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Brincar

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

O prazer de brincar

Texto: Gustavo Cândido

Brincar para uma criança é muito mais do que passar o tempo se divertindo como, às vezes, se pode imaginar

Nenhum adulto deve subestimar a necessidade de uma criança brincar. Essa atividade é fundamental para o perfeito desenvolvimento de uma criança. Foi pensando nisso que as estudantes do

último ano de Psicologia, Ângela Ferreira Domingues e Mariana Clivati do Amaral abriram em setembro a "Bem brincado", a primeira brinquedoteca particular da cidade, dotada de vários ambientes e tipos brinquedos para crianças de 2 a 10 anos. Elas falaram ao JC sobre a importância das brincadeiras e o novo espaço para os pequenos, inédito no Interior mas muito popular nas capitais e fora do País.

Jornal da Cidade - Como é o sistema da brinquedoteca?

Ângela Ferreira Domingues - O pai vem e deixa a criança pelo tempo que ele quiser ou precisar. Ela fica brincando.

Mariana Clivati do Amaral - Geralmente, é no período oposto a escola, se ela vai de manhã à escola, vem aqui à tarde e vice e versa.

Ângela - Se o pai ou a mãe não têm tempo de ficar com a criança, porque têm um compromisso, por exemplo, eles a deixam aqui ao invés de deixá-la parada em algum lugar, na casa de uma avó, por exemplo. Aqui ela fica brincando e aprendendo, porque enquanto brinca sempre aprende alguma coisa, além de desenvolver suas habilidades. Existem alguns pais que já estão interessados em deixar os filhos aqui por períodos determinados. Como se fosse um pacote de horas.

JC - Como assim?

Ângela - São duas possibilidades, ou o pai pode deixar o filho num dia que ele precise ou pode trazer todos os dias para ficar durante um tempo, ele compra um pacote de horas e traz o filho sempre no mesmo horário.

Mariana - Mas é claro que esse horário que não é fixo. Por exemplo, se ele compra um pacote de 20 horas, ele pode usar esse tempo como quiser, de acordo com a sua necessidade.

JC - Durante o tempo que as crianças ficam aqui elas são acompanhadas?

Ângela - Nós estamos sempre aqui para acompanhar as crianças, mas são elas que vão escolher do que vão brincar, como e quando. Se uma criança quiser pegar uma boneca e brincar no tanque de areia, ela pode. Mas vai ter sempre alguém para acompanhá-la.

JC - Sem dizer como ela deve brincar...

Ângela - A brincadeira não é dirigida, a gente não vai dizer a ela o que fazer e como, a gente só faz companhia.

Mariana - As crianças menores de dois anos precisam de um estímulo para a brincadeira, elas não têm uma vontade própria de dizer "eu quero brincar disso". Nesse caso é preciso saber lidar com as diferentes idades e as brincadeiras próprias para cada uma.

Ângela - Por exemplo: existem crianças menores que chegam, pegam um monte de brinquedos e não sabem o que fazer com eles, não brincam com nada. Quando isso acontece, sentamos com a criança e brincamos junto um pouco para estimulá-la até que ela se concentre cada vez mais numa determinada brincadeira para ela poder desenvolver suas habilidades.

JC - Qual a importância do brincar para a criança?

Ângela - O brincar serve para estimular a coordenação motora, as habilidades físicas e cognitivas da crianças, a inteligência. A criança se desenvolve através do brincar. E isso não só com brincadeiras educativas ou brinquedos didático, mas também a brincadeira de lavar roupa, passar roupa, segurar o nenê. A criança imita a mãe, que é quem tem o poder

em casa, a figura de poder.

Mariana - A criança desenvolve suas habilidades físicas, motoras, intelectuais e até afetivas são desenvolvidas através da brincadeira. Por exemplo, uma criança pequena ainda está numa idade na qual não divide nada com ninguém, não entende regras, numa idade que a gente chama de egocêntrica. Através da brincadeira ela vai aprendendo a seguir regras, a dividir coisas e espaços com os outros... tudo isso ela vai usar na sua vida no futuro. O lado afetivo, por exemplo, se desenvolve quando ela cuida de um ursinho, uma boneca, ela aprende que não

é para maltratá-lo. A inteligência também se desenvolve, a criança aprende as cores, a contar... tudo isso de uma maneira mais natural. Na escola a criança sabe que está aprendendo, brincando ela aprende se saber, de uma forma mais natural e fácil para ela.

JC - Como vocês tiveram a idéia para criar os espaços?

Ângela - A gente fez ambientes parecidos com os de algumas brinquedotecas que nós conhecemos.

Mariana - Em São Paulo existem várias brinquedotecas, existe até uma associação. Em Brasília e Belo Horizonte também. É uma novidade aqui em Bauru.

Ângela - Quando a gente pensou em montar a brinquedoteca nós fomos falar com uma autora chamada Nilce Cunha, que

é pessoa que trouxe a idéia da brinquedoteca para o Brasil. Ela mostrou a brinquedoteca dela, que tem alguns ambientes parecidos com o nosso. O camarim, como nós temos aqui, segundo ela é um dos espaços que mais chamam a atenção das crianças.

Mariana - Existem vários livros sobre brinquedotecas e eles dizem que é necessário ter vários cantos diferentes, ter brinquedos especialmente para crianças pequenas, uma casinha para as crianças brincarem... já faz parte da idéia.

Ângela - Esse negócio de cada espaço ser específico é fundamental para que o local seja caracterizado como uma brinquedoteca. Não é só um monte de brinquedo numa sala. O fato dela também poder brincar com o que quiser é o que caracteriza a brinquedoteca.

Mariana - Na escola a criança não tem essa liberdade, tem o horário certo do recreio, é a professora quem dirige as brincadeiras e o aprendizado. Em casa existe um limite de espaço, de brinquedos. Aqui é diferente.

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