Servidores fazem greve em Pirajuí
Texto: Adilson Camargo
Parte dos servidores municipais de Pirajuí entraram em greve ontem de manhã. Uma nova reunião está marcada para hoje
Servidores municipais de Pirajuí entraram em greve ontem de manhã depois de terem realizado uma assembléia, anteontem à tarde, com representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região
(Sinserm).
Após a assembléia, que, segundo o Sinserm, contou com cerca de 170 funcionários, , ficou acertado que os servidores somente voltarão ao trabalho depois que o prefeito Dino Miguel Nani Rinaldi (PSDB) atender a uma série de reivindicações. A greve, que é parcial, pois apenas uma parte dos servidores aderiu, começou ontem por volta das 6h30.
Durante a manhã de ontem, servidores e sindicato estiveram reunidos para definir a pauta de reivindicações para apresentá-la, à tarde, ao prefeito Rinaldi. Com a pauta em mãos, o prefeito prometeu analisá-la detalhadamente. Uma nova reunião entre as partes foi marcada para hoje, a partir das 14 horas, na Prefeitura, quando o prefeito deverá apresentar sua decisão por escrito.
Algumas das principais reivindicações dos servidores, segundo o Sinserm, dizem respeito ao pagamento em dia de seus salários, à normalização do convênio médico, à regularização do depósito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e outras.
De acordo com informações do sindicato, o prefeito Rinaldi tem atrasado sistematicamente o pagamento do salário dos servidores. A Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) estabelece, em seu artigo 459, que o pagamento deve ser feito até, no máximo, o quinto dia útil de cada mês. Segundo o Sinserm, os salários dos servidores municipais de Pirajuí estão sendo pagos por volta do dia 15, e que neste mês apenas quem recebe até R$ 400 foram pagos. Os funcionários que possuem um vencimento superior a esse valor ainda estão sem receber, segundo o sindicato.
Além do atraso no pagamento dos salários, o convênio médico dos servidores foi suspenso, há aproximadamente 20 dias, por falta de pagamento, embora o desconto correspondente conste do holerite dos funcionários, segundo informou o sindicato. A regularização desse convênio, também é uma das exigências dos servidores.
O FGTS, segundo o sindicato, não estaria sendo depositado. Essa informação teria sido obtida junto a funcionário da tesouraria da Prefeitura. Além disso, de acordo com o Sinserm, vários servidores estariam recebendo menos do que está registrado em suas carteiras de trabalho.
A reportagem do Jornal da Cidade tentou entrar em contato, ontem à tarde, por telefone, com a tesouraria da Prefeitura para confirmar ou não essas informações, mas ninguém atendeu às ligações.
Prefeito diz que já atendeu algumas reivindicações
Procurado pelo Jornal da Cidade, o prefeito Dino Miguel Nani Rinaldi afirmou que uma parte das reivindicações feitas pelos servidores municipais será atendida até a próxima sexta-feira.
Segundo ele, os salários que estavam pendentes foram pagos ontem mesmo. Entre os beneficiados estariam ocupantes de cargos comissionados e diretores municipais. Hoje, Rinaldi garantiu que irá depositar o pagamento dos médicos do pronto-socorro. O prefeito garantiu também que a entrega da cesta básica a todos os funcionários será feita na sexta-feira.
Em relação ao convênio médico, Rinaldi afirmou que já foi normalizado. Segundo ele, a Prefeitura já depositou as parcelas que estavam atrasadas, e que o atendimento voltou ao normal.
O FGTS está sendo pago "de acordo com a possibilidade financeira da Prefeitura", disse, sem negar que esteja realmente em débito com a Caixa Econômica Federal.
Segundo Rinaldi, as reivindicações feitas pelos servidores são muitas e não dará para atender a todas elas. Essa deverá ser a tônica da reunião marcada para hoje à tarde na Prefeitura, entre ele, funcionários em greve e sindicato. "Tudo isso não passa de um movimento político", acredita Rinaldi.
Para ele, os encargos sociais dos servidores têm um custo muito alto para os cofres municipais. "Além do mais, eu recebi a Prefeitura endividada, e estou tentando colocar a casa em ordem", defendeu-se. Rinaldi assumiu o comando de Pirajuí, em definitivo, em outubro do ano passado, depois de uma longa batalha jurídica que culminou com o afastamento do então prefeito José Carlos Ortega.
A arrecadação mensal da Prefeitura gira em torno de R$ 600 mil, segundo o prefeito. Desse total, cerca de 60% está comprometido com a folha de pagamento dos funcionários
(380 aproximadamente).