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Máfia do RG

Josefa Cunha
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"Máfia do RG" põe postos sob investigação

Texto: Josefa Cunha

O delegado Dinair José da Silva, do 3.º Distrito Policial, informou ontem que vários postos de combustível de Bauru serão investigados por conta do caso da "máfia do RG". A possível ligação entre os estabelecimentos e a quadrilha de estelionatários que vem utilizando documentos falsos e notas fiscais frias ficou mais forte depois da apreensão de talonários de notas realizada anteontem em uma distribuidora de combustíveis da cidade.

A Polícia possui uma lista dos postos que estariam envolvidos no esquema e vai empenhar diligências no sentido de descobrir quais realmente podem estar sendo coniventes. Com notas frias, esses revendedores estariam conseguindo adquirir os combustíveis a preços menores, abrindo uma concorrência desleal com os estabelecimentos que agem corretamente. "Alguma coisa de errado deve ter. Ou estão adulterando combustível ou comprando com nota fria", supôs.

As notas apreendidas anteontem num escritório instalado no Edifício do Caravelas deverão ser encaminhadas nos próximos dias à Secretaria da Fazenda para análise. A CPU do computador apreendida no local também passará por perícia técnica, podendo fornecer elementos mais precisos sobre as pessoas envolvidas.

A utilização de documentos falsos vem sendo investigada pelo 3.º DP desde janeiro deste ano, quando Antônio Aparecido Silva deu queixa sobre transações ilegais feitas com seu RG, perdido no Paraná em 1997. A quadrilha sob investigação teria abrido empresas com o nome de Silva, que só descobriu o golpe depois que a Receita Federal o notificou por conta do não-pagamento dos impostos relativos às suas firmas. Somente em Bauru, Silva seria proprietário de quatro empresas.

O delegado, que solicitará a parceria da Polícia Federal na elucidação do caso, disse que já tem elementos suficientes para concluir o inquérito e indiciar algumas pessoas. O procedimento só não foi feito até agora, entretanto, porque muitas outras pessoas também estariam envolvidas, a exemplo de revendedores de combustível possivelmente atrelados ao esquema. "Queremos tudo muito bem fundamentado, mas, sobretudo, que todos sejam responsabilizados sem exceção", frisou.

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