Cresce o número de mulher no tráfico
Texto: Ieda Rodrigues
A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes
(Dise) de Bauru está verificando um aumento no número de mulheres atuando no tráfico de drogas na cidade. Nos
últimos meses, numa operação de combate ao tráfico na periferia, foram presas mais de dez mulheres sob acusação de estarem vendendo drogas, a maioria em suas próprias casas.
Ontem à tarde, policiais da Dise prenderam M.A.B., 47 anos, e seu amásio P.S.S., 33 anos (só iniciais dos nomes divulgadas pela polícia) no Jardim Vitória. Na casa do casal, que fica nos fundos de uma barraca que vende bebidas, também de propriedade dos dois, a polícia encontrou um tijolo de maconha enterrado no quintal.
Dentro da casa, foram encontradas várias porções de maconha, de tamanho semelhante, acondicionadas em plástico, já prontas para a venda, de acordo com a Dise. O casal foi atuado por tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico. A mulher seria encaminhada para o Presídio Feminino de Cabrália Paulista enquanto o rapaz iria para a Cadeia Pública de Bauru. Se condenados, poderão pegar de três a 15 anos de prisão.
O delegado titular da Dise, José Henrique Gomes dos Santos, não soube precisar o motivo do aumento de mulheres presas por tráfico. Mas o delegado ressaltou que, na maioria dos casos descobertos pela Dise nos últimos meses, trata-se de mulheres cujos maridos estão preso por tráfico.
As mulheres, sem emprego e outra fonte de renda, estariam dando continuidade à atividade de seus maridos presos, com quem teriam aprendido como e onde obter a droga. A maioria estaria sustentando seus filhos com o dinheiro do tráfico, já que não tinham outra fonte de renda.
José Henrique chamou a atenção para a idade das mulheres presas. Com exceção de uma, todas têm mais de 30 anos - M.A.B., presa ontem, tem 47 anos. A Dise também constatou que praticamente todas as mulheres presas nesta operação de combate ao tráfico na periferia vendem a droga em suas próprias casas. As drogas apreendidas com as mulheres são crack e maconha.
M.A.B. e seu amásio foram presos ontem após um trabalho de investigação baseado em denúncia anônima. Os policiais constataram uma movimentação de pessoas acima do considerado normal na barraca de bebidas localizada na quadra 3 da rua Giobata Fornetti, no Jardim Vitória.
De posse de autorização judicial para busca, ontem
à tarde os policiais da Dise foram até a barraca de bebidas. No estabelecimento comercial nada encontraram, mas em frente à porta cozinha da casa do casal, nos fundos da barraca, os policiais descobriram um tijolo de maconha enterrado, pesando cerca de 380 gramas.
Na casa, os policiais encontraram as porções já separadas, que estariam prontas para a venda. Também apreenderam dois telefones celular, que seriam usados no tráfico, e uma boa quantidade de dinheiro em notas miúdas. A mulher não tinha passagem pela polícia, mas o rapaz disse ao delegado que já cumpriu pena por homicídio.
Operação periferia visa coibir crimes conseqüentes do tráfico
A operação que vem sendo realizada pela Dise há cerca de dois meses, de combate ao tráfico na periferia de Bauru, visa, também, coibir os crimes conseqüentes das drogas, segundo o delegado José Henrique Gomes dos Santos. Ele explicou que o comprador em potencial de drogas na periferia é o adolescente.
Sem dinheiro para sustentar o tráfico, esse adolescente torna-se um autor em potencial de outros delitos, como furto e roubo, para obter dinheiro. Segundo o delegado, com o dinheiro de produtos furtados ou roubados, o adolescente compra mais droga. Estando mais tempo sob efeito de drogas, a tendência é cometer mais delitos para obter dinheiro, podendo chegar a crimes mais graves, como roubo à mão armado e homicídio.
Sobre o maior número de mulheres no tráfico, José Henrique disse que ela vende drogas, mas dificilmente está no comando do negócio por causa da violência da atividade. O delegado titular da Dise disse que é por causa dos crimes que a droga pode desencadear é que a operação está mais centrada na periferia, mas sem deixar o policiamento nas demais regiões da cidade.
Perfil da mulher no tráfico
* Mais de 30 anos
* Vende droga em casa
* Sustenta os filhos