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Rose Araujo
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Brasil já contabiliza 900 mil sacas de café retidas

Texto: Rose Araujo

O Brasil já contabiliza um estoque de 900 mil sacas de café devido à política de retenção do produto, acordada mundialmente com os Países produtores do grão. A informação é do vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Maurício Lima Verde Guimarães. Mesmo assim, de acordo com ele, os preços no mercado mundial continuam baixos e os produtores estão enfrentando uma das piores crises do setor. "Existe, inclusive, a possibilidade do Ministro da Agricultura (Pratini de Moraes) perder seu cargo por causa desse impasse", explicou Guimarães.

Guimarães disse que o ministro foi um dos grandes incentivadores da participação do Brasilnesse plano, que tem por meta elevar os preços do produto mundialmente. Mas, por enquanto, nada tem surtido efeito. O Brasil deu início

à retenção das sacas de café no dia 1.º de junho. Os demais países produtores deveriam dar início a esse programa a partir de 1.º de outubro. No entanto, o descrédito ao programa tomou conta do mercado, de acordo com Guimarães, e alguns países decidiram não participar. "Um dos argumentos usados pela imprensa e pelos contrários ao projeto de retenção foi de que não haveria dinheiro para financiar a retenção para os produtores. Com isso, o mercado se fechou e o programa não surtiu o efeito esperado", disse.

A saca de café no mercado internacional está sendo comercializada a US$ 70, quando o preço ideal, segundo Guimarães, seria US$ 125. "Os produtores brasileiros não conseguem sobreviver vendendo café a US$ 70 a saca", destacou.

Como há descrédito no mercado, alguns países da Ásia não estão querendo participar do programa de retenção. Isso inviabiliza o acordo, já que a idéia é diminuir a quantidade de café no mercado, fazendo com que o preço se eleve até o patamar de US$ 125 a saca.

Para tentar amenizar o problema, o governo brasileiro está adiando as dívidas dos cafeicultores. No entanto, Guimarães diz que essa é uma medida paliativa. "Só está empurrando o problema com a barriga", ilustrou. Ele destacou que foram destinados R$ 300 milhões para financiar o programa de retenção. Mas, o valor ficou muito aquém do necessário para auxiliar o setor, estimado em R$ 700 milhões.

A economia regional poderá ser afetada bruscamente caso esse programa de retenção não seja concretizado. Isto porque a região detém 25% da área produzida do produto no Estado de São Paulo, estimada em 400 milhões de pés.

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