Polícia investiga máfia do RG
Texto: Fabiano Alcantara
Inquérito da Polícia Civil apura existência de uma quadrilha de estelionatários em Bauru; grupo teria usado RG de um "laranja" para comprar veículos, empresas e emitir notas fiscais falsas
A apreensão de notas fiscais supostamente falsas ontem de manhã em uma distribuidora de combustíveis aumentou as suspeitas de que uma quadrilha de estelionatários muito bem articulada estaria agindo em Bauru. O caso da "máfia do RG" está sendo investigado pela Polícia Civil desde janeiro. De acordo com o delegado-titular do 3º DP, Dinair José da Silva, pelo menos dez pessoas podem estar envolvidas.
A máfia agiria da seguinte forma: com documentos desviados, como RG e CPF, eles falsificariam assinaturas para comprar veículos, empresas e fornecer notas fiscais frias. As notas apreendidas ontem, em um escritório do edifício Caravelas, na rua 1º de Agosto, serão examinadas pela perícia técnica e Secretaria da Fazenda. Se comprovada a ilegalidade do material, o responsável pela distribuidora pode ter prisão temporária decretada.
A polícia chegou até o escritório do suposto estelionatário por meio de documentos apreendidos na cidade. O delegado tinha mandado de busca.
Segundo o inquérito que investiga a máfia do RG, quatro empresas funcionariam em Bauru como se fossem de Antônio Aparecido Silva. O homem, no entanto, perdeu seus documentos em 97 e registrou Boletim de Ocorrência. Tempos depois, ele surpreendeu-se ao ser notificado pela Receita Federal por não estar pagando o imposto relativo às empresas que possuiria. Empresas que ele nem sabia da existência.
Silva, que seria uma pessoa de baixo poder aquisitivo, segundo o delegado, reclamou ao Ministério Público de que estaria sendo usado como "laranja" de um esquema. O homem foi ouvido e, como teria quatro empresas em Bauru com o seu nome, o inquérito foi aberto na cidade. Silva teria ainda empresas em outras cidades do Interior de São Paulo, Mirandópolis e Ourinhos.
"Após várias diligência não temos dúvidas de que seja uma quadrilha muito bem articulada com ramificações em vários pontos do Estado. Eles compram, vendem, quebram a empresa e quem fica individado
é o dono do RG", disse o delegado.
Ele afirmou já ter o nome de "cinco ou seis" pessoas envolvidas no esquema, mas desconfia que os envolvidos devam ser pelo menos dez pessoas. "Estamos analisando o grau de culpa de cada um deles. Queremos saber se quem está com as empresas foram enganados ou agiram com dolo. De qualquer formas, estão em situação ilegal", afirmou.
O delegado afirmou que a perda de RG é muito comum, o que pode estar abrindo brecha para a atuação de estelionatários.
"Aqui no 3º DP recebemos cerca de 10 a 15 pessoas por dia dizendo que perderam o RG", afirma.
Combustíveis
Além de levantar suspeitas para a máfia do RG, a apreensão de material supostamente adulterado, ontem, na distribuidora de combustível do edifício Caravelas, pode ser a ponta de um Iceberg de irregularidades envolvendo combustíveis no Interior.
Segundo o delegado, a empresa investigada deveria funcionar em Paulínia. Com notas fiscais falsas, o combustível ficaria bem mais barato, graças ao drible no fisco. Além de envolver a Receita Federal, o caso também vai ser submetido
à Polícia Federal. O delegado do 3º DP não divulgou o nome do suposto estelionatário para não atrapalhar as investigações.