quem acha que roncar é apenas um som produzido durante o sono está totalmente enganado. O ronco nunca é normal, garante o neurologista e neurocirurgião, Alberto Luiz Moura dos Santos. Integrante do Instituto de Medicina do Sono, ele frisa que o ronco é sinal de doença e que uma noite mal dormida pode refletir até no desempenho sexual de uma pessoa. "Dormir pouco pode gerar mau humor, irritação, baixa concentração e capacidade de trabalho, além de dificuldades no relacionamento social e sexual."

O ronco, a insônia e os distúrbios do sono são os temas a serem discutidos no próximo dia 21, no Simpósio Internacional de Medicina do Sono. O evento, organizado pelo Instituto de Medicina do Sono de Bauru vai ser realizado no Teatro Univeristário da Universidade do Sagrado Coração e contará com três renomados especialistas, dois deles americanos.

Um dos organizadores do evento, o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos frisa que a Medicina do Sono é uma nova especialidade da medicina que tem por finalidade diagnosticar e tratar as doenças exclusivas e as relacionadas com o sono. "Hoje nós temos mais de 84 doenças exclusivas ou relacionadas com o sono. Elas já estão classificadas para cada uma delas há uma tratamento específico."

O sono, é antes de tudo, uma função biológica do ser humano e da maioria dos seres vivos, explica o médico. Segundo ele, o sono representa um momento em que as funções orgânicas da pessoa se recuperam das atividades, físicas ou mentais exercidas durante o dia.

O neurologista ressalta que as doenças do sono podem ser exclusivas ou relacionadas. "As exclusivas são aquelas que só ocorrem durante o sono. Como exemplo podemos citar a apnéia do sono. Ou seja, a parada respiratória por fechamento da garganta. Ninguém tem apnéia do sono acordado, obviamente."

O principal sintoma da apnéia do sono é o ronco. Ele indica que o ar entra pelo nariz e ao passar pela garganta encontra um obstáculo, uma obstrução. "O ronco nunca é normal. Quando o ar encontra uma obstrução, ele faz as estruturas da garganta vibrarem e isso produz um som que é o ronco."

Roncar pode significar uma simples dificuldade de passagem do ar pela garganta, mas também pode ter consequências fatais. "O próprio som pode fazer com que a pessoa acorde várias vezes durante as horas de sono. Isto provoca um sono fragmentado que vai refletir na rotina da pessoa. Mas, se o ar não chegar ao pulmão, a oxigenação do sangue cai e o cérebro avisa para que a pessoa desperte. Se a pessoa não despertar, morre."

Para detectar este tipo de problema, o neurologista indica um exame. "A polisonografia monitora a pessoa durante uma noite toda de sono. Ela detecta a atividade elétrica cerebral e todos os outros movimentos, tudo o que acontece durante aquele período de sono."

A insônia, outro problema do sono, tem sua causa principal centrada em problemas psicológicos, alerta o neurologista.

"Pela estatística americana, 36% da população sofre de algum tipo de insônia. Existe a transitória, que é aquela que ataca uma criança no primeiro dia de aula e aquela que é crônica e exige tratamento."

Tempo médio de sono

Cada pessoa tem um período de sono regulado por uma "central" localizada no cérebro. "O período médio de sono varia conforme a idade de cada um. Nos primeiros anos de vida, a criança dorme de 12 a 14 horas por dia. Com um pouco mais de idade, passa a dormir de 8 a 10 horas.

O adolescente e o adulto, dormem de 6 a 9 horas e conforme a idade avança o número de horas diminui, passando a ser de 5 a 7 horas.

A sonolência excessiva, segundo o neurologista pode ser sinal de doença. "Existe uma doença que provoca a sonolência excessiva. Ela é provocada pela falta de regulação na central que controla a vigília e o sono, localizada no cérebro."

Os sintomas da sonolência excessiva aparecem por volta dos 10 anos e podem ficar evidentes aos 15, perdurando pela vida toda.

"Existe tratamento medicamentoso para estes casos", explica.

Pesquisas

Até o começo dos anos 20, segundo Alberto Luiz Moura dos Santos, ninguém nunca pensou em estudar o sono. Um pesquisador russo, que estava exilado da Europa nos Estados Unidos, contratado pela Universidade de Chicago, começou a estudar o sono, nesta época. Uma das primeiras experiências que ele fez, em conjunto com outro pesquisador, foi ficarem em uma caverna sem contato com o meio externo. "Com a mesma luminosidade, sem alteração para dia e noite. A mesma temperatura ambiente. Eles tentaram perceber o que acontecia com eles mesmos com relação a acordar e dormir."

Os pesquisadores perceberam que um deles tinha um período de vigília/sono de 25 horas e outro, de 23 horas. Começaram a perceber que a pessoa em relação ao sono/vigília era totalmente diferente da regra de 24 horas que a gente segue no relógio. Então teve início a pesquisa do sono.

Até os anos 70 , só se fazia pesquisas, por isso foi a época em que foram feitas as grandes descobertas das fases do sono. De algumas doenças, que pareciam ser exclusivas do sono. No começo dos anos 70, nos Estados Unidos, um grupo de pesquisadores começou a atuar clinicamente, ou seja começou a atender pacientes, a definir as doenças que eram exclusivas do sono e tratar.

A partir dai os estudos e as pesquisas foram comprovadas e hoje, nos Estados Unidos, a Medicina do Sono é uma nova modalidade.

"Existe residência em Medicina do Sono. No Brasil, isso ainda é incipiente, Não existe uma especialidade definida. Eu acredito que com o passar do tempo, também existirá no Brasil a Medicina do Sono."

Serviços

O Simpósio Internacional de Medicina do Sono contará com a presença dos professores: Dr. Maurício Bagnato-presidente da Sociedade Paulista de Medicina do Sono, professor da Universidade Federal de São Paulo e Escola Paulista de Medicina, São Paulo. Dr. Philip M. Becker, conselheiro da Academia Americana de Medicina do Sono e diretor Geral do Instituto de Medicina do Sono, Dallas, Texas, USA. Dr. Wolfgang W. Schmidt-Nowara, ex-presidente da Academia Americana de Medicina do Sono, diretor científico do Instituto de Medicina do Sono, Dallas, Texas, USA. As inscrições custam R$ 50,00 e podem ser feitas na rua Annis Dabus, 1-23, Bauru/SP. Mais informações poderão ser obtidas pelo telefone: 223-5692 ou pelo e-mail: instituto@medicinadosono.com

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