Se chuva não for suficiente, rodízio começa hoje
Texto: Ieda Rodrigues
Bauru pode ter, já a partir de hoje, racionamento de água, através de um rodízio do abastecimento, se a chuva que caiu ontem à noite não foi suficiente para aumentar o volume de água do rio Batalha. Hoje pela manhã, técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) vão avaliar o nível do leito do rio, que há dias vem baixando, para decidir ou não pela implantação de rodízio (fornecimento de água em horários pré-determinados e em bairros alternados).
A informação foi dada ao JC nos Bairros pela assessoria de imprensa do DAE, por volta das 19 horas de ontem, quando chovia na cidade. A assessora de imprensa da autarquia, Sandra Mara Firmino, explicou que para afastar a necessidade de rodízio no abastecimento é preciso que, durante a noite de ontem e manhã de hoje tenha chovido na cabeceira do Batalha, para que o rio recupere seu volume de água.
Ontem à tarde, choveu em alguns pontos de Bauru, mas não caiu nenhuma gota de água na estação de captação e na cabeceira do Batalha. Já à noite, estava chovendo na estação de captação. Em função da redução do volume do rio, uma das três bombas de captação foi ligada apenas às 15 horas de ontem. Mas para isso o DAE precisou, até, desviar o curso de um braço do rio, para que corresse no leito da captação.
Com isso, aumentou um pouco o volume de água do rio, mas ainda é considerado insuficiente para atender o consumo. Se houver rodízio, cerca de 120 mil pessoas das regiões Centro, Sul e Sudeste vão ser atingidas. O rio Batalha abastece cerca de 50% da cidade. A outra metade de Bauru é abastecida por 27 poços artesianos.
O risco de falta d'água em Bauru está ligado a dois fatores. Primeiro: aumento do consumo nos últimos dias devido ao forte calor, com temperaturas chegando a atingir 35 graus. Segundo: exaustão do rio Batalhão em função do período de estiagem no início deste ano e da destruição da mata ciliar nos últimos anos, que acarretou assoreamento.
Nos dias mais quentes, a quantidade de água consumida em alguns bairros, os de maior densidade populacional, chega a aumentar em até 40%. O presidente do DAE, Sérgio Macedo, em entrevista à imprensa na semana passada, ressaltou que economia não significa deixar de fazer atividades essenciais, como banho, limpeza da casa e lavagem de roupas, mas usar água na quantidade necessária.
Apesar de boa parte da população colaborar com o DAE, algumas pessoas continuam desperdiçando água, lavando calçadas e quintais com jato d'água, lavando veículos e deixando torneiras abertas. Ontem, por exemplo, o DAE recebeu uma informação de que um morador do Alto Alegre estava usando a "mangueira" para dar banho no filho, no meio da rua, o que gerou revolta dos vizinhos.
A assessoria de imprensa do DAE destacou uma equipe para ir ao local e orientar o morador a parar com o banho de mangueira, para economizar água. O DAE continua estudando a possibilidade de multar quem desperdiçar água. Mas, para isso, primeiro, precisa que a Câmara aprove uma lei que autorize a fiscalização da população e a atuação.